Preços das hortaliças sobem até 48,9% em setembro, mas oferta maior muda cenário em outubro
Chuvas restringiram colheitas e elevaram cotações no atacado; retomada dos trabalhos pressiona batata e cebola, enquanto doenças e perdas de qualidade seguem afetando produtores
Publicado em: 30/10/2026 às 10:40hs
As chuvas nas regiões produtoras elevaram os preços de quatro das cinco hortaliças acompanhadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em setembro. O tomate liderou as altas, com valorização de 48,90%, seguido por batata, cebola e alface. Em outubro, a retomada das colheitas ampliou a oferta de alguns produtos e começou a pressionar as cotações, embora problemas sanitários e perdas de qualidade continuem nas lavouras.
O cenário reúne movimentos distintos: a maior disponibilidade reduz preços em determinados mercados, enquanto o excesso de umidade ainda compromete o aproveitamento comercial da produção. Por isso, a valorização no atacado não representa, necessariamente, aumento da rentabilidade no campo.
Tomate lidera altas de setembro; cenoura recua 16%
O 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Conab na terça-feira (27), apontou as seguintes variações na média ponderada dos mercados atacadistas pesquisados, em setembro frente a agosto:
- Tomate: alta de 48,90%;
- Batata: avanço de 32,88%;
- Cebola: valorização de 29,31%;
- Alface: aumento de 15,69%;
- Cenoura: queda de 16,00%.
Para batata, cebola e alface, o resultado inverteu o movimento observado em agosto, quando os preços haviam recuado.
As precipitações dificultaram a retirada de batata e cebola do campo e prejudicaram o plantio e o desenvolvimento das folhosas em regiões do Sudeste. No caso da alface, a alta foi influenciada principalmente pela Ceagesp, em São Paulo, onde as cotações avançaram 48,3%.
A cenoura seguiu na direção contrária. Mesmo com menor volume comercializado nas Ceasas monitoradas e restrições à expansão da oferta em algumas regiões, os preços caíram.
Excesso de umidade compromete qualidade e aumenta descartes
Levantamentos do Hortifrúti/Cepea mostram que os efeitos das chuvas ultrapassaram a formação dos preços. Doenças, dificuldades de manejo e descarte de produtos reduziram o aproveitamento das lavouras em diferentes polos de produção.
Tomate enfrenta pressão de doenças em Minas Gerais
Em Araguari (MG), as chuvas registradas desde agosto favoreceram doenças bacterianas, especialmente mancha-bacteriana e pinta-bacteriana. As precipitações acima da média em setembro agravaram o quadro, com manchas nos frutos e dificuldades para realizar aplicações de defensivos.
A continuidade das chuvas em outubro manteve a pressão sanitária. Também há preocupação com as áreas transplantadas em agosto, cuja colheita está prevista para novembro e dezembro.
Cebola e batata apresentam depreciação comercial
No Triângulo Mineiro, a umidade favoreceu problemas na cebola, incluindo a chamada camisa d’água, que compromete os bulbos. Mesmo com a melhora do tempo e o retorno das colheitas, parte da produção encontrou dificuldades para alcançar preços mais elevados.
Na batata, o atraso na colheita prejudicou a qualidade de alguns lotes. Em Vargem Grande do Sul (SP), foram relatados tubérculos com escurecimento rápido da pele, comercializados abaixo dos valores obtidos por produtos de melhor padrão.
Folhosas sofrem com solo encharcado
Em Mogi das Cruzes (SP), o encharcamento dificultou o manejo, prejudicou a absorção de nutrientes e favoreceu problemas fisiológicos, principalmente na alface americana.
A má formação das plantas e o aumento dos descartes limitaram a oferta regional. Diante das perdas, alguns produtores reduziram o plantio de variedades mais sensíveis.
Em São Gotardo (MG), as chuvas de outubro também aumentaram os problemas fitossanitários e os descartes de cenoura. Segundo o Cepea, porém, as perdas ainda não haviam reduzido significativamente a produção regional, que permanecia elevada.
Batata acumula seis semanas de queda em outubro
A melhora das condições para a colheita alterou o mercado da batata em outubro. Entre os dias 17 e 23, os preços recuaram pela sexta semana consecutiva nos atacados acompanhados pelo Hortifrúti/Cepea.
As quedas no período foram de:
- 12,0% em São Paulo;
- 20,8% no Rio de Janeiro;
- 13,72% em Belo Horizonte.
A trégua nas chuvas permitiu normalizar os trabalhos e escoar parte da produção que deveria ter chegado ao mercado em setembro.
A disponibilidade também foi reforçada por lavouras plantadas em maio e junho, quando os preços elevados estimularam a ampliação do cultivo.
Retomada da colheita pressiona preços da cebola
O avanço dos trabalhos no Triângulo Mineiro e em Cristalina (GO) ampliou a oferta de cebola e pressionou as cotações.
Entre 19 e 23 de outubro, os preços caíram 14,50% no Triângulo Mineiro e 15,50% em Cristalina, conforme o Cepea.
Apesar da maior disponibilidade, os problemas provocados pela umidade continuaram afetando a comercialização. Assim, a qualidade dos bulbos permaneceu determinante para o valor obtido pelos produtores.
Tomate tem comportamento diferente entre os atacados
O mercado do tomate apresentou movimentos menos uniformes. Entre 17 e 23 de outubro, houve redução dos preços nos atacados de São Paulo, Belo Horizonte e Campinas, mesmo com oferta ainda limitada.
Segundo o Cepea, as cotações elevadas restringiram a demanda e contribuíram para os recuos.
No Rio de Janeiro, o movimento foi oposto: os preços subiram 11,10%, em razão da maturação mais lenta nas regiões fornecedoras, associada às temperaturas mais baixas.
Chuvas sustentam alface em Teresópolis
Em Teresópolis (RJ), a redução dos plantios e a oferta restrita mantiveram os preços da alface sustentados durante outubro.
Até o dia 27, o município acumulava 364 milímetros de chuva, volume 128% superior à média histórica mensal.
Na parcial de outubro até o dia 28, o preço médio da alface americana estava quase 100% acima do observado no mesmo período de 2025. Para a alface crespa, a valorização alcançava 256%.
Esses percentuais correspondem ao mercado regional e à comparação anual. Portanto, têm uma base diferente das variações mensais de setembro apresentadas pela Conab.
Oferta elevada mantém cenoura sob pressão
Em São Gotardo, o avanço da colheita e o acúmulo de estoques continuaram pressionando os preços da cenoura em outubro.
Embora produtores tenham relatado problemas de qualidade e aumento dos descartes, o volume disponível permaneceu suficiente para limitar uma reação das cotações.
O quadro evidencia que a recuperação das condições de colheita não elimina imediatamente os danos das chuvas. Para o produtor, o resultado depende tanto do preço de venda quanto do volume aproveitável, da qualidade comercial e das condições de manejo para manter as próximas colheitas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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