Publicidade
Análise de Mercado

Agropecuária cria 22,9 mil empregos formais em junho de 2026, impulsionada por café e cana-de-açúcar

Dados do Novo Caged mostram avanço das contratações no campo, com destaque para Sudeste e Centro-Oeste, mas setor acompanha impactos dos juros altos e do cenário externo.


Publicado em: 30/07/2026 às 11:25hs

Agropecuária cria 22,9 mil empregos formais em junho de 2026, impulsionada por café e cana-de-açúcar

A agropecuária brasileira abriu 22.898 novos empregos formais em junho de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado reforça a capacidade do setor em gerar oportunidades mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados, menor ritmo da atividade e incertezas comerciais internacionais.

No período, o setor registrou 114.801 admissões e 91.903 desligamentos, garantindo saldo positivo no mercado de trabalho rural e crescimento de 1,2% no estoque de empregos formais da agropecuária.

Apesar do desempenho favorável, os números indicam uma desaceleração em relação a períodos anteriores, influenciada pelo ambiente macroeconômico e pelos impactos do chamado tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que tem aumentado a atenção de empresas e produtores quanto ao comportamento das exportações.

Sudeste lidera geração de empregos no campo

A criação de vagas ficou concentrada principalmente na região Sudeste, responsável pelo maior saldo positivo em junho.

O ranking regional ficou distribuído da seguinte forma:

  • Sudeste: +16.756 empregos formais
  • Centro-Oeste: +6.168 vagas
  • Nordeste: +3.203 postos
  • Norte: +306 empregos
  • Sul: -3.508 vagas

O desempenho regional acompanha o calendário agrícola de diferentes culturas, com maior demanda por mão de obra em atividades ligadas ao manejo, colheita e processamento da produção.

Cana-de-açúcar, café e serviços agrícolas impulsionam contratações

Entre as atividades que mais contribuíram para o resultado positivo de junho, o destaque ficou com o cultivo de cana-de-açúcar, que gerou 5.396 empregos formais no mês.

Na sequência aparecem:

  • Atividades de apoio à agricultura: +4.950 vagas
  • Cultivo de café: +4.619 empregos

O avanço dessas cadeias está relacionado ao período de maior intensidade operacional no campo, especialmente em regiões produtoras que concentram etapas de colheita, beneficiamento e preparação da próxima safra.

Café lidera geração de empregos no acumulado de 2026

No acumulado de janeiro a junho de 2026, a agropecuária brasileira registra saldo positivo de 40.853 empregos formais.

O principal destaque do período foi novamente a cadeia do café, responsável pela criação de 29.199 vagas, impulsionada principalmente pelas atividades relacionadas à colheita e ao ciclo produtivo da cultura.

Outras atividades que contribuíram para o resultado foram:

  • Atividades de apoio à agricultura: +7.309 empregos
  • Cultivo de maçã: +2.195 postos de trabalho

Segundo avaliação do Ministério do Trabalho, o comportamento do emprego no setor está diretamente ligado à sazonalidade agrícola, já que diferentes culturas ampliam a contratação de trabalhadores conforme avançam para fases de manejo intensivo e colheita.

Mercado de trabalho rural depende de preços e crédito

Mesmo com o saldo positivo no primeiro semestre, representantes do setor produtivo destacam que a continuidade da geração de empregos dependerá de fatores econômicos e comerciais nos próximos meses.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • comportamento dos preços das commodities agrícolas;
  • disponibilidade de crédito rural;
  • custos de produção;
  • demanda internacional pelos produtos brasileiros;
  • impactos de medidas comerciais adotadas por outros países.

A manutenção de um ambiente favorável para investimentos será determinante para que produtores e empresas ampliem contratações e sustentem a geração de renda no interior do país.

Agro mantém papel estratégico na economia brasileira

O resultado do Novo Caged reforça a importância da agropecuária como um dos principais setores geradores de empregos no Brasil.

Com forte presença regional, cadeias produtivas diversificadas e alta capacidade de movimentar atividades diretas e indiretas, o campo continua desempenhando papel estratégico na economia, mesmo diante dos desafios impostos pelo cenário nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias