Pará amplia área de grãos em 134,5% e projeta produção de 8,34 milhões de toneladas
Levantamento aponta liderança estadual no crescimento percentual da área de soja em seis anos; pecuária reúne 25,56 milhões de bovinos, enquanto questões fundiárias desafiam o setor
Publicado em: 21/10/2026 às 16:30hs
O Pará amplia sua participação na agropecuária brasileira, com expansão das lavouras de grãos e um dos maiores rebanhos bovinos do país. Segundo levantamento apresentado pelo analista de inteligência de mercado Jeferson Souza, o estado registrou o maior crescimento percentual da área de soja do Brasil nos últimos seis anos.
No conjunto dos grãos, a área cultivada passou de 963 mil hectares em 2020 para uma estimativa de 2,26 milhões de hectares em 2026. A expansão de 134,5% corresponde à incorporação de aproximadamente 1,3 milhão de hectares ao cultivo dessas culturas no período.
O avanço também aparece na produção, cuja estimativa para a safra 2025/26 supera em mais de três vezes o volume registrado em 2020.
Produção de grãos cresce mais que a área cultivada
De acordo com os números apresentados, a colheita paraense deve alcançar 8,34 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, ante 2,64 milhões de toneladas em 2020.
O crescimento estimado é de 216%, equivalente a cerca de 5,7 milhões de toneladas adicionais. A produção, portanto, avançou proporcionalmente mais que a área cultivada no intervalo analisado.
A soja lidera entre as culturas, com previsão de 3,62 milhões de toneladas, seguida pelo milho, com 3,04 milhões de toneladas. Juntos, os dois produtos representam aproximadamente 80% do volume de grãos projetado para o estado.
Pecuária paraense reúne 10,9% do rebanho brasileiro
Além da agricultura, a bovinocultura mantém peso expressivo na atividade agropecuária do Pará. O rebanho estadual chegou a 25,56 milhões de cabeças em 2025, correspondendo a 10,9% do total nacional, segundo o levantamento.
O município de São Félix do Xingu concentra aproximadamente 2,7 milhões de bovinos e possui o maior rebanho municipal do Brasil.
A combinação entre produção pecuária e crescimento das lavouras evidencia a diversidade da base agropecuária paraense e seu espaço crescente no abastecimento nacional.
Floresta nativa ocupa 70,1% da cobertura do solo
O levantamento também apresenta a distribuição da cobertura do solo no Pará. A floresta nativa representa 70,1%, enquanto as pastagens ocupam 22,4% e a agricultura, 5,2%.
Esses percentuais retratam a composição territorial apresentada na análise. Isoladamente, não indicam a origem das áreas incorporadas às lavouras nem permitem estabelecer como ocorreu a conversão de uso do solo no período.
Segurança jurídica e questões fundiárias estão entre os desafios
Na avaliação de Jeferson Souza, o Pará ainda apresenta potencial de crescimento agropecuário, mas enfrenta obstáculos relacionados à segurança jurídica e à situação fundiária.
O analista destaca que a comparação com regiões agrícolas consolidadas, como o sudoeste do Paraná, ajuda a compreender as diferenças de estrutura e de estágio de desenvolvimento entre os polos produtivos brasileiros.
Nesse cenário, a expansão paraense reforça a importância de avaliar as particularidades regionais: o aumento da produção convive com desafios que influenciam o planejamento e a continuidade dos investimentos no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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