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Gestão

Safra de grãos 2026/27: custos e preços colocam rentabilidade por hectare no centro das decisões

Com produção brasileira projetada em 366,6 milhões de toneladas, produtores buscam direcionar investimentos para preservar produtividade, controlar riscos e melhorar o retorno da lavoura


Publicado em: 21/10/2026 às 15:30hs

Safra de grãos 2026/27: custos e preços colocam rentabilidade por hectare no centro das decisões

A rentabilidade por hectare ganha importância no planejamento da safra de grãos 2026/27. Mesmo com a produção brasileira em patamar elevado, o resultado financeiro do produtor depende da combinação entre produtividade, custos, preços de venda e condições de financiamento.

Nesse cenário, a escolha dos investimentos exige uma avaliação mais criteriosa. O desafio é identificar quais despesas podem ser ajustadas e quais tecnologias são necessárias para proteger o potencial produtivo e evitar perdas ao longo do ciclo.

Segundo as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentadas para a temporada, o Brasil pode colher 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,4% sobre a safra anterior.

Expansão da área exige atenção à eficiência dos investimentos

A área semeada deve alcançar 85,3 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está estimada em 4.296 quilos por hectare, ante 4.335 kg/ha em 2025/26.

A combinação de expansão da área com uma produtividade média projetada abaixo da temporada anterior reforça a necessidade de acompanhar o desempenho econômico de cada hectare cultivado.

Além do volume colhido, fatores como crédito rural, custos de produção, cotações das commodities, câmbio e disponibilidade de caixa influenciam a capacidade de investimento e as margens da atividade.

Na avaliação de Luiz Gustavo Moreira, gerente executivo de negócios da Ourofino Agrociência, essa preocupação já está presente nas conversas com agricultores de diferentes regiões.

“A produtividade continua sendo fundamental, inclusive porque ajuda a diluir custos. Mas o produtor está olhando cada vez mais para o retorno de cada decisão por hectare e para a eficiência do investimento necessário para produzir mais”, afirma.

Escolha de tecnologias passa por critérios mais rigorosos

Segundo Moreira, o cenário estimula uma seleção mais cuidadosa das tecnologias utilizadas na lavoura. A disposição para investir permanece quando o produtor identifica uma relação clara entre o benefício agronômico da solução e os desafios da propriedade.

Nesse processo, tendem a ganhar prioridade as ferramentas que ajudam a preservar a produtividade e a enfrentar riscos já conhecidos no campo.

A análise, portanto, precisa considerar o papel de cada investimento no sistema de produção. Uma solução pode ter maior relevância em determinado talhão ou condição de manejo, o que exige decisões ajustadas à realidade de cada área.

Reduzir o custo inicial pode aumentar o risco da safra

Avaliar apenas o preço de compra dos insumos pode levar a escolhas que aliviam o orçamento no início da temporada, mas comprometem o resultado na colheita.

De acordo com o executivo, cortes que reduzem a eficiência do manejo podem provocar perdas de produtividade ou restringir as alternativas disponíveis para enfrentar problemas durante o desenvolvimento da cultura.

Por isso, a avaliação econômica deve incorporar tanto a economia imediata quanto o risco associado à retirada ou à substituição de uma tecnologia. O objetivo é compreender como a decisão afeta o custo de produção e o retorno esperado por hectare.

Volatilidade leva produtores a adiar parte das decisões

Outro movimento observado por Moreira é a postergação de algumas definições do planejamento agrícola.

Diante das oscilações nas variáveis econômicas, parte dos produtores tem deixado o fechamento de decisões mais próximo do início efetivo das operações. A intenção é obter maior clareza sobre as condições de mercado e o cenário agronômico antes de comprometer recursos.

Essa postura aumenta a importância de conhecer as necessidades da propriedade, antecipar os principais riscos e estabelecer prioridades de investimento.

Planejamento por talhão orienta a alocação de recursos

Para o executivo, a construção da rentabilidade começa antes da semeadura. O conhecimento das características de cada talhão permite concentrar recursos onde há maior necessidade de intervenção e melhor perspectiva de retorno.

A safra 2026/27 exigirá, em sua avaliação, disciplina para direcionar os investimentos às práticas que sustentam a produtividade e reduzem a exposição a perdas.

Para a Ourofino Agrociência, esse contexto também amplia a necessidade de a indústria compreender as condições econômicas e agronômicas de cada região. A companhia afirma que aposta em soluções adaptadas à agricultura tropical e na proximidade com os produtores para identificar oportunidades de melhorar o manejo e o retorno sobre o investimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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