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Análise de Mercado

Mercado de carnes: boi gordo mantém preços firmes, mas demanda interna limita altas e suínos ganham espaço frente ao frango

Segundo o Cepea, oferta ajustada de bovinos e bom ritmo das exportações sustentam a arroba do boi, enquanto mudanças na relação de preços entre proteínas aumentam a competitividade da carne suína no mercado brasileiro.


Publicado em: 30/07/2026 às 11:04hs

Mercado de carnes: boi gordo mantém preços firmes, mas demanda interna limita altas e suínos ganham espaço frente ao frango

O mercado brasileiro de proteínas animais atravessa um momento de ajustes nas relações de oferta, demanda e competitividade. Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba do boi gordo segue firme, sustentada pela oferta mais restrita de animais terminados e pelo desempenho das exportações de carne bovina, mas o consumo doméstico enfraquecido impede novas valorizações mais expressivas.

Ao mesmo tempo, a carne suína ganhou competitividade frente ao frango, enquanto perdeu espaço em relação à carne bovina devido à redução da diferença de preços entre as proteínas.

Arroba do boi gordo permanece valorizada, mas consumo interno limita avanços

O mercado do boi gordo continua encontrando sustentação em diversas regiões produtoras do País. A disponibilidade mais ajustada de animais prontos para abate mantém os preços da arroba em patamares firmes, enquanto as exportações brasileiras de carne bovina seguem contribuindo para o equilíbrio da cadeia.

Apesar do cenário positivo no comércio externo, pesquisadores do Cepea destacam que o principal limitador para novas altas está concentrado no mercado interno.

A perda de poder de compra das famílias brasileiras tem reduzido o consumo de carne bovina e estimulado a substituição por proteínas de menor custo, como frango, carne suína e ovos.

Com menor ritmo de vendas no varejo e no atacado, frigoríficos encontram dificuldades para repassar aumentos ao consumidor final, reduzindo o espaço para novas elevações nos preços pagos pela arroba.

Exportações ajudam a sustentar mercado da carne bovina

O bom desempenho das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação para a pecuária de corte brasileira.

A demanda internacional mantém a movimentação da cadeia produtiva, especialmente em um cenário de oferta interna mais ajustada. No entanto, o mercado doméstico segue sendo decisivo para definir a intensidade das valorizações ao longo dos próximos períodos.

Segundo especialistas, a combinação entre exportações aquecidas e consumo interno mais fraco cria um ambiente de preços firmes, mas com limitações para avanços mais acelerados.

Carne suína aumenta competitividade frente ao frango

No mercado de proteínas alternativas, a carne suína apresentou mudanças importantes na relação de preços durante julho.

De acordo com o Cepea, na parcial do mês até o dia 28, as cotações das carnes suína e bovina recuaram em comparação com a média de junho, enquanto o preço do frango resfriado permaneceu praticamente estável.

Esse movimento aumentou a competitividade da proteína suína em relação à carne de frango, embora tenha reduzido sua vantagem frente à carne bovina.

Oferta elevada pressiona preços da carne suína

A pressão sobre os preços da carne suína esteve relacionada ao aumento da oferta em relação ao ritmo da demanda no atacado da Grande São Paulo.

Segundo agentes consultados pelo Cepea, a entrada de produtos provenientes da Região Sul — principal polo produtor de suínos do Brasil — contribuiu para ampliar a disponibilidade no mercado paulista e pressionar as cotações.

Na parcial de julho, a diferença entre a carcaça especial suína e o frango inteiro resfriado ficou em R$ 1,58 por quilo, valor 7,84% menor que o registrado em junho.

O resultado indica avanço da competitividade da carne suína frente à proteína avícola.

Carne suína perde vantagem em relação ao boi gordo

Apesar do ganho de espaço frente ao frango, a carne suína apresentou perda de competitividade diante da bovina.

A diferença entre a carcaça especial suína e a carcaça casada bovina ficou em R$ 15,17 por quilo na parcial de julho, redução de 5,22% em relação a junho.

Para pesquisadores do Cepea, a diminuição dessa diferença mostra uma aproximação entre os preços das duas proteínas e indica menor vantagem competitiva da carne suína frente ao boi.

Mercado de proteínas segue dependente do consumo brasileiro

O comportamento das carnes bovina, suína e de frango reforça a importância da demanda interna para o equilíbrio do mercado pecuário brasileiro.

Enquanto a carne bovina conta com o suporte das exportações e uma oferta mais ajustada de animais, o consumo doméstico ainda limita novas altas da arroba.

Já a carne suína busca ampliar participação no mercado aproveitando sua relação de preços mais favorável frente ao frango, embora enfrente maior concorrência com a proteína bovina.

O cenário indica que os próximos movimentos do mercado dependerão da combinação entre exportações, renda das famílias, oferta de animais e comportamento dos consumidores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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