Café reage nas bolsas: arábica supera 280 cents e robusta sobe 1,64% em Londres
Mercado tenta recuperar perdas no início de novembro, após outubro de forte volatilidade; estoques baixos, clima e câmbio seguem no centro das negociações
Publicado em: 05/11/2026 às 11:40hs
Os preços futuros do café operavam em alta na manhã desta quinta-feira (5), com recuperação moderada do arábica em Nova York e ganhos mais expressivos do robusta em Londres. O movimento ocorre após duas sessões consecutivas de perdas para o arábica, em um mercado dividido entre estoques certificados reduzidos e expectativas de maior disponibilidade nas principais origens produtoras.
No Brasil, o comportamento das bolsas e do dólar continua influenciando as negociações. Segundo o Cepea, os preços domésticos do arábica encerraram outubro praticamente estáveis, apesar das fortes oscilações registradas ao longo do mês.
Arábica tenta recuperação após queda de 4,23% em dois pregões
Por volta das 8h31, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 280,80 cents por libra-peso na ICE Futures US, avanço de 1,05 cent, equivalente a 0,38%.
Os demais vencimentos também subiam. Março/27 avançava 1,45 cent, para 272,35 cents por libra-peso; maio/27 ganhava 1,05 cent, a 268,20 cents; e julho/27 registrava alta de 0,85 cent, cotado a 265,60 cents.
A reação sucedia uma queda acumulada de 4,23% nos dois pregões anteriores. Na quarta-feira (4), dezembro/26 recuou 1,48%, encerrando a 279,75 cents por libra-peso, depois de perder 2,79% na terça-feira.
Durante a sessão de quarta, o contrato chegou a 277,40 cents. Mesmo com a recuperação desta manhã, as cotações permaneciam próximas das menores referências das últimas semanas.
Robusta amplia alta e chega a US$ 3.281 por tonelada
Em Londres, o café robusta apresentava valorização mais intensa. Por volta das 8h34, o contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.281 por tonelada, aumento de US$ 53, ou 1,64%.
Março/27 subia US$ 45, para US$ 3.253 por tonelada. Maio/27 avançava US$ 38, a US$ 3.238, enquanto julho/27 ganhava US$ 33, cotado a US$ 3.223.
O movimento dava continuidade à recuperação de quarta-feira, quando janeiro/27 fechou a US$ 3.228 por tonelada, alta de 0,56%. Análises internacionais atribuíram parte daquela reação à recompra de posições vendidas.
Outubro teve forte oscilação, mas estabilidade no mercado brasileiro
Pesquisadores do Cepea apontam que fatores de oferta, clima e câmbio atuaram em direções diferentes sobre o arábica durante outubro.
As chuvas nas regiões produtoras brasileiras favoreceram as floradas da safra 2027/28, enquanto o ritmo elevado dos embarques nacionais reforçou a percepção de disponibilidade de café. Esses fatores pressionaram as cotações em determinados momentos.
Em contrapartida, preocupações com os efeitos do El Niño sobre a próxima produção brasileira, informações de menor safra na Colômbia e a lenta recomposição dos estoques certificados em Nova York ofereceram sustentação aos preços.
A valorização do dólar frente ao real no fim de outubro também contribuiu para as altas domésticas, ajudando a manter as referências do arábica praticamente estáveis no encerramento do mês.
Estoques de arábica próximos de 220 mil sacas sustentam atenção
A disponibilidade de café certificado para entrega nos contratos futuros permanece entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.
Em Nova York, os estoques de arábica estavam próximos de 220 mil sacas no levantamento divulgado nesta semana, perto dos menores níveis em quase três décadas.
O volume reduzido pode oferecer sustentação às cotações. Ao mesmo tempo, operadores monitoram a chegada de café brasileiro aos armazéns credenciados da ICE para classificação.
A aprovação desses lotes poderá ampliar os estoques disponíveis para entrega, tornando o ritmo de certificação relevante para a formação dos preços.
Dólar tem efeitos distintos sobre bolsas e mercado físico
O câmbio continua decisivo para os cafeicultores brasileiros. A valorização da moeda norte-americana pode sustentar os preços em reais, mas também aumenta a competitividade das exportações do Brasil.
No mercado internacional, a perspectiva de maior oferta brasileira para venda foi apontada por analistas como um dos fatores de pressão sobre o arábica nos últimos pregões.
Por isso, a alta nas bolsas não se traduz automaticamente em valorização equivalente no mercado físico. O resultado das negociações também depende do dólar, dos diferenciais comerciais e da qualidade dos lotes.
Colheita no Vietnã e chuvas no Brasil orientam perspectivas
Para o robusta, o avanço da colheita vietnamita segue como referência importante de oferta. A entrada da nova safra do principal produtor mundial da variedade tende a ampliar a disponibilidade internacional.
Os operadores também acompanham as exportações do Vietnã e os estoques certificados em Londres.
No Brasil, a distribuição das chuvas nas regiões cafeeiras permanece no radar diante das expectativas para a próxima temporada. A combinação entre clima, embarques e recomposição dos estoques deverá orientar a continuidade da recuperação iniciada nesta quinta-feira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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