Selic deve permanecer em 14% até o fim de 2026 e manter crédito rural caro, aponta Rabobank
Projeção do banco reforça cenário de juros elevados, pressionando o financiamento do agronegócio, os investimentos no campo e o custo de produção da safra 2026/27
Publicado em: 15/07/2026 às 10:20hs
A política monetária brasileira deve continuar impondo desafios ao agronegócio nos próximos meses. Segundo as projeções atualizadas do Rabobank, a taxa Selic deverá encerrar 2026 em 14% ao ano, permanecendo em um dos maiores patamares das últimas décadas e mantendo elevado o custo do crédito para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.
Embora a inflação tenha apresentado sinais de desaceleração nos últimos meses, os economistas avaliam que o Banco Central deverá manter uma postura cautelosa diante das incertezas fiscais, do cenário internacional e das pressões que ainda persistem sobre os preços da economia.
Para o agronegócio, a manutenção dos juros elevados significa financiamentos mais caros, maior seletividade dos bancos na concessão de crédito e necessidade de planejamento financeiro ainda mais rigoroso para a safra 2026/27.
Juros elevados continuam sendo um dos principais desafios do setor
Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro conviveu com uma forte elevação dos custos financeiros.
Além da alta dos fertilizantes, combustíveis, defensivos e máquinas agrícolas, produtores passaram a enfrentar um aumento significativo nas taxas cobradas em operações de:
- custeio agrícola;
- investimento;
- armazenagem;
- aquisição de máquinas;
- capital de giro;
- comercialização.
Segundo o Rabobank, mesmo com expectativa de alguma flexibilização monetária no médio prazo, a Selic deverá permanecer em 14% durante o encerramento de 2026, caindo apenas em ritmo gradual ao longo de 2027.
Crédito rural continua mais caro
O comportamento da Selic influencia praticamente todas as modalidades de financiamento da economia.
Embora parte do crédito rural conte com recursos controlados e taxas subsidiadas, uma parcela crescente dos financiamentos do agronegócio depende do mercado privado.
Entre eles estão:
- CPRs;
- CRAs;
- Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs);
- operações bancárias livres;
- financiamentos estruturados;
- mercado de capitais.
Com juros elevados, essas operações tendem a apresentar custos maiores, reduzindo a capacidade de investimento das empresas rurais.
Produtores devem reforçar planejamento financeiro
Especialistas destacam que o atual cenário exige maior atenção ao planejamento financeiro das propriedades.
Entre as principais recomendações estão:
- antecipar negociações de crédito;
- avaliar oportunidades de barter;
- revisar custos operacionais;
- alongar dívidas quando possível;
- utilizar instrumentos de proteção financeira.
A gestão eficiente do fluxo de caixa passa a ser um diferencial importante em períodos de juros elevados.
Investimentos podem perder ritmo
Outro efeito esperado da manutenção da Selic em níveis elevados é a desaceleração dos investimentos privados.
Projetos relacionados à:
- irrigação;
- construção de armazéns;
- aquisição de tratores;
- compra de colheitadeiras;
- expansão da produção;
- implantação de novas tecnologias
- podem ser adiados diante do aumento do custo do capital.
Essa situação tende a afetar principalmente produtores que dependem de financiamentos bancários para ampliar suas operações.
Inflação menor ainda não garante queda rápida dos juros
Apesar da desaceleração recente do IPCA, o Rabobank avalia que ainda existem fatores capazes de manter o Banco Central em posição conservadora.
Entre eles destacam-se:
- inflação de serviços;
- incertezas fiscais;
- valorização do petróleo;
- tensões geopolíticas;
- comportamento do câmbio.
Esses fatores podem limitar a velocidade de redução da Selic ao longo dos próximos trimestres.
Mercado acompanha trajetória da curva de juros
Além da Selic, investidores monitoram diariamente o comportamento da curva futura de juros.
Os contratos negociados na B3 refletem as expectativas para a política monetária e influenciam diretamente o custo de financiamentos de longo prazo.
O relatório do Rabobank mostra que os juros futuros continuam indicando um ambiente de taxas relativamente elevadas, embora inferiores aos picos observados anteriormente.
Essa precificação será determinante para o mercado de crédito durante o segundo semestre.
Agronegócio segue resiliente apesar dos custos financeiros
Mesmo diante de um cenário de crédito mais caro, o agronegócio brasileiro continua apresentando fundamentos sólidos.
A demanda global por alimentos, a competitividade das exportações e a recuperação de diversas commodities ajudam a sustentar a rentabilidade de importantes cadeias produtivas.
Além disso, um dólar em patamar competitivo pode compensar parte do aumento dos custos financeiros para produtores voltados ao mercado externo.
Plano Safra ganha importância estratégica
Em um ambiente de juros elevados, os recursos do Plano Safra tornam-se ainda mais relevantes para o setor.
As linhas com taxas equalizadas pelo governo continuam oferecendo condições mais favoráveis que aquelas disponíveis no mercado privado, principalmente para pequenos e médios produtores.
No entanto, a crescente demanda por crédito subsidiado exige maior eficiência na distribuição dos recursos e atenção ao volume disponível ao longo da safra.
Perspectivas para 2026 e 2027
O Rabobank projeta que a política monetária brasileira continuará sendo conduzida com cautela, mantendo a Selic em 14% no fim de 2026, com redução gradual ao longo de 2027, caso a inflação continue convergindo para a meta e o ambiente internacional permaneça relativamente estável.
Para o agronegócio, o cenário reforça a importância da gestão financeira, da eficiência operacional e do planejamento de investimentos. Em um contexto de crédito mais seletivo e custos financeiros elevados, produtores que adotarem estratégias de proteção de caixa, diversificação de fontes de financiamento e maior controle de despesas estarão mais preparados para aproveitar as oportunidades do mercado, mantendo a competitividade mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
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