Publicado em: 14/04/2026 às 13:40hs
O mercado de etanol hidratado no estado de São Paulo iniciou a safra 2026/27 com aumento na oferta do biocombustível. O movimento é resultado do avanço da moagem da cana-de-açúcar em algumas usinas e do início das operações em outras unidades produtoras.
Diante desse cenário, vendedores ampliaram a disponibilidade do produto no mercado, motivados pelo receio de quedas mais intensas nos preços. Como consequência, as cotações registraram recuos diários em todas as regiões produtoras paulistas, conforme levantamento do Cepea.
Mesmo com interrupções pontuais na moagem provocadas por chuvas na semana anterior, o movimento de queda nos preços não foi contido. A previsão de clima seco nos próximos dias deve favorecer a continuidade das atividades e manter o ritmo de oferta elevado.
Do lado da demanda, compradores chegaram a recompor estoques de forma pontual, após semanas de aquisições reduzidas. Ainda assim, o volume de negócios envolvendo etanol hidratado permaneceu limitado.
As distribuidoras seguem atuando com cautela, priorizando negociações pontuais e evitando grandes volumes, o que contribui para a manutenção de um ritmo mais lento no mercado.
O mercado também acompanha a possibilidade de um mix mais direcionado à produção de etanol ao longo da safra 2026/27. A tendência é influenciada pela queda nos preços do açúcar no mercado internacional e por um dólar em patamares mais baixos, fatores que reduzem a competitividade da produção açucareira.
Em março, o etanol desempenhou papel relevante no mercado de combustíveis ao suavizar os impactos da alta do petróleo no cenário internacional.
Enquanto a gasolina apresentou aumento nas bombas, passando de R$ 6,30 para R$ 6,78 por litro, o etanol hidratado teve variação mais moderada, de R$ 4,61 para R$ 4,70 por litro, mantendo-se competitivo.
A paridade entre os combustíveis ficou em 69,3% na primeira semana de abril, abaixo do limite técnico de 73%, o que reforça a vantagem econômica do etanol para o consumidor.
Mesmo com estabilidade nos preços nas refinarias, a gasolina foi pressionada por custos ao longo da cadeia de distribuição. Já o etanol manteve sua competitividade, sustentado pela produção interna e pela expectativa de uma safra recorde em 2026.
No campo, os preços do biocombustível registraram leve recuo em março, passando de R$ 2,94 para R$ 2,89 por litro em São Paulo.
O uso do etanol também contribuiu para reduzir a dependência do Brasil em relação à importação de combustíveis fósseis.
Sem o biocombustível, o país teria que importar cerca de 2,3 bilhões de litros de gasolina apenas em março, o que representaria um custo adicional superior a R$ 2,2 bilhões.
Ao considerar a economia direta ao consumidor e os gastos evitados com importações, o impacto positivo do etanol superou R$ 2,5 bilhões no período.
De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), o desempenho do etanol é resultado de políticas públicas e investimentos estruturais realizados ao longo das últimas décadas.
Entre os principais fatores estão a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, além de programas como Combustível do Futuro, Mover e o fortalecimento do RenovaBio.
Segundo o presidente-executivo da entidade, Evandro Gussi, essas iniciativas permitiram ampliar a capacidade produtiva do setor e garantir maior resiliência frente às oscilações do mercado internacional, contribuindo para a proteção do consumidor brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias