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Análise de Mercado

Acordo Mercosul-União Europeia pode gerar US$ 208 milhões extras por ano em exportações de Goiás

Estudo da Fieg aponta carnes, açúcar e etanol entre os principais beneficiados; ganhos dependem da redução gradual de barreiras e do atendimento às exigências europeias


Publicado em: 05/11/2026 às 11:35hs

Acordo Mercosul-União Europeia pode gerar US$ 208 milhões extras por ano em exportações de Goiás

O acordo Mercosul-União Europeia pode acrescentar cerca de US$ 208 milhões por ano às exportações de Goiás, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A projeção considera a implementação integral das concessões comerciais analisadas e identifica na agroindústria algumas das principais oportunidades de expansão.

Elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial da entidade, o levantamento destaca carnes bovina e de frango, açúcar e etanol entre os produtos com maior potencial de crescimento no mercado europeu.

Os resultados, porém, não representam ganhos imediatos ou garantidos. A Fieg ressalta que o aproveitamento das oportunidades depende dos cronogramas de redução tarifária, das cotas disponíveis, das condições de demanda e da capacidade das empresas de cumprir os requisitos de acesso ao bloco.

Agroindústria concentra oportunidades de exportação

O estudo analisou detalhadamente 40 produtos para estimar os efeitos da redução de barreiras comerciais. Nesse grupo, o potencial adicional de exportações anuais varia de US$ 64,9 milhões a US$ 86,6 milhões, após a aplicação integral das concessões consideradas.

Seis produtos ligados às cadeias de carnes, açúcar e etanol concentram aproximadamente 95% desse potencial, com ganhos estimados entre US$ 61,7 milhões e US$ 82,2 milhões por ano.

O levantamento também identifica oportunidades para milho doce, couros, gelatinas, lecitinas, miudezas bovinas, derivados de milho e preparações para alimentação animal.

Segundo a Fieg, a concentração dos maiores ganhos nesses segmentos reflete tanto a relevância da agroindústria na economia goiana quanto as barreiras atualmente enfrentadas por parte desses produtos no mercado europeu.

Como a Fieg chegou à projeção de US$ 208 milhões

Para estimar o impacto mais amplo sobre as vendas externas estaduais, a entidade combinou os cálculos dos produtos selecionados com hipóteses de expansão para outros segmentos da pauta exportadora.

A projeção anual foi distribuída em três grupos:

  • US$ 87 milhões em exportações adicionais dos 40 produtos analisados;
  • US$ 43 milhões de outros produtos industriais não incluídos no cálculo detalhado;
  • US$ 78 milhões de commodities agrícolas e minerais.

A soma resulta em aproximadamente US$ 208 milhões por ano. A Fieg classifica o exercício como uma aproximação, já que o desempenho de cada produto depende de condições comerciais específicas.

O estudo também alerta que o crescimento estimado para os itens selecionados não deve ser aplicado automaticamente a toda a pauta goiana. Algumas commodities já enfrentam poucas barreiras tarifárias, enquanto produtos ainda pouco exportados podem encontrar oportunidades difíceis de quantificar.

Carnes, açúcar e etanol têm condições distintas de acesso

Os benefícios do acordo variam conforme o produto. Em setores sujeitos a cotas, a redução de tarifas pode melhorar a competitividade sem provocar, necessariamente, um aumento proporcional dos volumes embarcados.

Para a carne bovina, a análise destaca que parte do efeito esperado está na redução do custo de entrada no mercado europeu. O estudo utiliza uma estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) de crescimento de cerca de 6% ao ano, por pelo menos cinco anos, como referência para seus cálculos.

No caso da carne de frango, a Fieg projeta possibilidade de acréscimo de aproximadamente 2 mil toneladas nas exportações goianas quando a cota considerada estiver integralmente implementada.

Para o açúcar, o levantamento estima expansão de 15% nos embarques estaduais, equivalente a cerca de 3 mil toneladas, dentro das premissas adotadas.

Esses números são projeções do estudo e dependem da utilização das condições comerciais previstas para cada cadeia.

Redução de tarifas não elimina exigências sanitárias e ambientais

A Fieg ressalta que preços mais competitivos, isoladamente, não asseguram acesso ao consumidor europeu. Requisitos sanitários, fitossanitários, técnicos e ambientais continuam determinantes para as exportações.

Para as cadeias agroindustriais, isso envolve capacidade de comprovar a origem dos insumos, manter controles documentais e atender aos padrões exigidos pelos compradores e pelas autoridades do bloco.

O levantamento também aborda a relação entre o acordo e o Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR). Embora sejam instrumentos distintos, a entidade destaca que as exigências de rastreabilidade e comprovação de conformidade ambiental podem influenciar o aproveitamento das oportunidades comerciais.

Nesse contexto, o estudo recomenda atenção aos sistemas de acompanhamento de fornecedores, à documentação da cadeia produtiva e às mudanças regulatórias europeias.

Pequenas e médias empresas podem ampliar presença na Europa

Além das cadeias já consolidadas, a análise identifica espaço para empresas que exportam pouco ou ainda não acessam o mercado europeu.

Segundo a Fieg, mecanismos de informação e facilitação comercial podem ajudar pequenos e médios negócios a compreender procedimentos, exigências e oportunidades de venda.

O levantamento defende ações de capacitação e acompanhamento dos impactos setoriais. Também aponta a importância de orientar as empresas sobre classificação dos produtos, regras de origem, cronogramas tarifários e condições de utilização das cotas.

Abertura comercial também aumenta pressão competitiva

O acordo amplia as possibilidades de exportação, mas também exige preparação para a concorrência de fornecedores europeus no mercado brasileiro.

A entidade destaca a necessidade de acompanhar o comportamento das importações e os efeitos sobre os diferentes segmentos industriais de Goiás.

Para transformar o potencial estimado em receita, o estudo aponta como fatores decisivos o planejamento comercial, a adequação dos produtos e o cumprimento das exigências do mercado europeu. Na agroindústria, a combinação entre competitividade, qualidade e rastreabilidade será central para ampliar os embarques.

Fonte: Portal do Agronegócio

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