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Logística e Transporte

Frete agrícola fecha junho em alta na comparação anual, mas recua em importantes corredores logísticos, aponta Conab

Boletim Logístico mostra queda nas tarifas de transporte em estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia, enquanto exportações recordes de soja e milho sustentam os preços em relação a 2025.


Publicado em: 30/07/2026 às 12:00hs

Frete agrícola fecha junho em alta na comparação anual, mas recua em importantes corredores logísticos, aponta Conab

Os custos do frete agrícola apresentaram comportamento misto em junho de 2026. Embora diversas rotas estratégicas tenham registrado queda em relação a maio, os valores permanecem acima dos observados no mesmo período do ano passado. A análise faz parte do mais recente Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha a movimentação dos principais corredores de escoamento da produção brasileira.

O levantamento revela que fatores como o volume da safra 2025/26, a força das exportações de soja e milho e os custos operacionais continuam sustentando o mercado de transporte rodoviário de cargas agrícolas, mesmo com retração em algumas regiões.

Exportações de soja e milho impulsionam demanda por transporte

O forte desempenho das exportações brasileiras segue influenciando diretamente a logística nacional.

Até junho de 2026, o Brasil embarcou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025.

No caso do milho, as exportações alcançaram 7,9 milhões de toneladas, crescimento de 22,13% na comparação com igual período do ano anterior.

Esse aumento no fluxo de cargas manteve aquecidas diversas rotas de transporte, principalmente nos corredores destinados aos portos exportadores.

Mato Grosso registra queda na maioria das rotas

Principal produtor de grãos do país, Mato Grosso apresentou redução nas tarifas em 72% das rotas monitoradas pela Conab.

As oscilações variaram entre queda de 8% e alta de igual percentual em relação a maio.

Segundo a Companhia, apesar do avanço da colheita do milho segunda safra, o volume transportado ficou abaixo das expectativas. Entre os fatores que influenciaram o comportamento do mercado estão:

  • aumento da demanda interna por milho;
  • preços mais atrativos pagos ao produtor;
  • maior utilização de trajetos rodoviários de menor distância.
Centro-Oeste apresenta movimento de acomodação dos fretes

Em Mato Grosso do Sul, o mercado permaneceu relativamente estável, com reajustes positivos em metade das rotas pesquisadas. Os preços continuaram sustentados pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas.

Em Goiás, predominou a redução nas tarifas, especialmente nas rotas com origem em Cristalina e Bom Jesus de Goiás.

Já no Distrito Federal, todas as rotas monitoradas apresentaram retração, com reduções de até 4% frente ao mês anterior.

A Conab atribui esse movimento à estabilidade do preço do diesel — ainda elevado em relação ao ano passado — e à desaceleração do escoamento das safras de soja e milho.

Bahia registra fretes mais baratos com maior oferta de caminhões

No oeste baiano, importante polo produtor de grãos, também houve recuo nas tarifas.

Nas rotas com origem em Luís Eduardo Magalhães, os fretes ficaram até 7% mais baratos em junho.

A redução foi favorecida pela menor demanda após o pico da safra registrado em abril, combinada com o aumento da disponibilidade de transportadores, o que elevou a concorrência entre as empresas do setor.

Maranhão e Piauí registram altas nas tarifas

Na região do Matopiba, o cenário foi diferente.

No Maranhão, municípios como Balsas e Tasso Fragoso apresentaram valorização dos fretes devido ao aumento da demanda após o encerramento da colheita da soja.

No Piauí, as tarifas também avançaram, impulsionadas pelo crescimento das exportações de soja e pela alta dos preços dos combustíveis.

Sul e Sudeste têm comportamento equilibrado

Em São Paulo, a maior parte das rotas apresentou estabilidade ou pequenas altas.

Mesmo com atrasos pontuais na colheita em algumas regiões, a procura por transporte aumentou para atender ao escoamento da produção agrícola.

Em Minas Gerais, os preços permaneceram praticamente estáveis ou registraram pequenas quedas.

No Paraná, o início da colheita do milho segunda safra elevou a demanda por caminhões nas principais regiões produtoras, mantendo o mercado aquecido, embora os custos continuem pressionados pelos preços dos combustíveis.

Arco Norte amplia participação nas exportações de grãos

Os portos do Arco Norte continuam ampliando sua importância na logística do agronegócio brasileiro.

No primeiro semestre de 2026, essa região respondeu por:

  • 35,4% das exportações brasileiras de milho;
  • 39,1% dos embarques nacionais de soja.

Na sequência aparecem os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que permanecem entre os principais corredores de exportação do país.

O avanço do Arco Norte reforça a descentralização da logística nacional e reduz distâncias para produtores das regiões Norte, Centro-Oeste e Matopiba.

Importações de fertilizantes recuam em 2026

O Boletim Logístico também mostra redução nas compras externas de fertilizantes.

Entre janeiro e junho, o Brasil importou 18,31 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes, volume 5,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

O relatório ainda apresenta análises sobre a movimentação dos estoques públicos administrados pela Conab e o comportamento dos principais corredores logísticos utilizados pelo agronegócio brasileiro.

Logística eficiente segue estratégica para o agronegócio

Mesmo com ajustes pontuais nas tarifas durante junho, o transporte continua sendo um dos principais fatores de competitividade do agronegócio nacional.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, expansão do Arco Norte e custos operacionais elevados mantém a logística no centro das decisões de produtores, cooperativas, tradings e transportadores, especialmente em um cenário de forte demanda internacional por grãos brasileiros.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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