Publicidade
Milho e Sorgo

Milho cai em Chicago e negócios seguem lentos no Brasil; chuvas afetam lavouras no Sul

Contrato dezembro volta a ficar abaixo de US$ 4,50 por bushel nesta sexta-feira; oferta elevada pressiona mercado físico, enquanto novembro encerrou a quinta em alta na B3


Publicado em: 30/10/2026 às 11:30hs

Milho cai em Chicago e negócios seguem lentos no Brasil; chuvas afetam lavouras no Sul

O mercado do milho chega ao último pregão de outubro com queda em Chicago, comercialização lenta no Brasil e atenção às condições das lavouras no Sul. A oferta nacional superior à demanda mantém os compradores cautelosos, enquanto chuvas excessivas, frio e baixa luminosidade dificultam o desenvolvimento de parte da primeira safra.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros abriram a sexta-feira (30) em baixa, com o vencimento dezembro novamente abaixo de US$ 4,50 por bushel. Na B3, o fechamento de quinta-feira (29) foi misto: novembro avançou, mas os contratos mais distantes tiveram predominância de perdas.

Milho volta a operar abaixo de US$ 4,50 em Chicago

Por volta das 7h23, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,4950 por bushel, queda de 1,75 cent em relação ao ajuste anterior.

Os demais vencimentos também recuavam. Março/27 estava em US$ 4,6275 por bushel; maio/27, em US$ 4,7100; julho/27, em US$ 4,7725; e setembro/27, em US$ 4,7325.

A baixa sucedia uma sessão de pequenas oscilações. Na quinta-feira, dezembro/26 fechou a US$ 4,5125 por bushel, recuo de 0,11%, após recuperar parte das perdas registradas durante a manhã. Março/27 caiu 0,05%, para US$ 4,6475, enquanto maio avançou 0,05%, para US$ 4,7300. Julho ficou estável, a US$ 4,7900.

O avanço da colheita norte-americana, o desempenho das exportações e a fraqueza do complexo da soja estavam entre os fatores acompanhados na abertura desta sexta-feira.

Colheita dos Estados Unidos avança, mas permanece atrasada

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% da área de milho estava colhida até 25 de outubro, contra 44% na semana anterior.

Apesar do avanço de 16 pontos percentuais, o ritmo permanecia abaixo da média de 66% dos últimos cinco anos. As previsões de chuva para áreas produtoras do Meio-Oeste norte-americano podem limitar o andamento dos trabalhos nos próximos dias.

Na demanda externa, as vendas líquidas de milho da safra 2026/27 somaram 1,3039 milhão de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O resultado ficou dentro das expectativas, superou em 32% a média das quatro semanas anteriores e foi 15% inferior ao da semana precedente.

Os embarques efetivos, porém, totalizaram 552,9 mil toneladas, queda de 29% na comparação semanal e de 57% frente à média das quatro semanas anteriores. Os compromissos de exportação acumulados no ano comercial também permaneciam abaixo do mesmo período da temporada passada.

Produção de etanol oferece apoio à demanda por milho

O consumo doméstico norte-americano encontra suporte na fabricação de etanol. Conforme a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a produção alcançou 1,118 milhão de barris por dia na semana encerrada em 23 de outubro, o maior nível em cerca de três meses.

Esse desempenho e o risco de interrupções na colheita pelas chuvas ajudavam a limitar a pressão sobre os contratos, embora não tenham impedido as perdas na abertura de sexta-feira.

B3 tem alta no contrato novembro e queda em março

No mercado brasileiro de futuros, o contrato novembro/26 encerrou a quinta-feira a R$ 67,30 por saca de 60 quilos, valorização de 0,75%.

Janeiro/27 terminou praticamente estável, a R$ 70,57, enquanto março/27 recuou 0,37%, para R$ 74,92 por saca.

Além de Chicago, o câmbio e as condições regionais de oferta e demanda seguem relevantes para a formação dos preços brasileiros.

Oferta elevada mantém compradores cautelosos no Brasil

No mercado físico, a TF Agroeconômica aponta que a disponibilidade de milho acima da demanda limita o ritmo dos negócios. Compradores evitam ampliar estoques e concentram as aquisições na reposição das necessidades imediatas.

Em Santa Catarina, a distância entre as propostas restringe a comercialização. Vendedores pedem aproximadamente R$ 60,00 por saca, enquanto compradores oferecem perto de R$ 55,00. A perspectiva de maior produção brasileira em 2026/27 reforça a cautela.

Em Mato Grosso do Sul, as referências variam entre R$ 52,00 e R$ 54,00 por saca. A indústria de bioenergia mantém compras ativas, mas outros consumidores evitam aumentar estoques. Do lado vendedor, produtores restringem a disponibilização de novos lotes.

Chuvas e frio dificultam desenvolvimento do milho no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as cotações variam de R$ 59,00 a R$ 70,00 por saca. O preço médio estadual apurado pela Emater recuou 0,14%, para R$ 62,50.

A semeadura alcançou 80% dos 896,4 mil hectares previstos, mas o excesso de chuva, as temperaturas baixas e a pouca luminosidade retardam o crescimento das plantas. Essas condições também reduzem a eficiência da adubação nitrogenada e provocam replantios pontuais.

O avanço é desigual entre as regiões. Ijuí chegou a 93% da área semeada, com desenvolvimento considerado excelente, enquanto Pelotas atingiu apenas 11%.

No milho destinado à silagem, o plantio alcançou aproximadamente 60% dos 369,4 mil hectares projetados.

Paraná tem 94% da primeira safra plantada

No Paraná, os compradores também priorizam a reposição de estoques. Os preços ao produtor recuaram no Centro Oriental e no Oeste, mas avançaram no Norte Central.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o plantio da primeira safra chegou a 94% dos pouco mais de 372 mil hectares previstos, com produção estimada em 4,08 milhões de toneladas.

Sob influência das chuvas, 78% das lavouras foram classificadas em boas condições, 20% em situação mediana e 2% em condição ruim. A evolução do clima permanece decisiva para o desenvolvimento das áreas já implantadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias