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Mercado Financeiro

Selic ainda pesa no bolso do produtor rural, apesar de novo corte nos juros

Redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica tem impacto limitado sobre o custo do crédito e não elimina os efeitos do longo ciclo de juros elevados no agronegócio


Publicado em: 21/09/2026 às 09:30hs

Selic ainda pesa no bolso do produtor rural, apesar de novo corte nos juros

O novo corte da Selic para 13,75% ao ano representa um alívio pontual para empresas e produtores rurais, mas ainda está longe de provocar uma mudança significativa no custo do crédito para o agronegócio brasileiro. A avaliação é de Amanda Coura, fundadora da consultoria Zera, para quem o ambiente financeiro continua restritivo mesmo diante da redução da taxa básica de juros.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) é interpretada como um movimento de calibragem dentro de um cenário em que as taxas de juros permanecem elevadas. Para o setor agropecuário, caracterizado pela elevada necessidade de capital e por ciclos produtivos mais longos, o efeito prático sobre as despesas financeiras tende a ser limitado.

Corte da Selic tem efeito pequeno sobre dívidas elevadas

Segundo Amanda Coura, a trajetória futura dos juros continua apontando para taxas elevadas nos próximos anos. Entre os fatores considerados pelo mercado estão as incertezas econômicas e a ausência de sinais considerados mais consistentes de compromisso fiscal e de estabilização da dívida pública.

Na prática, a redução de 0,25 ponto percentual produz um impacto relativamente pequeno para empresas com grandes volumes de dívida.

Em uma dívida de R$ 100 milhões indexada ao CDI, por exemplo, uma redução de 0,25 ponto percentual representa uma economia aproximada de R$ 250 mil por ano no custo financeiro, considerando apenas o efeito sobre a taxa-base.

Embora o valor seja expressivo em termos absolutos, a redução corresponde a aproximadamente 1,8% da despesa anual com juros nesse exemplo. Além disso, operações de crédito normalmente incluem spreads bancários, o que faz com que o impacto proporcional do corte sobre o custo total da dívida seja ainda menor.

Juros altos acumulam pressão sobre o caixa

Para a fundadora da Zera, o principal problema está menos no efeito isolado do último corte e mais nas consequências acumuladas de um longo período de dinheiro caro.

Empresas e produtores que precisam renovar ou renegociar dívidas antigas podem acabar contratando novos financiamentos em condições mais onerosas. Com isso, as despesas financeiras aumentam e passam a consumir uma parcela maior da geração de caixa.

Esse processo pode comprometer indicadores importantes para as empresas, como:

  • margem operacional;
  • geração de caixa;
  • liquidez;
  • capacidade de pagamento;
  • capacidade de investimento;
  • planejamento financeiro.

A situação se torna ainda mais desafiadora quando o custo financeiro elevado ocorre simultaneamente a uma atividade econômica com menor ritmo de crescimento e a receitas que não acompanham a expansão das despesas.

Agronegócio sente impacto com mais intensidade

No agronegócio, os efeitos dos juros elevados ganham importância devido às características estruturais da atividade.

O setor exige capital para custear operações, aquisição de máquinas e equipamentos, formação de lavouras, compra de insumos, armazenagem e comercialização. Ao mesmo tempo, produtores e empresas estão sujeitos a ciclos mais longos e a fatores que não podem ser controlados, como preços das commodities, produtividade e condições climáticas.

Quando esse cenário é combinado com despesas financeiras elevadas, a pressão sobre o resultado das operações tende a aumentar.

Para Amanda Coura, a gestão financeira passa a ter papel ainda mais estratégico nesse ambiente. O planejamento dos vencimentos das dívidas, a administração dos riscos e a manutenção de uma posição de caixa mais robusta tornam-se elementos importantes para atravessar períodos de maior restrição de crédito.

Crédito rural ainda exige planejamento

Apesar da redução da Selic, o ambiente financeiro continua exigindo cautela de produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio.

O corte representa um alívio marginal no custo do dinheiro, mas não é suficiente, isoladamente, para reverter a pressão provocada pelo longo período de juros elevados.

Para negócios com elevado grau de endividamento, portanto, o desafio permanece concentrado na administração do passivo, no controle das despesas financeiras e na capacidade de preservar liquidez.

No campo, onde as decisões de investimento precisam considerar ciclos produtivos, preços agrícolas e riscos climáticos, a estrutura financeira ganha ainda mais relevância.

A avaliação de Amanda Coura é de que, enquanto o custo do crédito permanecer elevado, gestão de riscos, planejamento dos vencimentos e manutenção de caixa continuam sendo ferramentas essenciais para produtores e empresas do agronegócio.

O novo corte da Selic pode reduzir marginalmente o peso dos juros, mas o custo do crédito rural ainda permanece distante de um nível considerado confortável para o setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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