Cesta básica fica mais barata em sete capitais em julho, mas São Paulo mantém maior custo do país
Levantamento da Neogrid e FGV IBRE mostra queda de até 3,67% nos preços; Manaus foi a única capital analisada a registrar alta no mês
Publicado em: 28/08/2026 às 10:10hs
O preço médio da cesta básica recuou em sete das oito capitais pesquisadas em julho de 2026, indicando uma desaceleração dos custos da alimentação após as pressões registradas ao longo do primeiro semestre. Os dados são da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE.
Fortaleza apresentou a maior redução mensal, de 3,67%, seguida por Brasília, com queda de 2,78%. Belo Horizonte e Curitiba registraram retração de 2,44% cada. Manaus foi a única capital na contramão do movimento, com aumento de 1,16%.
Apesar da queda de 1,58% no mês, São Paulo continuou com a cesta básica mais cara entre as cidades analisadas, no valor de R$ 994,55. Belo Horizonte permaneceu na outra ponta do ranking, com o menor custo: R$ 743,38.
Preço da cesta básica cai abaixo de R$ 1 mil em São Paulo
Na capital paulista, o preço médio da cesta passou de R$ 1.010,55 em junho para R$ 994,55 em julho. A redução levou o custo novamente para abaixo de R$ 1 mil, mas não foi suficiente para retirar São Paulo da liderança entre as capitais mais caras.
O Rio de Janeiro ocupou a segunda posição, com uma cesta avaliada em R$ 973,22. O valor ficou praticamente estável na comparação mensal, após leve recuo de 0,13% frente aos R$ 974,51 registrados em junho.
Fortaleza apareceu em seguida, mesmo após apresentar a maior queda do levantamento. O custo na capital cearense recuou de R$ 960,40 para R$ 925,13, revertendo parte da forte elevação observada no mês anterior.
Manaus é a única capital com alta em julho
Manaus registrou aumento de 1,16%, com o preço médio da cesta avançando de R$ 864,51 para R$ 874,55. O resultado contrastou com a tendência predominante de queda nas demais capitais.
A elevação fez a capital amazonense perder posições entre as localidades com menor custo. Manaus passou a ter uma cesta mais cara do que Belo Horizonte, Curitiba e Brasília.
O feijão foi o principal responsável pela pressão na cidade, com alta de 25% em julho — a maior variação registrada entre todos os produtos e capitais considerados no levantamento. Os legumes também subiram 7,43%, enquanto os ovos recuaram apenas 0,38%.
Belo Horizonte mantém a cesta básica mais barata
Belo Horizonte permaneceu como a capital com o menor preço médio da cesta básica. O custo caiu de R$ 761,97 para R$ 743,38, uma redução mensal de 2,44%.
As principais quedas foram observadas nas frutas, com retração de 12,69%; nos legumes, com 11,42%; e nos ovos, com 10,86%. Esses movimentos compensaram os aumentos da carne suína, de 11%, e do pão, de 7,15%.
Curitiba teve a segunda cesta mais barata, cotada a R$ 761,73, após recuo mensal de 2,44%. Embora o feijão tenha subido 9,33%, as quedas dos ovos, de 7,11%, e das frutas, de 6,42%, ajudaram a reduzir o custo médio.
Brasília ultrapassa Manaus entre as cestas mais acessíveis
Em Brasília, a cesta básica ficou 2,78% mais barata, passando de R$ 883,90 para R$ 859,36. A capital federal registrou a segunda maior queda mensal e passou a apresentar custo inferior ao observado em Manaus.
Frutas, ovos e legumes foram os principais fatores de alívio, com recuos de 9,29%, 8,92% e 6,44%, respectivamente. O leite UHT, por outro lado, avançou 4,35%.
Salvador também registrou redução, embora mais moderada. O preço médio caiu 0,76%, de R$ 888,25 para R$ 881,50. A queda dos legumes, de 8,85%, e da carne suína, de 4,48%, compensou as altas do feijão e do leite UHT.
