Análise de Mercado

Crise no Oriente Médio acende alerta para o agronegócio paulista e nacional

FAESP destaca riscos para exportações, custos de produção e abastecimento de insumos diante do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã


Publicado em: 05/03/2026 às 19:20hs

Crise no Oriente Médio acende alerta para o agronegócio paulista e nacional
FAESP monitora impactos do conflito no Golfo Pérsico

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) emitiu um alerta sobre os riscos econômicos e logísticos que o agronegócio brasileiro pode enfrentar em decorrência da escalada de tensões no Golfo Pérsico, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

De acordo com o presidente da FAESP, Tirso Meirelles, a entidade acompanha de perto os desdobramentos econômicos e diplomáticos da crise, que afeta diretamente a estrutura de custos e a logística global do setor agropecuário.

“Monitoramos continuamente os indicadores de mercado. O conflito atinge o coração da estrutura de custos do agronegócio brasileiro, e o setor é o primeiro a sentir os efeitos da volatilidade internacional”, afirmou Meirelles.

Petróleo e dólar pressionam custos e inflação

A alta no preço internacional do petróleo tem impacto direto sobre o diesel, elevando os custos de produção e transporte no campo. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar encarece insumos e pressiona a inflação de alimentos, reduzindo a margem de rentabilidade dos produtores rurais.

Segundo a FAESP, esse cenário cria uma reação em cadeia que afeta desde o custo operacional nas propriedades rurais até o preço final dos alimentos.

Exportações em risco com instabilidade no Canal de Ormuz

O conflito no Oriente Médio também ameaça as exportações agrícolas brasileiras. O Irã, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, foi responsável por 25% (cerca de 9 milhões de toneladas) das exportações de milho em 2025.

Além disso, 25% das exportações de proteína animal brasileira têm como destino o Oriente Médio, região que agora enfrenta incertezas logísticas devido às tensões no Canal de Ormuz, rota estratégica para o comércio global.

“O agronegócio paulista e brasileiro enfrentará desafios críticos nas exportações, com riscos de interrupções logísticas e barreiras comerciais”, destacou a FAESP em comunicado.

Dependência de fertilizantes agrava vulnerabilidade

No campo das importações, a preocupação se concentra na dependência brasileira de fertilizantes nitrogenados — especialmente ureia —, grande parte proveniente do Oriente Médio. Estima-se que 90% do suprimento dessas linhas venha da região afetada.

Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, que atualmente enfrenta riscos de bloqueio e desvio de rotas, o que pode provocar escassez e aumento de custos no Brasil.

FAESP pede plano nacional de segurança alimentar e insumos

A federação defende a criação de um plano de Estado de longo prazo voltado à autossuficiência em insumos e segurança alimentar. Segundo Meirelles, é urgente fortalecer a produção nacional para reduzir a dependência externa, hoje estimada em 85% para alguns produtos estratégicos.

“Essa crise expõe uma vulnerabilidade sistêmica do Brasil. É preciso adotar políticas que priorizem a soberania alimentar e produtiva”, reforçou o presidente.

Diplomacia e cautela nas relações internacionais

A FAESP também pede cautela diplomática ao governo federal e às autoridades estaduais para evitar sanções comerciais ou barreiras tarifárias, que poderiam repetir prejuízos semelhantes aos vistos em crises anteriores.

A entidade defende o uso da diplomacia comercial como instrumento para preservar o equilíbrio econômico e proteger produtores, cooperativas e agroindústrias.

“Nosso alerta não é apenas do agronegócio, mas de toda a economia nacional. Um conflito dessa magnitude pode gerar recessão global, instabilidade e impactos duradouros no comércio internacional”, afirma Meirelles.

Diálogo e ações para mitigar efeitos

A FAESP informou que mantém diálogo constante com cooperativas, exportadores e autoridades públicas para monitorar o cenário e adotar medidas que garantam abastecimento seguro e preços justos ao consumidor.

O foco, segundo a entidade, é proteger o produtor rural e assegurar que o alimento continue chegando à mesa da população mesmo em um contexto de crise geopolítica global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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