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Análise de Mercado

Exportações de soja do Paraná crescem 13% em receita, enquanto café fica 19% mais barato no varejo

Boletim do Deral aponta avanço das vendas externas do complexo soja para US$ 5,76 bilhões entre janeiro e setembro de 2026 e redução no preço do café de 500 gramas. Relatório também destaca desafios no plantio da soja, na pecuária e nos custos da avicultura.


Publicado em: 30/10/2026 às 10:00hs

Exportações de soja do Paraná crescem 13% em receita, enquanto café fica 19% mais barato no varejo

As exportações do complexo soja do Paraná avançaram em volume e receita nos primeiros nove meses de 2026, enquanto o preço do café nas prateleiras dos supermercados ficou abaixo do registrado um ano antes. Os movimentos integram o Boletim Conjuntural divulgado em 22 de outubro pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).

De janeiro a setembro, o estado exportou 12,79 milhões de toneladas de soja em grão, farelo e óleo, crescimento de 3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A receita alcançou US$ 5,76 bilhões, alta de 13%.

O relatório também aborda o ritmo do plantio da soja para a safra de verão, o comportamento dos preços do café, o desempenho da horticultura e da fruticultura, além dos indicadores de mercado das cadeias de bovinos e aves.

Exportações do complexo soja do Paraná somam US$ 5,76 bilhões

O complexo soja continua entre os principais destaques do comércio exterior paranaense. A soja em grão representou 71% do volume exportado entre janeiro e setembro de 2026, seguida pelo farelo de soja, com 24%, e pelo óleo de soja, responsável por 5%.

A China permaneceu como principal destino dos produtos, concentrando 58% das compras. O Irã ocupou a segunda posição, com participação superior a 8%. No período, o Paraná embarcou volumes do complexo soja para 24 países.

No cenário nacional, as exportações brasileiras desses produtos totalizaram 121,58 milhões de toneladas, aumento de 8% na comparação anual. A receita alcançou US$ 52,17 bilhões, avanço de 17% sobre o mesmo período de 2025.

Os resultados mostram que o crescimento das vendas externas brasileiras foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do faturamento, enquanto o Paraná manteve desempenho positivo tanto em volume quanto em receita.

Plantio da soja no Paraná desacelera com excesso de chuvas

Apesar do desempenho das exportações, o avanço da nova safra de soja no Paraná perdeu ritmo devido ao excesso de chuvas registrado na semana anterior ao levantamento.

Conforme o boletim do Deral, 47% da área prevista estava semeada. O percentual ficou abaixo da média superior a 55% observada nas últimas três safras para o mesmo período de referência.

A umidade excessiva pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e atrasar as operações de semeadura. O ritmo dos trabalhos nas próximas semanas dependerá das condições meteorológicas e da possibilidade de retomada das atividades no campo.

O acompanhamento do plantio é importante para avaliar o calendário da safra de verão e possíveis impactos sobre o desenvolvimento inicial das lavouras.

Café fica mais barato para o consumidor no Paraná

O mercado de café apresentou recuo nos preços tanto ao produtor quanto no varejo paranaense, segundo o levantamento do Deral.

Na última semana analisada, a saca de café beneficiado foi comercializada, em média, por R$ 1.380,51. O valor ficou 10% abaixo dos R$ 1.533,37 registrados em setembro e se aproximou dos níveis observados em junho e julho, durante o auge da colheita.

De acordo com o departamento, mesmo com a desvalorização recente, a remuneração ainda é considerada positiva para os produtores, diante do volume expressivo da produção nacional.

A redução dos preços ao longo da cadeia também abre espaço para uma diminuição dos valores cobrados dos consumidores.

“A queda ajuda a indústria a formar estoques a custo menor e a ofertar preços mais acessíveis no varejo”, afirma Hugo Wickler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral.

Pacote de café de 500 gramas custa R$ 23,90

A pesquisa de preços do Deral apontou valor médio de R$ 23,90 para o pacote de café de 500 gramas no varejo paranaense. O preço ficou ligeiramente abaixo do registrado em setembro e 19% inferior aos R$ 29,42 observados em outubro de 2025.

A queda anual representa um alívio para os consumidores, após períodos de preços elevados do produto.

Para a próxima safra de café do Paraná, o boletim destaca condições climáticas favoráveis associadas às chuvas regulares, que contribuem para o pegamento das primeiras floradas. O estado responde por aproximadamente 1% da produção nacional da bebida.