Quanto custou a cesta básica em julho
Entre as oito capitais analisadas, os valores ficaram distribuídos da seguinte maneira:
- São Paulo: R$ 994,55, com queda de 1,58%;
- Rio de Janeiro: R$ 973,22, com recuo de 0,13%;
- Fortaleza: R$ 925,13, com retração de 3,67%;
- Salvador: R$ 881,50, com redução de 0,76%;
- Manaus: R$ 874,55, com alta de 1,16%;
- Brasília: R$ 859,36, com queda de 2,78%;
- Curitiba: R$ 761,73, com recuo de 2,44%;
- Belo Horizonte: R$ 743,38, com retração de 2,44%.
Fortaleza lidera aumento acumulado em seis meses
Embora tenha registrado a maior queda em julho, Fortaleza acumulou a maior elevação entre fevereiro e julho de 2026. O preço médio da cesta avançou 8,71% no período, de R$ 851,01 para R$ 925,13.
Manaus apresentou a segunda maior alta acumulada, de 4,41%, seguida por São Paulo, com 4,30%; Salvador, com 3,70%; Belo Horizonte, com 2,73%; e Brasília, com 2,60%.
O Rio de Janeiro encerrou o intervalo praticamente estável. O valor passou de R$ 973,11 em fevereiro para R$ 973,22 em julho, diferença de apenas 0,01%.
Curitiba foi a única capital com redução acumulada nos seis meses. O custo caiu 1,31%, de R$ 771,88 para R$ 761,73.
Segundo Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, julho foi marcado por uma acomodação generalizada dos preços. O executivo ressaltou que São Paulo continuou com a cesta mais cara, enquanto Fortaleza liderou as altas acumuladas e Curitiba foi a única capital a encerrar o período com variação negativa.
Feijão, leite, pão e carne suína pressionam preços
Mesmo com a queda generalizada das cestas, alguns produtos continuaram exercendo pressão sobre o orçamento dos consumidores. Feijão, leite UHT, pão e carne suína estiveram entre os principais itens em alta.
As maiores pressões por capital foram:
- Belo Horizonte: carne suína, com alta de 11%, e pão, com 7,15%;
- Brasília: leite UHT, com 4,35%, e pão, com 0,28%;
- Curitiba: feijão, com 9,33%, e fubá e farinhas de milho, com 3,94%;
- Fortaleza: feijão, com 6,15%, e carne suína, com 3,17%;
- Manaus: feijão, com 25%, e fubá e farinhas de milho, com 2,67%;
- Rio de Janeiro: leite UHT, com 5,18%, e pão, com 4,56%;
- Salvador: feijão, com 3,08%, e leite UHT, com 2,05%;
- São Paulo: leite UHT, com 4,71%, e pão, com 1,83%.
Frutas, legumes e ovos ajudam a conter inflação dos alimentos
A queda dos produtos in natura foi determinante para reduzir o custo da cesta básica em julho. Frutas, legumes e ovos apresentaram recuos expressivos em grande parte das capitais.
As frutas ficaram 12,69% mais baratas em Belo Horizonte e recuaram 9,29% em Brasília. Nos ovos, as maiores quedas ocorreram em Belo Horizonte, com 10,86%; Brasília, com 8,92%; Fortaleza, com 7,85%; e Curitiba, com 7,11%.
Os legumes também contribuíram para o alívio dos preços. As reduções chegaram a 11,42% em Belo Horizonte, 9,13% em Fortaleza, 8,85% em Salvador e 8,71% em São Paulo.
Manaus apresentou comportamento diferente das demais capitais: as frutas subiram 3,95% e os legumes avançaram 7,43%, reforçando a alta da cesta amazonense.
Queda dos alimentos exige atenção do varejo ao abastecimento
Para o varejo, a oscilação dos preços exige planejamento de estoques e acompanhamento constante das condições de oferta. Mudanças climáticas, sazonalidade, logística e disponibilidade regional podem alterar rapidamente o comportamento de categorias como feijão, frutas, hortaliças e proteínas.
Na avaliação da Neogrid, o uso de dados permite antecipar movimentos de demanda, ajustar a reposição e priorizar os produtos mais sensíveis. A estratégia pode ajudar a reduzir rupturas, evitar desperdícios e proteger as margens dos estabelecimentos.
Os resultados de julho apontam para uma acomodação dos preços da alimentação básica, mas as diferenças regionais continuam relevantes. Enquanto produtos frescos ajudaram a conter os custos na maior parte das capitais, leite, pão, feijão e carne suína mantiveram focos de pressão que devem permanecer no radar de consumidores e varejistas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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