Diversificação gera R$ 10,35 bilhões em propriedades de tabaco na safra 2025/26
Outras culturas e criações respondem por 44,6% da renda das famílias; levantamento da Afubra aponta ganhos totais de R$ 23,2 bilhões entre 136 mil produtores
Publicado em: 02/10/2026 às 18:20hs
A diversificação das atividades agrícolas e pecuárias respondeu por 44,6% da renda das propriedades produtoras de tabaco na safra 2025/26, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Outras culturas, criação animal e produtos granjeiros geraram aproximadamente R$ 10,35 bilhões, de uma renda total de R$ 23,2 bilhões entre 136 mil produtores.
O tabaco permaneceu como a principal fonte de renda, com participação de 55,4% e valor superior a R$ 12,8 bilhões. A cultura ocupou, em média, 20,3% da área das propriedades, que também abrigam lavouras de alimentos, pastagens e atividades pecuárias.
Outras lavouras geram R$ 5,56 bilhões
Os produtos agrícolas além do tabaco somaram R$ 5,56 bilhões, equivalentes a 24% da renda das propriedades. A criação animal e os produtos granjeiros contribuíram com R$ 4,78 bilhões, ou 20,6% do total.
As unidades produtivas têm área média de 14,71 hectares. Entre as principais ocupações da terra estão as pastagens, com 17,3%, a soja, com 16,1%, e o milho, com 10,5%.
As matas destinadas a fins energéticos representam 8,3% da área, enquanto a mata nativa ocupa, em média, 14,8% das propriedades.
Para Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), a importância econômica do cultivo contribui para a permanência dos produtores no campo. Ele destaca também o apoio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco à gestão dos negócios rurais.
Incentivo à diversificação começou em 1985
O programa hoje denominado Tabaco é Agro: Diversificação das Propriedades teve origem em 1985, com a criação do Programa Milho e Feijão. A proposta inicial era estimular o cultivo de grãos depois da colheita do tabaco, aproveitando a adubação residual e proporcionando renda complementar.
Em 2014, o SindiTabaco assumiu a iniciativa e ampliou sua atuação no Sul do Brasil. Em 2017, o incentivo passou a incluir forrageiras, com a adoção do nome Programa Milho, Feijão e Pastagens após a Colheita do Tabaco.
A denominação atual foi incorporada em 2025, ampliando o enfoque para o conjunto de atividades desenvolvidas nas propriedades. O programa é conduzido pelo SindiTabaco e suas empresas associadas, com apoio de entidades de produtores e dos governos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná.
Segundo a coordenadora Fernanda Viana Bender, a trajetória acompanha a ampliação das formas de uso da terra. Culturas e criações passaram a integrar uma abordagem que considera a composição da renda e o aproveitamento dos recursos de cada propriedade.
Rotação de culturas pode favorecer a conservação do solo
Além de complementar os ganhos das famílias, a diversificação pode trazer benefícios ao manejo. A rotação de culturas e o cultivo sobre a palhada contribuem para proteger o solo, enquanto práticas de conservação ajudam a reduzir processos erosivos.
O plantio após a colheita do tabaco amplia a utilização das áreas ao longo do ano. A produção de alimentos e a criação de animais também podem atender ao consumo familiar e gerar excedentes para comercialização.
O planejamento dessas atividades, conforme as características de cada unidade produtiva, permite combinar fontes de renda com melhor aproveitamento da terra e dos recursos disponíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias