El Niño pode elevar preços dos alimentos e pressionar supermercados até 2027, alerta Conaje
Fenômeno climático aumenta riscos para a produção agropecuária, logística e abastecimento; entidade orienta produtores e empresários a reforçarem planejamento financeiro e operacional
Publicado em: 07/08/2026 às 11:15hs
O avanço do El Niño no Brasil acende um novo sinal de alerta para o agronegócio e para o bolso dos consumidores. Segundo a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), o fenômeno climático poderá reduzir a oferta de alimentos, elevar os custos de produção e logística e provocar alta nos preços dos supermercados ao longo dos próximos meses.
As projeções climáticas indicam que o El Niño deverá permanecer ativo até, pelo menos, o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão. O cenário aumenta a preocupação de produtores, distribuidores e empresas ligadas à cadeia de abastecimento diante da perspectiva de mudanças significativas no regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do país.
El Niño amplia riscos para o agronegócio brasileiro
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera os padrões climáticos globais, provocando excesso de chuvas em algumas regiões e estiagens prolongadas em outras.
No Brasil, os modelos meteorológicos apontam probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até o início de 2027. As previsões também indicam temperaturas acima da média histórica e maior frequência de ondas de calor durante o segundo semestre de 2026.
Esse cenário aumenta o risco de perdas agrícolas, redução da produtividade, impactos sobre a pecuária, dificuldades logísticas e maior volatilidade no abastecimento nacional.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
Os efeitos econômicos também começam a entrar no radar do mercado financeiro.
Levantamento realizado pelo Banco Central com quase cem economistas, divulgado pela Reuters, estima que o El Niño poderá adicionar cerca de 0,3 ponto percentual à inflação brasileira em 2026 e 0,4 ponto percentual em 2027, pressionando principalmente os preços dos alimentos, medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Produtos mais sensíveis às variações climáticas, como frutas, hortaliças e verduras, tendem a sentir os primeiros impactos, tanto pela redução da oferta quanto pelo aumento dos custos de produção e transporte.
Custos logísticos também preocupam
Na avaliação da Conaje, os impactos do fenômeno não ficarão restritos às propriedades rurais.
A entidade destaca que eventuais quebras de safra, dificuldades operacionais e aumento dos custos logísticos podem afetar toda a cadeia produtiva, chegando diretamente ao consumidor final.
"O consumidor é a última ponta da cadeia produtiva. Quando há quebra de produção, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade operacional, parte desse impacto acaba chegando às gôndolas dos supermercados", afirma o presidente da Conaje, Fábio Saraiva.
Segundo ele, o El Niño representa um fator adicional de instabilidade para diversos setores da economia, especialmente aqueles diretamente ligados ao agronegócio.
Conab também monitora impactos no abastecimento
A preocupação é compartilhada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha os possíveis reflexos do novo episódio de El Niño sobre a oferta de alimentos no país.
Entre os segmentos considerados mais vulneráveis estão frutas, legumes e hortaliças, culturas altamente dependentes das condições climáticas e mais suscetíveis às oscilações de temperatura e precipitação.
O monitoramento contínuo da produção e dos estoques será fundamental para reduzir riscos de desabastecimento e minimizar impactos sobre os preços ao consumidor.
Conaje recomenda planejamento financeiro e operacional
Diante da perspectiva de maior instabilidade climática, a Conaje orienta produtores rurais, cooperativas e empresários do setor a adotarem medidas preventivas para fortalecer a gestão dos negócios.
Entre as principais recomendações estão:
- Revisar o fluxo de caixa e reforçar o planejamento financeiro;
- Identificar oportunidades de redução de desperdícios e custos operacionais;
- Antecipar decisões relacionadas à logística e distribuição;
- Avaliar linhas de crédito para preservar capital de giro;
- Elaborar estratégias para enfrentar oscilações na produção e no mercado.
"Mais do que nunca, os empresários precisam organizar o fluxo financeiro, identificar onde podem reduzir custos e buscar alternativas de crédito para atravessar esse período de maior instabilidade", destaca Saraiva.
Preparação pode reduzir perdas no campo
Embora o agronegócio brasileiro tenha histórico de adaptação às adversidades climáticas, a Conaje ressalta que a capacidade de resposta dependerá do nível de planejamento de cada propriedade e empresa.
Como os efeitos do El Niño variam conforme a região e a atividade agrícola, decisões antecipadas podem reduzir prejuízos, preservar a produtividade e contribuir para manter o abastecimento nacional, diminuindo os impactos sobre os preços dos alimentos e garantindo maior segurança para toda a cadeia do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias