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Análise de Mercado

Geopolítica e novas regras comerciais pressionam acesso do agro brasileiro aos mercados globais

Debate no GAFFFF 2026 destacou custos de certificação, rastreabilidade e barreiras comerciais; representantes da ABPA e da Alagro defenderam inovação e parcerias para ampliar exportações


Publicado em: 02/10/2026 às 18:40hs

Geopolítica e novas regras comerciais pressionam acesso do agro brasileiro aos mercados globais

A concentração de mais da metade das exportações do agronegócio brasileiro na China, na União Europeia e nos Estados Unidos aumenta a exposição do setor às mudanças nas regras do comércio internacional. Disputas geopolíticas, exigências regulatórias e restrições comerciais podem alterar os fluxos de alimentos e insumos, tornando a abertura e a manutenção de mercados um desafio crescente.

O tema foi discutido no painel “Geopolítica e Comércio Agro: A Nova Regulação Global dos Mercados”, realizado no primeiro dia do GAFFFF 2026, em São Paulo. Participaram Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Manoel Mário de Souza Barros, presidente da Academia Latino-Americana do Agro (Alagro).

Os representantes destacaram a importância dos controles sanitários, da sustentabilidade e da transparência para fortalecer a presença brasileira no comércio global e contribuir para a segurança alimentar.

Certificação e rastreabilidade exigem atenção aos custos

Barros alertou que sanções econômicas, restrições e disputas entre países podem modificar as condições de circulação de alimentos e insumos agrícolas.

Na avaliação do presidente da Alagro, certificações e regras de rastreabilidade são instrumentos legítimos de proteção dos consumidores e do meio ambiente. Entretanto, sua implementação também pode elevar custos e criar dificuldades para produtores que buscam acessar mercados internacionais.

Por isso, ele defendeu que a discussão regulatória considere tanto os objetivos das normas quanto seus efeitos sobre países com diferentes condições produtivas.

Para Barros, produzir em grande escala será apenas uma parte da competitividade. Demonstrar capacidade de cumprir padrões de segurança e transparência terá peso crescente, assim como investir em pesquisa agropecuária, tecnologia e inovação.

ABPA defende diplomacia baseada em parcerias

Ricardo Santin avaliou que o comércio mundial atravessa uma transformação que deve persistir mesmo diante de mudanças de governo. Segundo ele, acordos regionais e novos espaços de negociação terão maior relevância nas relações internacionais.

Nesse cenário, o presidente da ABPA defendeu uma atuação diplomática que apresente o Brasil como parceiro capaz de complementar o abastecimento de outros países.

Na visão de Santin, a competitividade da produção brasileira pode gerar receio em mercados concorrentes. A estratégia para ampliar negócios, portanto, deve valorizar a cooperação e a capacidade de atender à demanda por alimentos.

Sanidade e sustentabilidade fortalecem posição brasileira

Durante o painel, Santin apontou a estrutura produtiva, a logística e os controles sanitários como ativos do Brasil em um ambiente internacional marcado por conflitos e instabilidade.

O dirigente também destacou a responsabilidade do setor na oferta de alimentos à população mundial. Para ele, exigências sem fundamento técnico e barreiras comerciais não devem comprometer o abastecimento de produtos essenciais.

A avaliação apresentada no debate é que o país precisa combinar eficiência produtiva com comprovação dos padrões exigidos pelos compradores, preservando o diálogo para ampliar sua participação nos mercados.

GAFFFF reunirá conclusões em documento após o evento

Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF combina debates, negócios, gastronomia e entretenimento para discutir temas estratégicos e aproximar o agronegócio do público urbano.

Segundo a organização, a edição de 2026 conta com 230 empresas apoiadoras e expositoras e cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países.

Uma das novidades é a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento que reunirá, após o evento, as principais conclusões dos debates. A programação também inclui esportes equestres, rodeio, gastronomia ligada ao campo, produtores artesanais e apresentações musicais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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