Real supera moedas emergentes, mas Rabobank alerta para perda de força diante de riscos fiscais e cenário global
Moeda brasileira registra um dos melhores desempenhos entre emergentes, porém expectativa de queda dos juros, fortalecimento do dólar e incertezas geopolíticas podem pressionar o câmbio até o fim de 2026.
Publicado em: 15/07/2026 às 17:00hs
O real brasileiro voltou a chamar atenção no mercado financeiro internacional ao registrar um dos melhores desempenhos entre as moedas de países emergentes. No entanto, essa valorização pode não se sustentar ao longo dos próximos meses. A avaliação é do Rabobank, que aponta uma combinação de fatores externos e domésticos capazes de reduzir a atratividade da moeda brasileira e provocar uma nova alta do dólar até o encerramento de 2026.
Segundo a instituição, o dólar encerrou a última semana cotado a R$ 5,1086, refletindo uma valorização semanal de 1,2% do real, desempenho que colocou a moeda brasileira como a terceira mais forte entre 24 moedas emergentes monitoradas pelo banco.
Valorização do real pode perder sustentação
Apesar do resultado positivo recente, o Rabobank avalia que esse movimento tende a perder intensidade ao longo do segundo semestre. A principal razão é a expectativa de redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, diminuindo o fluxo de capital estrangeiro atraído pelas elevadas taxas brasileiras.
Outro fator relevante é a possibilidade de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas incertezas internacionais, especialmente após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que aumentaram a volatilidade dos mercados e elevaram os preços do petróleo.
Além do ambiente externo, o banco destaca que as preocupações com o quadro fiscal brasileiro e o avanço do calendário eleitoral também contribuem para aumentar a percepção de risco dos investidores.
Projeção aponta dólar em R$ 5,35 no fim do ano
Diante desse cenário, o Rabobank mantém sua projeção de que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,35, acima dos níveis observados atualmente.
A instituição considera que o mercado deverá conviver com fatores como:
- redução do diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas;
- recuperação gradual da moeda norte-americana;
- riscos fiscais domésticos;
- tensões geopolíticas;
- desaceleração das economias dos Estados Unidos e da China;
- possíveis mudanças na política monetária internacional.
Geopolítica volta ao centro das atenções
O relatório ressalta que a troca recente de ataques entre Estados Unidos e Irã reacendeu preocupações sobre a estabilidade do Oriente Médio, colocando em dúvida a manutenção do acordo provisório de paz firmado anteriormente.
Como consequência, os preços do petróleo voltaram a subir, aumentando as incertezas sobre inflação global e dificultando o trabalho dos bancos centrais na condução da política monetária.
Esse ambiente também amplia a volatilidade dos mercados cambiais, afetando especialmente economias emergentes, como o Brasil.
Agronegócio acompanha os impactos
Para o agronegócio brasileiro, a trajetória do câmbio permanece como um dos principais fatores de competitividade.
A valorização do real tende a reduzir a receita em reais das exportações agrícolas, enquanto um dólar mais forte favorece embarques de commodities como soja, milho, café, carnes, algodão e açúcar. Em contrapartida, uma moeda americana valorizada também eleva o custo de fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos importados, influenciando diretamente os custos de produção.
Além do câmbio, o setor segue atento ao comportamento dos preços internacionais das commodities e ao impacto das tensões geopolíticas sobre energia, logística e comércio global.
Mercado seguirá sensível aos próximos indicadores
Nas próximas semanas, investidores acompanharão de perto a divulgação de indicadores de atividade econômica no Brasil, além dos dados de inflação e emprego nos Estados Unidos, que poderão alterar as expectativas para os juros americanos e influenciar diretamente o comportamento do dólar.
Enquanto isso, o mercado continuará monitorando a evolução das contas públicas brasileiras, o cenário político e os desdobramentos dos conflitos internacionais, fatores que devem permanecer no centro das atenções ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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