Biodiesel acima do B15 pode reduzir risco de falta de diesel no Brasil, afirma APROBIO
Entidade defende o uso voluntário de teores superiores à mistura obrigatória e propõe adoção do B17 para diminuir importações e reforçar a segurança energética
Publicado em: 21/09/2026 às 11:55hs
O uso de biodiesel em percentuais superiores à mistura obrigatória de 15%, conhecida como B15, pode ajudar o Brasil a enfrentar eventuais restrições no abastecimento de diesel. A avaliação é da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO), que também defende a adoção do B17 como estratégia para reduzir a dependência do combustível fóssil importado.
A proposta ganhou relevância após a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) relatar atrasos e limitações na entrega de diesel a produtores rurais. A situação preocupa especialmente por ocorrer durante o início do plantio da safra de verão, período de maior demanda por combustível nas propriedades.
Segundo a APROBIO, a ampliação da participação do biodiesel permitiria utilizar uma alternativa renovável disponível no mercado interno, com efeitos sobre a segurança energética, a atividade industrial e a geração de renda no campo.
ANP atualiza regras para uso voluntário de biodiesel
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atualizou as normas que disciplinam o uso voluntário de biodiesel em percentuais superiores ao B15.
De acordo com a APROBIO, a utilização desses teores não depende mais de autorização prévia da agência reguladora. Os interessados precisam comunicar a operação à ANP e cumprir as exigências técnicas aplicáveis.
O uso voluntário pode alcançar diferentes segmentos, como:
- transporte público;
- transporte ferroviário;
- navegação interior e marítima;
- frotas cativas;
- equipamentos destinados à extração mineral;
- geração de energia elétrica;
- tratores e outras máquinas agrícolas.
A flexibilização cria uma alternativa para empresas, cooperativas, produtores rurais e operadores de frotas que pretendam aumentar o consumo de biodiesel e reduzir a exposição ao diesel fóssil.
Restrições na oferta preocupam produtores rurais
A dependência brasileira do diesel importado representa uma vulnerabilidade para setores que necessitam de fornecimento contínuo, como agricultura, transporte e geração de energia.
No campo, interrupções ou atrasos nas entregas podem comprometer operações de preparo do solo, semeadura, aplicação de insumos e colheita. O risco aumenta nos períodos de maior movimentação das máquinas agrícolas, quando o consumo cresce simultaneamente em diferentes regiões produtoras.
Para a APROBIO, os relatos apresentados pela Farsul reforçam a necessidade de ações preventivas. A entidade considera que o biodiesel produzido no país pode contribuir para reduzir o impacto de choques externos sobre o abastecimento doméstico.
APROBIO defende adoção imediata do B17
Além do uso voluntário acima do percentual obrigatório, a associação propõe que o governo federal avance na adoção do B17, elevando de 15% para 17% a participação do biodiesel no diesel comercializado nacionalmente.
“Outro caminho para reduzir os riscos é que o governo federal avance na ampliação do uso do biodiesel com a implementação imediata do B17, elevando a mistura para reduzir a dependência internacional como parte da solução”, afirma o presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen.
Segundo o dirigente, a cadeia produtiva está mobilizando recursos para acelerar os testes necessários à ampliação da mistura.
O governo federal já conduz avaliações com percentuais de até B25. Os estudos analisam aspectos como desempenho, durabilidade e segurança dos motores e equipamentos abastecidos com teores mais elevados de biodiesel.
A associação defende que os laudos técnicos disponíveis sejam apresentados e que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) seja convocado para avaliar a adoção do B17.
B17 poderia substituir até quatro navios de diesel por mês
O Brasil importa atualmente entre 20 e 25 carregamentos marítimos de diesel por mês, segundo os dados apresentados pela APROBIO. Para setembro, a previsão citada pela entidade é de aproximadamente 838 mil metros cúbicos de combustível importado.
A associação estima que cerca de 80% desse volume tenha origem nos Estados Unidos. Nesse contexto, ampliar a mistura de B15 para B17 acrescentaria aproximadamente 125 mil metros cúbicos mensais de biodiesel nacional ao consumo brasileiro.
Esse volume seria suficiente, conforme os cálculos da APROBIO, para substituir a importação mensal de três a quatro navios de diesel.
Produção nacional pode fortalecer agricultura e indústria
A redução das importações teria reflexos além do mercado de combustíveis. A cadeia do biodiesel está conectada à produção agrícola, à agricultura familiar, ao processamento de matérias-primas e à atividade industrial.
“A indústria nacional possui ampla capacidade produtiva e regulamentação adequada para garantir o suprimento contínuo de biodiesel e impulsionar a economia sem depender de choques externos”, afirma Goergen.
Para o dirigente, o avanço para misturas superiores também representa uma estratégia de soberania energética. “A transição para teores mais elevados representa uma estratégia soberana para assegurar o abastecimento e promover o desenvolvimento industrial do país”, acrescenta.
Na avaliação da APROBIO, a combinação entre o uso voluntário acima do B15 e a eventual adoção obrigatória do B17 pode reduzir a exposição do Brasil às oscilações internacionais, aumentar a demanda por matérias-primas nacionais e oferecer maior previsibilidade ao abastecimento de produtores rurais e demais consumidores de diesel.
Fonte: Portal do Agronegócio
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