Sudoeste do Paraná movimenta R$ 309,6 milhões com horticultura

O boletim também apresenta dados sobre a participação do Sudoeste paranaense na produção de hortaliças e frutas em 2025.

Na olericultura, atividade que reúne o cultivo de hortaliças, a região respondeu por 5,3% da área estadual, 6,2% da produção e 4,1% do Valor Bruto da Produção (VBP).

Foram colhidas 189,8 mil toneladas em 6,1 mil hectares, com VBP de R$ 309,6 milhões.

Na fruticultura, a participação regional correspondeu a 4,5% da área cultivada, 3,4% da produção e 3,8% do VBP estadual. A atividade movimentou R$ 163,2 milhões, em 2,5 mil hectares e com produção de 50,2 mil toneladas.

Segundo o levantamento, a olericultura apresenta recuperação após uma leve retração dos indicadores, enquanto a área ocupada por pomares continua diminuindo.

Os dados reforçam a importância das duas atividades para a diversificação produtiva e a geração de renda no interior do estado.

Mercado do boi gordo tem oferta restrita e exportações de carne recuam em outubro

Na pecuária bovina, o Deral destaca informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) sobre o mercado do boi gordo em São Paulo.

Em outubro, a diferença entre os preços do animal e da carcaça comercializada no atacado diminuiu. A oferta restrita de bovinos prontos para o abate contribuiu para sustentar as cotações.

No comércio exterior, o Brasil embarcou 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura nos primeiros sete dias úteis de outubro. A média diária foi quase 40% inferior à registrada em outubro de 2025.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações somaram 2,37 milhões de toneladas, queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números indicam um início de outubro mais lento para os embarques, enquanto o mercado interno segue atento à disponibilidade de animais para abate e ao comportamento dos preços da carne.

Custos de produção pressionam avicultura no Paraná

A cadeia de frango também enfrenta desafios relacionados aos preços dos insumos utilizados na alimentação das aves.

Em setembro, o preço médio do frango vivo recebido pelos produtores paranaenses foi de R$ 4,75 por quilo, alta de 0,4% em relação a agosto, mas queda de 4,4% na comparação com setembro de 2025.

No mesmo período, o milho comercializado no atacado alcançou R$ 66,43 por saca de 60 quilos, aumento mensal de 2,9%.

O farelo de soja chegou a R$ 2.171,40 por tonelada, alta de 10% em relação a agosto.

Como milho e farelo de soja são componentes importantes da alimentação das aves, o encarecimento desses insumos pressiona a relação de troca e pode reduzir as margens dos avicultores quando não é acompanhado por uma valorização equivalente do frango vivo.

O cenário reforça a necessidade de monitoramento dos custos de nutrição e da evolução dos preços recebidos pelos produtores.

Exportações de carne de peru crescem em volume e faturamento

O comércio exterior de carne de peru apresentou resultados positivos no Brasil e no Paraná.

Entre janeiro e agosto, o país exportou 45.816 toneladas do produto, com receita de US$ 188,705 milhões. Na comparação anual, os embarques cresceram 28,4% em volume e 82,6% em faturamento.

O Paraná ocupou a terceira posição entre os estados exportadores, com 9.314 toneladas embarcadas e receita de US$ 44,341 milhões.

O resultado estadual representou aumento de 2% no volume exportado e avanço de 53,3% na receita em relação ao período correspondente do ano anterior.

O crescimento do faturamento acima da expansão do volume indica aumento do valor médio por tonelada exportada, embora esse indicador, isoladamente, não determine a rentabilidade final dos frigoríficos.

Agronegócio paranaense combina avanço externo e desafios nos custos

O boletim do Deral mostra um cenário diversificado para o agronegócio do Paraná em 2026. O complexo soja mantém crescimento nas exportações, enquanto a redução dos preços do café beneficia os consumidores e o plantio da nova safra enfrenta atrasos relacionados às chuvas.

Na pecuária e na avicultura, as condições de mercado seguem influenciadas pela disponibilidade de animais, pelo desempenho dos embarques e pelo custo dos insumos.

Já a horticultura e a fruticultura continuam relevantes para a economia regional, embora apresentem trajetórias diferentes em área cultivada e produção.

O acompanhamento desses indicadores ajuda produtores, cooperativas e empresas do setor a avaliar tendências de mercado e planejar decisões comerciais em um ambiente de custos e demanda em constante transformação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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