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Produção de biometano cresce 75% no Brasil e impulsiona investimentos no setor de energia renovável

Expansão da produção, avanço da regulamentação e novos projetos colocam o biometano no centro da transição energética; 13º Fórum do Biogás reunirá autoridades, investidores e empresas em São Paulo.


Publicado em: 06/08/2026 às 11:45hs

Produção de biometano cresce 75% no Brasil e impulsiona investimentos no setor de energia renovável

O mercado brasileiro de biometano vive uma das fases mais aceleradas de sua história. Em 2025, a produção nacional do combustível renovável registrou crescimento de aproximadamente 75%, passando de 606,6 mil metros cúbicos por dia, em 2024, para 1,06 milhão de metros cúbicos diários, consolidando o avanço da bioenergia como alternativa estratégica para a descarbonização da matriz energética brasileira.

O novo cenário será um dos principais temas do 13º Fórum do Biogás, promovido pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), que acontece nos dias 11 e 12 de agosto, no São Paulo Expo, reunindo representantes do governo, investidores, empresas, produtores e especialistas para discutir os rumos do setor.

Brasil amplia capacidade de produção de biometano

Dados atualizados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o país conta atualmente com 21 plantas autorizadas para comercialização de biometano, responsáveis por uma capacidade instalada de aproximadamente 1,33 milhão de metros cúbicos normais por dia (Nm³/dia).

Além das unidades em operação, outros 48 empreendimentos estão em processo de autorização, elevando para 69 projetos o total de plantas previstas no mercado nacional.

Caso todos os investimentos sejam concluídos conforme o cronograma, a capacidade brasileira de produção poderá atingir aproximadamente 3,37 milhões de Nm³ por dia até 2028, ampliando significativamente a oferta de combustível renovável para os setores industrial, energético e de transportes.

Segundo a presidente-executiva da ABiogás, Josiani Napolitano, o crescimento demonstra que o biometano deixou de ser apenas uma alternativa promissora para assumir posição estratégica na matriz energética nacional.

Lei do Combustível do Futuro fortalece mercado de biometano

A expansão da produção ocorre paralelamente à implementação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, previsto na Lei do Combustível do Futuro.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu uma meta inicial de redução de 0,5% das emissões no mercado de gás natural, objetivo que será alcançado por meio da incorporação gradual do biometano à matriz de suprimento do país.

Essa meta representa uma demanda estimada de aproximadamente 181,7 milhões de metros cúbicos por ano, equivalente a cerca de 504,8 mil metros cúbicos diários de biometano.

Outro importante avanço para o setor foi a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) pela ANP.

O mecanismo permitirá comprovar a origem renovável do combustível, garantindo rastreabilidade e certificação para atender às metas de descarbonização estabelecidas para produtores e importadores de gás natural.

Regulamentação e investimentos estarão no centro dos debates

Durante o Fórum, especialistas discutirão os principais desafios para consolidar o novo ciclo de crescimento do setor.

Entre os temas previstos estão:

  • regulamentação do mandato do biometano previsto na Lei do Combustível do Futuro;
  • implementação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB);
  • expansão da infraestrutura de transporte e distribuição;
  • incentivos tributários;
  • mecanismos de financiamento;
  • contratos de longo prazo;
  • segurança jurídica para novos investimentos.

Para a ABiogás, o ano de 2026 marca a transição entre a construção do marco regulatório e a efetiva implementação das políticas públicas voltadas à expansão da produção nacional.

A previsibilidade regulatória deverá ser um dos fatores determinantes para acelerar novos empreendimentos e ampliar a participação do combustível renovável na matriz energética brasileira.

Maior evento da América Latina reunirá toda a cadeia produtiva

Considerado o principal encontro do setor na América Latina, o 13º Fórum do Biogás reunirá representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Ministério de Minas e Energia, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), governos estaduais, instituições financeiras, investidores, produtores, consumidores e empresas responsáveis por projetos de produção, infraestrutura e comercialização de biogás e biometano.

A programação técnica também abordará temas estratégicos para o desenvolvimento da bioenergia, incluindo:

  • abertura do mercado de gás natural;
  • segurança energética;
  • mobilidade sustentável;
  • transporte de cargas;
  • gestão de resíduos urbanos e agroindustriais;
  • inovação tecnológica;
  • tributação;
  • financiamento de projetos;
  • novas aplicações para biogás e biometano.

A edição anterior do Fórum, realizada em 2025, reuniu mais de 1.500 participantes e 55 empresas patrocinadoras, consolidando o evento como um dos principais ambientes de negócios da bioenergia no continente.

Agronegócio impulsiona crescimento do biometano

Grande parte do potencial brasileiro de produção de biometano está diretamente ligada ao agronegócio.

Resíduos provenientes da suinocultura, bovinocultura, avicultura, produção de cana-de-açúcar, agroindústrias e aterros sanitários representam uma fonte abundante de matéria-prima para geração de biogás e posterior produção de biometano.

Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a utilização desses resíduos gera energia limpa, promove economia circular, reduz custos operacionais e cria novas oportunidades de renda para produtores rurais e empresas do setor agroindustrial.

Com o avanço da regulamentação, a expansão da infraestrutura e o aumento dos investimentos privados, o biometano desponta como um dos combustíveis renováveis de maior potencial para fortalecer a segurança energética brasileira e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: Portal do Agronegócio

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