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Soja

Soja reage em Chicago após três quedas e sobe em Mato Grosso; chuvas limitam plantio no Sul

Portos brasileiros mantêm referências entre R$ 159 e R$ 161 por saca, enquanto mercado acompanha vendas dos EUA e projeções de oferta para a safra 2026/27


Publicado em: 05/11/2026 às 11:30hs

Soja reage em Chicago após três quedas e sobe em Mato Grosso; chuvas limitam plantio no Sul
Foto: Aprosoja MT

Os preços da soja ensaiavam recuperação na Bolsa de Chicago na manhã desta quinta-feira (5), após três sessões consecutivas de perdas. No Brasil, o mercado físico mantém comportamento distinto entre as regiões: as referências permanecem estáveis nos principais portos do Sul, enquanto Mato Grosso registra valorização.

Segundo a TF Agroeconômica, as quedas recentes do dólar e dos contratos internacionais ainda não foram repassadas de forma uniforme às cotações domésticas. Ao mesmo tempo, as chuvas dificultam o plantio e o manejo em parte das lavouras, exigindo atenção ao calendário e aos custos da safra.

Soja em Chicago tenta recuperar perdas de novembro

Por volta das 8h28, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 era negociado a US$ 11,9850 por bushel, alta de 5,50 cents em relação ao ajuste anterior.

O vencimento janeiro de 2027 avançava para US$ 12,0650 por bushel. Março de 2027 subia 3,50 cents, para US$ 12,1350, enquanto maio de 2027 também ganhava 3,50 cents, cotado a US$ 12,2300.

A reação ocorre depois de o janeiro encerrar a quarta-feira (4) a US$ 12,0225 por bushel, com queda de 11,75 cents. Durante aquela sessão, o contrato chegou à mínima de US$ 11,9875.

Apesar da melhora na abertura desta quinta-feira, os futuros ainda acumulam perdas no início de novembro, sob influência das perspectivas de oferta e dos ajustes nas posições dos investidores.

Mercado aguarda vendas de soja dos Estados Unidos

A demanda internacional está entre os principais pontos de atenção. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga nesta quinta-feira o relatório semanal de vendas para exportação.

Segundo levantamento da Reuters repercutido pelo Barchart, as expectativas para os negócios da safra 2026/27 variam de 950 mil a 2,5 milhões de toneladas, referentes à semana encerrada em 29 de outubro.

Na quarta-feira, o USDA confirmou uma venda privada de 167 mil toneladas para a Espanha. O anúncio se somou às operações divulgadas no início da semana: 136 mil toneladas para a China e 134 mil toneladas para destinos não revelados, todas destinadas à temporada comercial 2026/27.

Conforme informações do Barchart, as exportações norte-americanas de soja alcançaram 3,655 milhões de toneladas em setembro, aumento de 22,93% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Projeções de oferta elevada seguem no radar

Mesmo com os sinais de demanda, as estimativas de produção continuam influenciando as negociações.

A StoneX projeta a safra norte-americana de soja 2026/27 em 4,725 bilhões de bushels, com produtividade média de 55 bushels por acre. Para o Brasil, a consultoria estima 184,95 milhões de toneladas.

O mercado aguarda o próximo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 10 de novembro, que poderá atualizar as referências oficiais para a produção dos Estados Unidos.

No Brasil, a confirmação do potencial produtivo dependerá da evolução das lavouras e da distribuição das chuvas. Segundo a AgRural, o plantio nacional chegou a 53% da área prevista até o fim de outubro, acima dos 47% registrados um ano antes.

Preço da soja permanece estável nos portos do Sul

No Rio Grande do Sul, a referência da soja disponível no porto de Rio Grande permaneceu em R$ 160 por saca, conforme a TF Agroeconômica.

Em Santa Catarina, São Francisco do Sul manteve indicação de R$ 161 por saca. No Paraná, Paranaguá repetiu R$ 159, enquanto Maringá ficou em R$ 152.

A estabilidade dessas referências contrasta com a pressão recente das bolsas e do câmbio. Para avaliar propostas, porém, o produtor precisa considerar o custo de transporte até o destino e os descontos previstos na negociação.

Mato Grosso registra valorização nas cinco praças acompanhadas

Em Mato Grosso, as cinco praças monitoradas pelo Imea apresentaram altas entre R$ 0,45 e R$ 0,55 por saca. Rondonópolis alcançou R$ 140,20, enquanto Sorriso chegou a R$ 134,40.

Em Mato Grosso do Sul, as indicações ficaram em R$ 145 por saca em Dourados, R$ 144 em Maracaju e R$ 142 em Chapadão do Sul.

As referências envolvem condições comerciais distintas. Frete, qualidade, local de entrega e prazo de pagamento podem alterar o resultado líquido e precisam ser considerados na comparação entre compradores.

Chuvas dificultam operações e desenvolvimento das lavouras

No Rio Grande do Sul, a Conab aponta 11% da área semeada, com a disponibilidade de umidade condicionando a entrada das máquinas.

Em Santa Catarina, o plantio atingiu 19,3%, mas a saturação dos solos e o atraso na colheita do trigo restringem o avanço da soja.

No Oeste do Paraná, 99,17% da área já foi plantada. Ainda assim, excesso de chuva, frio e baixa radiação solar retardam o desenvolvimento das plantas. Palotina registrou 167 milímetros de precipitação no último fim de semana.

Em Mato Grosso do Sul, a semeadura chegou a 68%, com as chuvas dificultando tanto a implantação das áreas restantes quanto os manejos preventivos.

Já em Mato Grosso, o plantio alcançou 90,8%, segundo a Conab, com bom desenvolvimento vegetativo na maior parte das lavouras.

A recuperação de Chicago melhora pontualmente a referência internacional, mas as oportunidades de venda no Brasil continuam vinculadas ao dólar, aos prêmios de exportação e às condições efetivas de cada negociação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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