Açúcar sobe nas bolsas internacionais e reage no mercado brasileiro com expectativa de maior demanda por etanol
Decisão de elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina impulsiona cotações do açúcar em Nova York, Londres e no mercado interno, enquanto preços do etanol seguem pressionados pela oferta.
Publicado em: 15/07/2026 às 11:30hs
O mercado global do açúcar encerrou a terça-feira (14) em trajetória positiva, refletindo a expectativa de aumento da demanda por etanol no Brasil após a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de ampliar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. A medida fortaleceu as cotações nas bolsas internacionais e também favoreceu a recuperação do açúcar cristal no mercado físico brasileiro.
Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo reforçou o movimento de alta ao aumentar a competitividade dos biocombustíveis frente aos combustíveis fósseis. Apesar do cenário favorável ao açúcar, o mercado segue atento às condições climáticas na Índia, cuja melhora nas chuvas limita ganhos mais expressivos nas cotações internacionais.
Açúcar fecha em alta nas bolsas de Nova York e Londres
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos do açúcar bruto registraram valorização em todos os principais vencimentos.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 encerrou o pregão cotado a 14,88 cents de dólar por libra-peso, avanço de 0,13 ponto. O contrato março de 2027 fechou em 15,80 cents/lbp, com alta de 0,14 ponto, enquanto o vencimento maio de 2027 avançou para 15,61 cents/lbp, acumulando ganho de 0,15 ponto.
Em Londres, o açúcar branco também acompanhou o movimento positivo.
O contrato agosto de 2026 fechou a US$ 463,40 por tonelada, alta de US$ 0,30. Já o contrato outubro de 2026 subiu US$ 4,70, encerrando a US$ 462,50 por tonelada, enquanto dezembro de 2026 avançou US$ 4,90 e terminou negociado a US$ 462,60 por tonelada.
Mercado brasileiro registra recuperação do açúcar cristal
No mercado doméstico, o açúcar cristal voltou a apresentar valorização.
Segundo o indicador CEPEA/ESALQ, referência para o mercado paulista, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 92,11, registrando alta diária de 1,53%.
Com esse desempenho, o indicador passou a acumular valorização de 0,92% em julho, sinalizando uma recuperação gradual dos preços no mercado físico após semanas de maior pressão.
Etanol segue pressionado pela maior oferta
Enquanto o açúcar ganha sustentação, o mercado de etanol continua enfrentando pressão devido ao aumento da oferta.
O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado negociado a R$ 2.238,00 por metro cúbico, queda de 1,06% em relação ao dia anterior.
No acumulado do mês, o biocombustível registra recuo de 5,39%, refletindo um mercado abastecido e maior competitividade entre os fornecedores no estado de São Paulo.
Aumento da mistura de etanol fortalece perspectivas para o açúcar
O principal fator que impulsionou o mercado foi a decisão do CNPE de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.
A expectativa é que a medida amplie significativamente a demanda pelo biocombustível, incentivando as usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Como consequência, a disponibilidade de açúcar tende a diminuir, fator que normalmente oferece sustentação aos preços internacionais da commodity.
Outro elemento de apoio foi a valorização do petróleo, que melhora a competitividade do etanol e reforça a estratégia das usinas de ampliar a produção do combustível renovável.
Mercado monitora safra da Índia
Apesar da recuperação das cotações, o mercado internacional permanece atento ao desenvolvimento da safra indiana.
A melhora das monções no país reduziu parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar, aumentando a perspectiva de uma oferta mais confortável nos próximos meses. Esse cenário limita movimentos mais intensos de alta nas bolsas internacionais e mantém os investidores acompanhando a evolução das condições climáticas na Ásia.
Perspectiva para o mercado
A combinação entre o aumento da mistura obrigatória de etanol no Brasil, a valorização do petróleo e a possibilidade de maior direcionamento da cana para a produção de biocombustíveis fortalece a tendência de recuperação dos preços do açúcar.
Nos próximos dias, contudo, o comportamento das cotações continuará condicionado ao ritmo da safra brasileira, à evolução da demanda global por açúcar e etanol e às condições climáticas nos principais países produtores, especialmente Índia e Tailândia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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