Consumo de combustíveis fósseis cai 4% na América do Sul e Central, mas produção de petróleo avança 10,3%
Estudo da KPMG aponta avanço das energias renováveis na região, enquanto Brasil mantém posição estratégica no mercado global de petróleo e amplia participação de fontes de baixo carbono
Publicado em: 18/08/2026 às 16:00hs
O consumo de combustíveis fósseis caiu 4% na América do Sul e Central, em um movimento associado principalmente à expansão das fontes renováveis em mercados como o Brasil. Ao mesmo tempo, a produção de petróleo avançou 10,3% na região, impulsionada sobretudo por Argentina, Brasil, Venezuela e Guiana.
Os dados fazem parte da “Revisão das Estatísticas de Energia Mundial 2026” (Statistical Review of World Energy 2026), estudo realizado pela KPMG em parceria com a Ember e colaboração da Kearney. O levantamento analisa a evolução da matriz energética global e os principais movimentos registrados nos mercados de petróleo, gás, carvão, eletricidade e fontes renováveis.
Brasil amplia consumo de petróleo
Apesar do avanço das energias renováveis, o petróleo continua tendo participação relevante na matriz energética brasileira.
Segundo o estudo, o Brasil consumiu 2,61 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, alta de 1,4% em relação a 2024. O volume corresponde a aproximadamente 2,5% do consumo mundial de petróleo.
O país também permanece entre os grandes produtores globais, com destaque para a exploração das reservas do pré-sal, que seguem sustentando o crescimento da produção nacional.
Para Manuel Fernandes, sócio-líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul, o cenário brasileiro combina expansão da produção de petróleo com uma estratégia de diversificação energética.
Segundo o executivo, o país amplia o uso de fontes renováveis sempre que possível, ao mesmo tempo em que busca reduzir gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis.
Energias renováveis ganham espaço no Brasil
O levantamento destaca a evolução da matriz elétrica brasileira, marcada pela presença significativa de fontes renováveis.
Entre os principais vetores de crescimento estão a energia hidrelétrica, solar e eólica, além dos biocombustíveis, como etanol e biodiesel.
A combinação dessas fontes contribui para manter o Brasil entre os países com maior participação de energias renováveis na geração de eletricidade.
A expansão da geração solar e eólica também reforça a diversificação da matriz e reduz a necessidade de utilização de fontes fósseis em determinados períodos.
Petróleo e transição energética convivem na matriz brasileira
Os dados mostram que a transição energética não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes segmentos.
Enquanto o consumo de combustíveis fósseis apresenta retração em parte da América do Sul e Central, a produção de petróleo continua avançando, especialmente em países com novas fronteiras de exploração e grandes reservas.
No Brasil, esse movimento é particularmente relevante devido ao desempenho do pré-sal e à importância do petróleo para as exportações, para a arrecadação e para a segurança energética nacional.
Ao mesmo tempo, o crescimento de fontes renováveis e de biocombustíveis amplia as alternativas para reduzir a intensidade de carbono da matriz energética.
Brasil mantém destaque em energia de baixo carbono
De acordo com a análise da KPMG, o Brasil continua se destacando internacionalmente pela participação de fontes renováveis em sua geração de eletricidade e pela produção e utilização de biocombustíveis.
O país possui uma matriz elétrica considerada entre as de menor intensidade de carbono do mundo, resultado da forte presença de hidrelétricas e da expansão de fontes como solar e eólica.
O avanço dos biocombustíveis também fortalece essa posição. Etanol e biodiesel desempenham papel relevante na substituição parcial de derivados de petróleo no transporte e em outros segmentos da economia.
“A matriz nacional está entre as mais limpas globalmente e as empresas seguem ampliando os investimentos em energias renováveis”, destaca Fernandes.
Transição energética aumenta demanda por diversificação
O cenário apresentado pelo estudo evidencia um dos principais desafios do setor energético: conciliar segurança energética, crescimento da demanda, produção de petróleo e expansão das fontes renováveis.
Para o Brasil, a combinação entre produção de petróleo, geração renovável e biocombustíveis cria uma matriz diversificada, com diferentes fontes contribuindo para o abastecimento energético.
A tendência também reforça a importância de investimentos em infraestrutura, armazenamento, transmissão de energia e novas tecnologias para acompanhar o crescimento da geração renovável.
Principais dados do estudo
- Consumo de combustíveis fósseis na América do Sul e Central: queda de 4%
- Produção de petróleo na região: alta de 10,3%
- Consumo brasileiro de petróleo em 2025: 2,61 milhões de barris por dia
- Variação do consumo brasileiro: alta de 1,4% sobre 2024
- Participação do Brasil no consumo mundial de petróleo: 2,5%
- Principais fontes renováveis em expansão: hidrelétrica, solar e eólica
- Biocombustíveis de destaque: etanol e biodiesel
Fonte: Portal do Agronegócio
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