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Etanol

Demanda por etanol reage no Brasil e preços podem subir, aponta BTG Pactual

Após quase quatro meses com vantagem econômica sobre a gasolina, consumo de etanol hidratado começa a responder, enquanto estoques permanecem abaixo da média histórica


Publicado em: 17/08/2026 às 16:00hs

Demanda por etanol reage no Brasil e preços podem subir, aponta BTG Pactual

A demanda por etanol hidratado começa a dar sinais de recuperação no Brasil após quase quatro meses em que o biocombustível apresentou vantagem econômica nas bombas para consumidores de veículos flex. A avaliação é do BTG Pactual, que projeta espaço para uma alta nos preços do etanol nos próximos meses.

Segundo análise do banco, a combinação entre preços competitivos e redução dos estoques indica que o motorista brasileiro já começa a alterar seu comportamento de abastecimento. O movimento pode abrir espaço para uma recuperação dos preços do biocombustível.

Estoques de etanol ficam abaixo da média histórica

Um dos principais indicadores observados pelo BTG é a relação entre os estoques de etanol e o consumo acumulado em 12 meses.

No fim de junho, o volume armazenado correspondia a 11,8% da demanda anual pelo biocombustível, abaixo da média histórica de 10 anos para o período, estimada em 14%.

Apesar de ainda estar acima do nível registrado em junho de 2025, quando a relação era de 8,9%, o indicador reforça a percepção de que o consumo vem absorvendo parte da oferta disponível.

Naquele período, o etanol hidratado era comercializado nas bombas por aproximadamente 66% do preço da gasolina, condição considerada bastante favorável para os proprietários de veículos flex.

Consumo começa a responder aos preços mais competitivos

Em relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o BTG estima que a relação entre estoques e consumo no fim de julho tenha alcançado 14,2%.

Mesmo com a alta em relação a junho, o indicador ainda estaria abaixo da média histórica de aproximadamente 20% para o período.

O banco destaca que o comportamento do consumidor diante de mudanças na relação de preços entre etanol e gasolina não ocorre de forma imediata.

Dados históricos analisados pelos especialistas indicam que o motorista brasileiro de veículos flex leva, em média, cerca de 100 dias para apresentar uma mudança mais significativa no consumo após o etanol se tornar economicamente mais vantajoso.

Até o momento da análise, já haviam transcorrido 98 dias com o etanol hidratado apresentando uma relação de preço considerada favorável, próxima de 65% do valor da gasolina.

“Os dados de estoques sugerem que a resposta da demanda está começando”, avaliaram os analistas do BTG.

Etanol pode subir R$ 0,35 por litro

Com a recuperação da demanda, o BTG Pactual vê espaço para uma valorização do preço do etanol hidratado.

Segundo o banco, o biocombustível precisaria subir aproximadamente R$ 0,35 por litro para retornar à relação de preços observada com a gasolina um ano atrás.

Os analistas também avaliam que não seria surpreendente uma alta ainda mais expressiva, levando a relação entre os preços do etanol e da gasolina para um patamar superior a 66%.

Esse movimento poderia reduzir gradualmente a vantagem econômica do etanol nas bombas, mas ocorreria em um contexto de recuperação do consumo e de estoques ainda relativamente ajustados.

Ações do setor seguem com recomendação neutra

Apesar da perspectiva de valorização do etanol, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para as ações das empresas do setor.

Entre as companhias acompanhadas pelo banco estão São Martinho, Jalles, Adecoagro e 3tentos.

A avaliação mostra que a recuperação da demanda por etanol pode melhorar o cenário operacional das empresas, mas o banco ainda considera necessário acompanhar a evolução dos preços, dos estoques e da relação de competitividade com a gasolina.

O que pode movimentar o mercado de etanol
  • Demanda: consumo começa a reagir após meses de vantagem econômica do etanol.
  • Estoques: relação com a demanda permanece abaixo da média histórica.
  • Preços: BTG estima potencial de alta de R$ 0,35 por litro.
  • Gasolina: relação de preços continuará determinante para a escolha do consumidor.
  • Mercado acionário: BTG mantém recomendação neutra para empresas do segmento.

A combinação entre etanol competitivo, resposta gradual do consumidor e estoques abaixo das médias históricas coloca o mercado brasileiro diante de uma possível mudança de cenário. Se a demanda continuar avançando, os preços do biocombustível poderão ganhar força ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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