Rabobank projeta dólar a R$ 5,35 até o fim de 2026; cenário desafia exportações, importações e agronegócio
Banco aponta recuperação gradual da moeda americana diante da redução do diferencial de juros, incertezas fiscais e aumento das tensões geopolíticas; setor agro deve equilibrar ganhos nas exportações e alta dos custos
Publicado em: 15/07/2026 às 10:30hs
O mercado cambial brasileiro deverá continuar operando sob forte volatilidade nos próximos meses. A avaliação é do Rabobank, que manteve sua projeção de dólar a R$ 5,35 no encerramento de 2026, sustentada pela expectativa de fortalecimento da moeda norte-americana no cenário global, redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e persistência das incertezas fiscais domésticas.
Embora o real tenha apresentado um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes nas últimas semanas, os economistas avaliam que esse movimento pode perder força ao longo do segundo semestre, principalmente diante do agravamento das tensões geopolíticas e das mudanças esperadas na política monetária internacional.
Para o agronegócio brasileiro, a perspectiva de um dólar mais valorizado representa oportunidades para as exportações, mas também desafios relacionados ao aumento dos custos de produção.
Real teve desempenho positivo, mas cenário ainda inspira cautela
Na última semana analisada pelo Rabobank, o real registrou valorização frente ao dólar e ficou entre as moedas emergentes com melhor desempenho, refletindo o fluxo de recursos para o mercado brasileiro e o ambiente favorável às commodities.
Apesar disso, os especialistas alertam que esse movimento pode ser temporário.
A combinação entre riscos geopolíticos, expectativa de recuperação da economia norte-americana e possível fortalecimento global do dólar tende a reduzir o espaço para uma valorização adicional da moeda brasileira.
Segundo o banco, o câmbio continuará sendo um dos principais indicadores de risco da economia brasileira ao longo de 2026.
Juros menores reduzem atratividade do real
Um dos principais fatores por trás da projeção cambial é a expectativa de redução gradual do diferencial entre as taxas de juros brasileiras e norte-americanas.
Historicamente, juros elevados no Brasil atraem investidores estrangeiros interessados em operações de carry trade, estratégia que consiste em captar recursos em países de juros baixos para investir em mercados com retornos mais elevados.
Com a tendência de queda da Selic e a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos, essa vantagem tende a diminuir, reduzindo o fluxo de capital para o Brasil e favorecendo a valorização do dólar.
Cenário fiscal continua pressionando o câmbio
Além dos fatores externos, o Rabobank destaca que o ambiente fiscal brasileiro permanece como um dos principais elementos de preocupação para investidores.
A proximidade do ciclo eleitoral de 2026 amplia as incertezas sobre a condução das contas públicas, aumentando a percepção de risco e contribuindo para uma postura mais conservadora do mercado.
Segundo o relatório, a combinação entre dúvidas fiscais e menor diferencial de juros pode limitar o desempenho do real durante os próximos meses.
Geopolítica reforça pressão sobre o dólar
O conflito entre Estados Unidos e Irã também voltou ao radar dos investidores.
A troca recente de ataques militares elevou o grau de incerteza global, impulsionando a busca por ativos considerados mais seguros, entre eles o dólar norte-americano.
Além disso, a alta do petróleo reforça as preocupações com inflação mundial e pode levar bancos centrais a manter políticas monetárias mais restritivas por um período maior.
Esse ambiente costuma favorecer a valorização da moeda americana frente às moedas emergentes.
Agronegócio pode ganhar competitividade nas exportações
Para o agronegócio brasileiro, um dólar mais forte costuma trazer efeitos positivos sobre a competitividade internacional.
Produtos exportados pelo Brasil passam a oferecer preços mais atrativos no mercado externo, favorecendo segmentos como:
- soja;
- milho;
- café;
- açúcar;
- algodão;
- carnes;
- celulose;
- suco de laranja.
Empresas exportadoras também tendem a registrar aumento na receita em reais, principalmente quando os preços internacionais das commodities permanecem sustentados.
Insumos importados podem ficar mais caros
Se o câmbio beneficia quem exporta, ele também representa um desafio para produtores que dependem de insumos importados.
Entre os principais itens impactados estão:
- fertilizantes;
- defensivos agrícolas;
- máquinas e equipamentos;
- peças de reposição;
- combustíveis;
- componentes eletrônicos.
Com um dólar mais valorizado, os custos de produção podem aumentar significativamente, reduzindo parte do ganho obtido nas vendas externas.
Por isso, especialistas recomendam que produtores e cooperativas reforcem estratégias de planejamento financeiro e proteção cambial.
Commodities ajudam a sustentar receitas
Outro fator positivo para o setor agro é o comportamento das commodities.
Segundo o Rabobank, diversos produtos agrícolas registraram valorização nas últimas semanas, acompanhando o aumento da demanda global e as preocupações relacionadas ao petróleo e ao cenário geopolítico.
Essa combinação entre commodities valorizadas e dólar mais forte pode favorecer o faturamento das exportações brasileiras ao longo do segundo semestre.
Mercado financeiro seguirá atento aos indicadores
A trajetória do câmbio continuará dependendo de diversos fatores econômicos e políticos.
Entre os principais pontos monitorados pelos investidores estão:
- decisões de política monetária do Federal Reserve;
- trajetória da Selic;
- inflação brasileira;
- crescimento da economia chinesa;
- evolução do conflito no Oriente Médio;
- comportamento dos preços internacionais do petróleo;
- fluxo de investimentos estrangeiros.
Qualquer mudança nesses indicadores poderá provocar novas oscilações na taxa de câmbio.
Perspectivas para o restante de 2026
Na avaliação do Rabobank, o real deverá continuar convivendo com um ambiente de elevada volatilidade ao longo de 2026. A instituição projeta o dólar encerrando o ano em torno de R$ 5,35, refletindo a combinação entre fortalecimento global da moeda americana, menor diferencial de juros, riscos fiscais e instabilidade geopolítica.
Para o agronegócio, o cenário exige equilíbrio entre aproveitar as oportunidades abertas pelas exportações e administrar cuidadosamente os custos de produção. Em um mercado global cada vez mais sensível às mudanças econômicas e geopolíticas, planejamento, gestão de riscos e acompanhamento constante do câmbio serão fatores decisivos para preservar a competitividade do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias