Publicado em: 03/03/2026 às 08:00hs
O fornecimento de energia elétrica tornou-se um fator estratégico para a sanidade e produtividade do agronegócio brasileiro. Oscilações e interrupções afetam diretamente o desempenho de granjas, incubatórios e frigoríficos, interferindo na climatização, nos processos de desinfecção e na manutenção da cadeia do frio — pilares fundamentais da biossegurança animal.
De acordo com estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o setor agropecuário responde por cerca de 29% do consumo total de energia no Brasil, evidenciando o quanto o campo depende de uma infraestrutura elétrica estável para manter suas operações seguras e eficientes.
A consolidação do mercado livre de energia, os avanços em armazenamento elétrico e a digitalização da matriz energética estão tornando a gestão de energia no campo cada vez mais estratégica. Para setores de alta intensidade, como avicultura e suinocultura, a estabilidade elétrica passou a ser determinante para a biossegurança e produtividade.
Sistemas automatizados de ventilação, aquecimento, exaustão e refrigeração operam continuamente para manter o conforto térmico e o controle sanitário dos animais. Protocolos modernos de desinfecção, como nebulização e sanitização de ambientes, também dependem de energia constante.
Quando ocorrem falhas, esses sistemas param instantaneamente, comprometendo a higienização e elevando o risco de estresse térmico, queda de produtividade e aumento da mortalidade animal.
Segundo Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta, a infraestrutura elétrica é hoje um elo invisível, mas essencial, da biossegurança agropecuária.
“A biossegurança depende de protocolos e de uma infraestrutura confiável. Monitoramentos em tempo real permitem identificar oscilações e agir rapidamente. Uma falha detectada a tempo pode evitar perdas significativas em um lote”, afirma Dias.
As interrupções recorrentes também aceleram o desgaste de equipamentos sensíveis, elevam custos de manutenção e causam paradas não programadas. Em ambientes confinados, a perda de controle térmico pode ocorrer em poucos minutos, gerando estresse nos animais e prejuízos diretos à produção.
Nos frigoríficos, a instabilidade compromete a cadeia do frio, essencial para garantir a segurança alimentar e o cumprimento de exigências internacionais de exportação.
A modernização da infraestrutura energética vem sendo tratada como um investimento estratégico nas cadeias produtivas do agro. Medidas como instalação de sistemas de proteção contra surtos, nobreaks dimensionados e monitoramento contínuo da qualidade da energia ajudam a reduzir vulnerabilidades e evitar falhas.
O acompanhamento permanente da rede elétrica permite antecipar problemas, otimizar a manutenção preventiva e garantir estabilidade operacional, pontos críticos em sistemas que funcionam 24 horas por dia.
“A estabilidade elétrica é essencial. Em cadeias que operam de forma contínua, modernizar e monitorar sistemas em tempo real tornou-se uma condição básica para proteger a saúde animal, a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro”, reforça Dias.
Em um cenário de margens de lucro apertadas e exigências sanitárias cada vez mais rigorosas, a energia deixou de ser apenas um insumo operacional e passou a integrar a estratégia de gestão de risco e sustentabilidade das cadeias agroindustriais.
A relação entre infraestrutura elétrica e biossegurança evidencia que o futuro da produção agropecuária passa, também, pela eficiência energética e pela adoção de tecnologias que garantam a continuidade e segurança das operações no campo e na indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
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