EUA lançam plano para ampliar exportações de etanol e miram Reino Unido e Vietnã
Estratégia do USDA busca reduzir barreiras comerciais, estimular maiores misturas de biocombustíveis e abrir mercados para o etanol norte-americano
Publicado em: 17/09/2026 às 10:20hs
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou um plano para fortalecer as exportações de etanol e ampliar a presença do biocombustível norte-americano no mercado internacional. Reino Unido, Vietnã e Guatemala aparecem entre os destinos considerados estratégicos pelo governo dos EUA.
Divulgada na quarta-feira (16), a iniciativa reúne medidas destinadas à abertura de mercados, à redução de restrições comerciais e ao incentivo de políticas que aumentem a mistura de etanol à gasolina. A estratégia também pretende criar novas oportunidades para os produtores rurais envolvidos na cadeia de biocombustíveis.
Reino Unido abre espaço para o etanol dos EUA
O Reino Unido é apontado pelo USDA como um dos mercados com maior potencial de crescimento. Após um acordo comercial firmado com os Estados Unidos, o país passou a contar com uma cota de 1,4 bilhão de litros de etanol norte-americano com acesso livre de tarifas.
A medida pode melhorar a competitividade do produto dos EUA no mercado britânico e ampliar o fluxo comercial entre os dois países. A retirada da tarifa dentro da cota reduz custos de entrada e fortalece as condições para a expansão dos embarques.
Mistura obrigatória impulsiona demanda no Vietnã
O Vietnã também ocupa posição de destaque na estratégia internacional do USDA. Desde junho, o país adota uma mistura obrigatória de 10% de etanol na gasolina, conhecida como E10.
A exigência amplia a demanda pelo biocombustível e abre espaço para novos fornecedores internacionais. Nesse cenário, os Estados Unidos pretendem aproveitar sua capacidade produtiva para conquistar participação no mercado vietnamita.
Além de Reino Unido e Vietnã, a Guatemala foi incluída entre os destinos com possibilidade de expansão. Outros mercados também poderão ser trabalhados à medida que avançarem as negociações comerciais e as políticas de adoção de combustíveis renováveis.
Brasil é apontado como incógnita para o mercado em 2026
No relatório que acompanha o plano, o USDA classifica o Brasil como a principal incógnita para a oferta internacional de etanol em 2026.
A movimentação do mercado brasileiro pode influenciar a disponibilidade global do biocombustível e a competitividade entre os países exportadores. Por isso, o comportamento da produção, do consumo interno e dos embarques brasileiros continuará sendo acompanhado pelos Estados Unidos.
Créditos tributários podem elevar competitividade
A estratégia também destaca mudanças nos créditos tributários concedidos aos produtores norte-americanos de etanol. Segundo o USDA, os incentivos podem favorecer a rentabilidade da indústria e aumentar a competitividade do biocombustível dos EUA no exterior.
Os benefícios tributários integram o esforço para fortalecer a cadeia produtiva, estimular a fabricação de combustíveis renováveis e criar novas alternativas de comercialização para o setor agrícola.
Expansão da E15 pode reduzir oferta para exportação
Apesar das oportunidades externas, o crescimento do consumo doméstico poderá limitar os volumes disponíveis para outros países. Uma eventual expansão da E15 — gasolina com 15% de etanol — aumentaria a demanda interna nos Estados Unidos.
Nesse cenário, produtores e indústrias teriam de equilibrar as vendas domésticas com os embarques internacionais. O avanço da E15 pode sustentar o consumo e melhorar a rentabilidade dentro do país, mas também reduzir a disponibilidade de etanol norte-americano para exportação.
Com o novo plano, o USDA pretende consolidar mercados já abertos e acelerar negociações com potenciais compradores. A combinação entre acordos comerciais, incentivos tributários e ampliação das misturas será determinante para o desempenho das exportações de etanol dos Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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