Jornada de 40 horas pode reduzir faturamento das cooperativas de SC em R$ 10,8 bilhões, estima OCESC
Projeção considera manutenção do quadro atual de empregados; para recompor as horas de trabalho, entidade calcula necessidade de 12,4 mil contratações, ao custo de R$ 74,3 milhões mensais.
Publicado em: 14/10/2026 às 19:00hs
A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, poderá afetar a produção e o faturamento das cooperativas catarinenses. Segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), a perda estimada chega a R$ 10,8 bilhões por ano caso as organizações mantenham o quadro atual de empregados.
Em outro cenário, com contratações para compensar a redução das horas disponíveis, a entidade calcula a necessidade de 12.394 novos trabalhadores, com custo adicional de R$ 74,3 milhões por mês. As projeções representam alternativas distintas de adaptação à mudança da jornada.
Cooperativas catarinenses empregam quase 110 mil pessoas
As cooperativas de Santa Catarina mantêm 109.677 empregados diretos, conforme a OCESC. A entidade avalia que a redução da carga horária exigiria ajustes para preservar o funcionamento de indústrias, frigoríficos, granjas, lojas e demais operações.
Para o presidente da organização, Vanir Zanatta, a discussão precisa considerar as características dos diferentes setores e seus efeitos sobre os custos e a capacidade produtiva.
Segundo ele, as cooperativas enfrentariam dificuldades tanto para financiar novas contratações quanto para encontrar profissionais disponíveis.
Disponibilidade de trabalhadores preocupa o setor
A OCESC cita a taxa de desemprego de 2,3% registrada em Santa Catarina no terceiro trimestre de 2025 como indicador de um mercado de trabalho com pouca mão de obra disponível.
Na avaliação de Zanatta, esse cenário dificulta a reposição das horas de trabalho por meio da ampliação das equipes. Agricultura, comércio e serviços estariam entre as atividades que poderiam enfrentar obstáculos para contratar.
A preocupação da entidade é que, sem reforço do quadro de pessoal, as cooperativas tenham dificuldade para manter o ritmo das operações. É nessa hipótese que o levantamento estima a redução anual de R$ 10,8 bilhões na produção e no faturamento.
OCESC aponta riscos para custos e competitividade
Zanatta argumenta que a manutenção dos salários com uma jornada menor eleva o custo da hora trabalhada. Segundo o dirigente, esse aumento poderá pressionar os custos operacionais e reduzir a competitividade das cooperativas.
Ele também aponta a possibilidade de repasse de custos aos consumidores e de crescimento da informalidade. Esses efeitos são apresentados como riscos na avaliação da OCESC, e não como resultados já observados.
O presidente critica a condução política do debate e defende que mudanças na jornada sejam precedidas por estudos sobre seus impactos econômicos e setoriais.
Produtividade integra discussão sobre redução da jornada
A entidade também relaciona sua preocupação ao desempenho da produtividade brasileira. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) citados pela OCESC, o Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países avaliados no ranking de produtividade do trabalho.
O levantamento mencionado informa ainda uma jornada média de 38,9 horas semanais no país, considerando trabalhadores dos setores público e privado e pessoas na informalidade.
Essa média reúne diferentes situações de trabalho e não corresponde, isoladamente, à jornada de 44 horas discutida na proposta de redução.
Entidade defende negociação coletiva
Como alternativa, Zanatta propõe que os ajustes sejam definidos por acordos coletivos, com participação de empregadores, empregados e representantes sindicais.
Para a OCESC, a negociação permitiria considerar as necessidades de cada atividade. A entidade sustenta que a discussão deve levar em conta também dificuldades relacionadas à infraestrutura, à tributação, à regulamentação e à segurança jurídica, que já influenciam os custos das cooperativas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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