Custo de importação da borracha cai 5,2% em julho com dólar e matéria-prima mais baratos
Preço de referência da borracha natural recuou para R$ 15,53 por quilo, influenciado pela queda das cotações internacionais, do dólar e do frete; São Paulo responde por 60% da produção brasileira
Publicado em: 17/08/2026 às 10:40hs
O custo de importação da borracha natural recuou em julho de 2026, refletindo principalmente a queda das cotações da matéria-prima no mercado internacional, a leve desvalorização do dólar e a acomodação dos custos de transporte marítimo.
O preço de referência de importação da borracha natural fechou o mês em R$ 15,53 por quilo, uma retração de 5,2% em relação a junho. O indicador é calculado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e serve como referência para as negociações de compra e venda do produto no Brasil no mês seguinte.
Borracha internacional recua e reduz custo de importação
O principal fator de pressão sobre o indicador em julho foi a queda dos preços internacionais da borracha natural.
Os contratos utilizados como referência, com base nas cotações da Bolsa de Singapura, encerraram julho com vencimento para agosto de 2026 em US$ 2,15 por quilo, queda de 5,5% em relação ao levantamento anterior.
A retração da matéria-prima no mercado asiático foi, portanto, o principal componente responsável pela redução do preço de referência brasileiro.
O dólar também contribuiu para aliviar o custo de importação. A cotação média da moeda norte-americana passou de R$ 5,13 em junho para R$ 5,11 em julho, queda de 0,3%.
Embora a variação cambial tenha sido pequena, o movimento ocorreu simultaneamente à redução da cotação internacional da borracha, ampliando o impacto sobre o custo final.
Frete marítimo também recua
Outro componente que ajudou a reduzir o preço de referência foi o transporte internacional.
O custo do frete marítimo apresentou queda de 0,8% em julho, sinalizando uma acomodação após os níveis considerados excepcionalmente elevados registrados em junho.
A combinação entre matéria-prima mais barata, dólar em baixa e fretes menores resultou na redução de 5,2% do preço de referência de importação da borracha natural.
Mercado de borracha pode voltar a ganhar força em agosto
Apesar da queda registrada em julho, o cenário internacional exige atenção.
Segundo Marli Dias Mascarenhas Oliveira, pesquisadora colaboradora do IEA e responsável pelo levantamento, as médias das cotações nas bolsas asiáticas recuaram, mas os preços diários permanecem elevados quando comparados à série histórica.
No início de agosto, as cotações passaram a apresentar sinais de recuperação.
Um dos fatores por trás desse movimento é a percepção de restrição da oferta global de borracha natural, especialmente na Indonésia, em um momento de demanda relativamente firme da indústria pneumática.
A recuperação dos preços do petróleo também contribuiu para sustentar as cotações da borracha.
Por outro lado, a melhora da oferta de matéria-prima na Tailândia no final de julho começou a limitar o avanço dos preços internacionais.
O cenário, portanto, permanece condicionado ao equilíbrio entre oferta asiática, demanda da indústria e comportamento dos preços do petróleo.
São Paulo concentra 60% da produção nacional de borracha
O mercado brasileiro tem em São Paulo seu principal polo produtor de borracha natural.
O estado responde por aproximadamente 60% da produção nacional, o que faz com que o comportamento dos preços de importação tenha impacto direto sobre produtores e demais agentes da cadeia paulista.
A estimativa preliminar da cultura da seringueira para a safra 2025/26 aponta para uma produção de 267,6 mil toneladas de coágulo de látex, alta de 0,5% em relação à temporada anterior.
A produtividade estimada é de 2.406 quilos por hectare.
A área total cultivada chega a 124,1 mil hectares, aumento de 0,4% em relação à safra passada.
O crescimento está associado principalmente à expansão das áreas em formação, estimadas em 12,9 mil hectares.
Os dados são provenientes do levantamento realizado pelo IEA-APTA em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
Índice busca melhorar remuneração dos produtores
O Índice de Preços de Importação da Borracha é elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O objetivo é estabelecer uma referência que contribua para uma política de preços mais equilibrada e remuneradora para os produtores brasileiros.
Antes da adoção do indicador, os valores pagos pela matéria-prima eram definidos principalmente a partir de referências estabelecidas por associações de compradores do setor.
Em São Paulo, maior produtor nacional, o modelo gerava insatisfação entre produtores diante da baixa rentabilidade observada nos últimos anos.
A metodologia busca incorporar ao cálculo não apenas a cotação internacional da borracha, mas também os demais custos envolvidos na importação, como câmbio, frete e despesas associadas à chegada do produto ao mercado brasileiro.
Referência considera competitividade da produção brasileira
A inclusão dos custos de importação é importante para evitar que a cotação internacional seja utilizada isoladamente como parâmetro para a formação dos preços domésticos.
Segundo a metodologia do indicador, considerar apenas o preço praticado nas bolsas internacionais poderia reduzir artificialmente a referência brasileira, sem levar em conta diferenças existentes entre os sistemas produtivos.
A cadeia nacional trabalha com custos relacionados à mão de obra, condições adequadas de trabalho e cumprimento da legislação ambiental, fatores que também precisam ser considerados na formação de preços.
Além disso, a seringueira exige um período prolongado de investimento antes de atingir a fase produtiva. A produção comercial começa, em geral, somente a partir do sétimo ano após o plantio.
Dessa forma, uma remuneração adequada é considerada essencial para garantir a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade econômica da atividade.
Preço da borracha: cenário exige atenção para os próximos meses
A queda do preço de referência em julho representa um alívio para os custos de importação, mas o mercado internacional já apresenta sinais de mudança no início de agosto.
A possibilidade de restrição da oferta na Indonésia, a demanda firme da indústria pneumática e a recuperação do petróleo podem sustentar as cotações internacionais. Ao mesmo tempo, a melhora da produção na Tailândia atua como fator de contenção.
Para o produtor brasileiro, especialmente em São Paulo, o comportamento das bolsas asiáticas, do dólar e dos custos logísticos continuará sendo determinante para a formação dos preços domésticos.
Assim, embora o preço de referência da borracha natural tenha recuado para R$ 15,53/kg em julho, o mercado entra em agosto com possibilidade de maior volatilidade, exigindo acompanhamento próximo dos fatores que influenciam a oferta e a demanda global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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