Agricultura do Brasil cresce 3,3% ao ano e supera ritmo europeu, aponta estudo
Levantamento encomendado pela Bayer, com análise da Oxford Economics, mostra avanço de apenas 0,1% ao ano na União Europeia entre 2011 e 2023 e destaca desafios climáticos e tecnológicos do bloco.
Publicado em: 21/10/2026 às 17:00hs
A produção agrícola brasileira cresceu, em média, 3,3% ao ano entre 2011 e 2023, enquanto a União Europeia registrou expansão anual de 0,1% e o Reino Unido permaneceu estável. Os dados são de um estudo encomendado pela Bayer, com análise econômica da Oxford Economics, que avalia os desafios de competitividade da agricultura europeia.
No período, o ritmo de crescimento do Brasil superou o de Estados Unidos, China, Canadá e Índia, além da média mundial de 2% ao ano, segundo o levantamento.
O estudo relaciona o desempenho europeu a um conjunto de dificuldades que inclui custos de produção, perdas climáticas e limitações no acesso a novas tecnologias. Na avaliação apresentada, esses fatores pressionam a capacidade da Europa de acompanhar outros grandes produtores agrícolas.
Produção agrícola brasileira avança mais que a europeia
Em outra comparação apresentada pelo levantamento, em relação à década anterior, a produção brasileira aumentou 51%, diante de crescimento de 2% na Europa. Estados Unidos e Canadá registraram avanços de 16% e 44%, respectivamente.
Os resultados evidenciam a diferença de ritmo entre as regiões analisadas. Enquanto o Brasil ampliou sua produção, a agricultura europeia apresentou expansão limitada.
Para os responsáveis pelo estudo, a distância reforça a necessidade de investimentos e de melhores condições para a adoção de inovação no campo europeu.
Perdas climáticas chegam a € 17,4 bilhões por ano na União Europeia
Os eventos climáticos estão entre os principais desafios apontados para a produção agrícola do bloco.
Segundo o levantamento, as perdas anuais associadas ao clima são estimadas em € 17,4 bilhões, valor equivalente a 6,4% da produção agrícola da União Europeia.
Até 2050, o prejuízo poderá alcançar € 28,9 bilhões por ano, conforme a projeção apresentada. O cenário amplia a importância de medidas de adaptação e de tecnologias que ajudem os agricultores a enfrentar condições adversas.
Estudo aponta redução de ingredientes ativos autorizados
O ambiente regulatório também ocupa espaço na análise. De acordo com o estudo, a União Europeia contava com mais de mil ingredientes ativos autorizados para proteção de cultivos no início dos anos 2000. O número passou para aproximadamente 420 substâncias.
Nos últimos sete anos considerados pelo levantamento, 92 ingredientes ativos perderam autorização, enquanto apenas um novo ingrediente ativo sintético chegou ao mercado.
O estudo apresenta essa redução como um desafio para a disponibilidade de ferramentas de proteção das lavouras e para a competitividade dos produtores europeus.
Consumidores associam segurança alimentar à segurança nacional
A pesquisa também ouviu mais de 8 mil consumidores europeus sobre produção de alimentos e acesso à tecnologia agrícola.
Entre os participantes, 84% consideram a segurança alimentar uma questão de segurança nacional. O mesmo percentual defende que os agricultores tenham acesso às tecnologias mais recentes.
Os resultados indicam preocupação com a capacidade de produção de alimentos e apoio à modernização das atividades agrícolas entre os entrevistados.
Inovação é apontada como caminho para recuperar competitividade
Na avaliação dos responsáveis pelo levantamento, ampliar o acesso a novas sementes, agricultura de precisão e inteligência artificial será fundamental para reduzir a diferença de desempenho entre a Europa e outros polos produtores.
A análise defende que a adoção dessas ferramentas pode contribuir para enfrentar os desafios climáticos e melhorar a eficiência da produção.
O avanço brasileiro aparece, nesse contexto, como uma das referências da comparação internacional, enquanto União Europeia e Reino Unido enfrentam o desafio de acelerar o crescimento agrícola e preservar sua competitividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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