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Etanol

Etanol supera 3 bilhões de litros em vendas e reforça demanda aquecida, apesar da queda na moagem de cana no Centro-Sul

Comercialização de etanol cresce na safra 2026/27, enquanto produção de açúcar recua e usinas ampliam participação do biocombustível no mix industrial.


Publicado em: 06/08/2026 às 19:20hs

Etanol supera 3 bilhões de litros em vendas e reforça demanda aquecida, apesar da queda na moagem de cana no Centro-Sul

O mercado brasileiro de etanol iniciou a safra 2026/27 com forte demanda e desempenho positivo nas vendas. Em junho, as unidades produtoras da região Centro-Sul comercializaram 3,12 bilhões de litros de etanol, volume superior ao registrado no mesmo período da safra anterior e que confirma o aquecimento do consumo de biocombustíveis no país.

Os números, divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), mostram que o avanço das vendas ocorreu mesmo em um cenário de redução da moagem de cana-de-açúcar e de menor produção de açúcar, refletindo mudanças no direcionamento industrial das usinas.

Vendas de etanol avançam e mercado interno lidera crescimento

As vendas totais de etanol alcançaram 3,12 bilhões de litros em junho, sendo:

  • 1,85 bilhão de litros de etanol hidratado;
  • 1,27 bilhão de litros de etanol anidro.

O mercado doméstico continuou sendo o principal destino da produção. As vendas internas de etanol anidro cresceram 24,38% em comparação com junho da safra passada, chegando a 1,24 bilhão de litros. Já o etanol hidratado vendido no mercado nacional atingiu 1,78 bilhão de litros, alta de 4,16% no mesmo comparativo.

No acumulado da safra, entre abril e o fim de junho, a comercialização totalizou 8,80 bilhões de litros, crescimento de 2,64%, consolidando o bom ritmo de consumo do biocombustível no Brasil.

Moagem de cana recua quase 15%

Apesar da demanda aquecida por etanol, a disponibilidade de matéria-prima foi menor.

Em junho, as usinas do Centro-Sul processaram 69,79 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, redução de 14,5% frente ao mesmo mês da safra anterior.

No acumulado da temporada 2026/27, a moagem soma 214,47 milhões de toneladas, enquanto 255 unidades produtoras estavam em operação até o fim de junho, incluindo usinas de cana, plantas dedicadas ao milho e unidades flex.

Produção de açúcar cai mais de 26%

A menor moagem também afetou a produção de açúcar.

Em junho, as usinas fabricaram 3,90 milhões de toneladas, volume 26,33% inferior ao registrado no mesmo período da safra passada.

No acumulado da temporada, a produção atingiu 10,75 milhões de toneladas, retração de 12,38%, indicando que parte da matéria-prima continua sendo direcionada para a fabricação de etanol.

Produção de etanol cresce impulsionada pelo milho

Enquanto o açúcar perdeu espaço, a produção de etanol manteve trajetória positiva.

Em junho, foram produzidos 3,80 bilhões de litros, crescimento de 2,47% sobre igual período da safra anterior.

No acumulado da safra, a fabricação alcançou 11,37 bilhões de litros, avanço expressivo de 20,44%.

O destaque continua sendo o etanol de milho. Em junho, esse segmento respondeu por 20,98% da produção total, com 796,13 milhões de litros, alta de 8,4%.

Desde o início da safra, a produção de etanol de milho já soma 2,39 bilhões de litros, crescimento de 9,96%, reforçando a expansão desse modelo produtivo, principalmente nos estados do Centro-Oeste.

Mix industrial favorece o etanol

Os números da UNICA também mostram que as usinas ampliaram a destinação da cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

Esse movimento acompanha a maior atratividade do mercado de combustíveis, sustentado pela demanda doméstica, competitividade frente à gasolina e expansão da capacidade industrial voltada ao biocombustível.

Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade de matéria-prima decorrente das condições climáticas e do ritmo da colheita reduziu a oferta de açúcar no Centro-Sul.

Perspectivas para o setor sucroenergético

O desempenho da safra indica um cenário de maior protagonismo do etanol na matriz energética brasileira.

Caso a demanda permaneça firme nos próximos meses, o setor deverá continuar priorizando a produção de biocombustíveis, enquanto o mercado internacional acompanhará os efeitos da menor oferta de açúcar sobre os preços globais.

A evolução da moagem, das condições climáticas e do comportamento do mercado de combustíveis continuará sendo determinante para definir o equilíbrio entre açúcar e etanol ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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