Preço do mamão recua em 2026 e produtores enfrentam custos mais altos e desafios climáticos, aponta Cepea
Temperaturas elevadas, aumento da oferta, pragas e custos de produção pressionam a rentabilidade dos mamocultores. Perspectivas para o segundo semestre indicam cautela diante dos efeitos do El Niño.
Publicado em: 30/07/2026 às 11:55hs
Mercado do mamão enfrenta queda nos preços e aumento dos custos de produção em 2026
Os produtores de mamão formosa iniciam o segundo semestre de 2026 em um cenário de atenção. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a combinação entre maior oferta de frutas, temperaturas elevadas, aumento dos custos de produção e desafios fitossanitários reduziu a rentabilidade dos mamocultores, especialmente no Norte do Espírito Santo e no Sul da Bahia.
Além da pressão sobre os preços, as perspectivas climáticas associadas ao El Niño mantêm o setor em alerta, já que o calor intenso e os períodos de estiagem podem comprometer ainda mais a qualidade dos frutos e influenciar os investimentos para as próximas safras.
Temperaturas elevadas reduziram a qualidade dos frutos
Segundo o Cepea, 2026 tem sido marcado por preços médios inferiores aos registrados no ano passado.
O principal fator para esse desempenho foi o impacto das temperaturas mais elevadas durante boa parte do ano, condição que favoreceu a produção de frutas com menor padrão de qualidade comercial.
Além disso, o ambiente climático estimulou a incidência de problemas fitossanitários, como os ácaros rajado e branco e a ocorrência de viroses, reduzindo o aproveitamento da produção e aumentando os custos de manejo nas lavouras.
Preços do mamão formosa caem 37% no Norte do Espírito Santo
Entre janeiro e junho de 2026, os produtores do Norte do Espírito Santo sentiram com maior intensidade os efeitos do mercado.
Na comparação com o mesmo período de 2025, os preços médios do mamão formosa apresentaram queda de 37%, comprometendo a rentabilidade da atividade.
Ao mesmo tempo, os custos de produção aumentaram 14% no primeiro semestre, impulsionados principalmente pela necessidade de intensificar o controle de pragas e doenças nas plantações.
Esse cenário reduziu significativamente as margens dos produtores da principal região produtora da fruta no estado.
Regiões do Nordeste registram mercado mais favorável
Enquanto Espírito Santo e Sul da Bahia enfrentaram dificuldades, outras regiões produtoras apresentaram desempenho mais positivo.
No Oeste da Bahia e no polo formado por Rio Grande do Norte e Ceará, a oferta de frutas com melhor qualidade aumentou a competitividade desses mercados.
Mesmo diante da presença de viroses, a maior qualidade dos frutos favoreceu a valorização do mamão, garantindo melhor remuneração aos produtores dessas regiões.
El Niño pode ampliar desafios no segundo semestre
As projeções para os próximos meses indicam que o mercado continuará condicionado ao comportamento do clima.
De acordo com o Cepea, os efeitos do El Niño podem manter temperaturas acima da média e prolongar períodos de estiagem, fatores que tendem a elevar a oferta em determinados momentos, pressionar as cotações e reduzir a qualidade dos frutos destinados ao mercado.
Esse ambiente de incerteza também pode desestimular novos investimentos na cultura, especialmente diante do aumento dos custos de produção e da menor previsibilidade de retorno econômico.
Setor acompanha clima, custos e mercado para definir investimentos
O desempenho da mamocultura no segundo semestre dependerá da evolução das condições climáticas, da capacidade dos produtores em controlar pragas e doenças e do comportamento da oferta nacional.
Com preços pressionados, custos elevados e maior risco climático, o setor mantém uma postura cautelosa. Para especialistas, a adoção de estratégias de manejo eficiente, investimentos em sanidade vegetal e acompanhamento constante do mercado serão determinantes para preservar a competitividade da produção brasileira de mamão nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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