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Análise de Mercado

Falta de diesel ameaça plantio da safra de verão no Rio Grande do Sul, alerta Farsul

Entidade relata atrasos e restrições nas entregas aos produtores rurais, cobra transparência sobre os estoques e pede investigação sobre recusas de fornecimento e possíveis aumentos abusivos


Publicado em: 11/09/2026 às 10:45hs

Falta de diesel ameaça plantio da safra de verão no Rio Grande do Sul, alerta Farsul

A falta de óleo diesel e os atrasos nas entregas às propriedades rurais acenderam um alerta no Rio Grande do Sul no início do plantio da safra de verão. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) informou, nesta quinta-feira (10), que voltou a receber relatos de produtores enfrentando dificuldades para abastecer máquinas e equipamentos agrícolas.

O presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, afirmou que o problema ocorre em um período decisivo para a produção e repete uma situação registrada no começo do ano, durante a colheita de arroz e soja.

Na ocasião, segundo a Farsul, informações oficiais indicavam a existência de estoques de diesel no Estado, mas o combustível não chegava às propriedades no volume e no prazo necessários. A federação denunciou o caso, solicitou esclarecimentos às autoridades e defendeu uma investigação sobre a cadeia de distribuição.

Falta de diesel coloca janela de plantio em risco

A principal preocupação da Farsul é o impacto da restrição de combustível sobre o calendário agrícola. O plantio das culturas de verão depende de uma janela determinada pelas condições climáticas e agronômicas, o que reduz a possibilidade de adiar as operações no campo.

Sem diesel, produtores podem enfrentar dificuldades para preparar o solo, realizar a semeadura e transportar insumos. Eventuais atrasos também podem provocar redução da área cultivada e perdas de produtividade.

De acordo com Domingos Velho Lopes, os efeitos não ficam restritos às propriedades. Uma menor produção agrícola pode reduzir a renda nos municípios, afetar empregos, comprometer diferentes segmentos da cadeia produtiva e pressionar a economia gaúcha.

Combustível mais caro eleva custos da produção rural

Além das dificuldades de abastecimento, a Farsul alerta para o risco de aumento do preço do diesel nas regiões onde o produto ainda está disponível.

A alta do combustível amplia os gastos com tratores, colheitadeiras, caminhões, transporte de insumos e outras operações necessárias ao plantio. Esse movimento pressiona os custos de produção e pode reduzir ainda mais as margens dos agricultores.

Na avaliação da entidade, tanto a falta do produto quanto o encarecimento do diesel podem gerar impactos ao longo da cadeia agropecuária, com possibilidade de reflexos sobre os preços dos alimentos ao consumidor.

Defasagem na importação acende sinal de alerta

A Farsul também mencionou dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Segundo a entidade, o preço nacional do diesel A permaneceu abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com uma diferença que teria alcançado R$ 2,56 por litro.

Para a federação, o indicador não comprova isoladamente a existência de uma escassez física do combustível, mas representa um sinal de atenção. Quando o preço praticado no mercado interno fica abaixo da referência internacional, a importação pode perder atratividade econômica.

A questão ganha relevância porque o Brasil depende do mercado externo para atender mais de um quarto do consumo nacional de diesel, conforme destacou a Farsul.

Subvenção de R$ 1 por litro precisa chegar ao produtor

O presidente da Farsul também avaliou a subvenção federal de R$ 1 por litro anunciada em 9 de setembro para produtores e importadores de diesel.

Embora considere a medida necessária, Domingos Velho Lopes ressaltou que os resultados dependerão da execução. Para a entidade, o incentivo deverá contribuir para melhorar o abastecimento e produzir efeitos concretos sobre o preço pago pelo produtor rural.

A federação defende que o benefício não fique restrito aos agentes da cadeia de combustíveis, mas seja efetivamente percebido no campo por meio de entregas regulares e valores economicamente viáveis.

Farsul pede investigação da ANP

Diante das reclamações, a Farsul informou que está reunindo relatos de produtores rurais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. O material deverá subsidiar novas cobranças às empresas e às autoridades responsáveis pelo abastecimento.

A entidade reivindica transparência sobre:

  • estoques regionais de diesel;
  • pedidos recusados pelas distribuidoras;
  • volumes destinados aos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs);
  • calendário de importações;
  • prazos previstos para as entregas.

A Farsul também solicitou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) investigue possíveis recusas injustificadas de fornecimento e eventuais aumentos abusivos nos preços.

Para a entidade, garantir diesel no momento adequado e a um custo compatível com a atividade rural é essencial para manter o plantio, preservar empregos, sustentar a produção de alimentos e evitar novos impactos sobre o consumidor brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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