Preço do açúcar tem resultado misto nas bolsas, mas risco de déficit sustenta mercado global
Açúcar bruto avança em Nova York, contratos do produto branco oscilam em Londres e cristal permanece em R$ 104,37 no Brasil; El Niño, seca na Europa e importações da Índia reforçam preocupação com a oferta
Publicado em: 24/08/2026 às 11:45hs
O mercado internacional do açúcar encerrou a sexta-feira (21) com comportamento misto nas bolsas de Nova York e Londres. Os contratos mais próximos do açúcar bruto registraram pequenas altas, enquanto o primeiro vencimento do açúcar branco recuou.
No Brasil, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco permaneceu estável em R$ 104,37 por saca de 50 quilos. Apesar da estabilidade diária, o produto acumula valorização de 14,07% em agosto.
Depois da forte volatilidade observada nas sessões anteriores, o pregão foi marcado por acomodação. As expectativas de menor disponibilidade mundial, contudo, continuam oferecendo sustentação às cotações.
O fortalecimento do El Niño, a seca nas áreas produtoras da Europa, a redução prevista para a fabricação brasileira e a decisão da Índia de liberar importações sem tarifa ampliaram as preocupações com o abastecimento global.
Açúcar bruto sobe no contrato outubro em Nova York
Na ICE Futures U.S., em Nova York, o contrato outubro de 2026 do açúcar bruto avançou 0,09 centavo e fechou cotado a 17,61 centavos de dólar por libra-peso.
O vencimento março de 2027 ganhou 0,03 centavo, encerrando a 18,53 centavos por libra-peso. Maio de 2027 também avançou 0,03 centavo e terminou a sessão negociado a 18,10 centavos.
Os contratos com prazos mais longos seguiram em direção oposta e registraram recuos entre 0,01 e 0,11 centavo, de acordo com informações da CZ App.
A diferença entre os vencimentos demonstra que o mercado continua mais atento à disponibilidade de curto prazo, enquanto avalia as perspectivas de recuperação da oferta nas safras seguintes.
Açúcar branco recua no primeiro vencimento em Londres
Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco apresentou desempenho irregular.
O contrato outubro de 2026 recuou US$ 0,60 e encerrou a US$ 551,60 por tonelada. Já o vencimento dezembro de 2026 subiu US$ 3,70, para US$ 544 por tonelada.
Março de 2027 avançou US$ 3,30 e fechou a US$ 540 por tonelada. Os contratos seguintes também apresentaram valorizações moderadas.
A queda do primeiro vencimento, acompanhada de altas nas posições posteriores, reflete ajustes técnicos e mudanças nas expectativas sobre a oferta ao longo dos próximos meses.
Açúcar cristal permanece em R$ 104,37 no Brasil
No mercado físico brasileiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, referente ao estado de São Paulo, não apresentou variação na sexta-feira.
A saca de 50 quilos permaneceu cotada a R$ 104,37, equivalente a US$ 20,10. No acumulado de agosto, entretanto, o indicador registra alta de 14,07%.
A forte valorização mensal mostra que o mercado doméstico continua sustentado, mesmo diante da estabilidade observada no encerramento da semana.
A formação dos preços no Brasil acompanha o comportamento das bolsas internacionais, o câmbio, o ritmo da moagem de cana-de-açúcar e a decisão das usinas sobre a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar ou etanol.
Possível déficit global oferece suporte às cotações
A perspectiva de uma oferta mais restrita e de um possível déficit no balanço mundial continua entre os principais fatores de sustentação do mercado.
As condições climáticas desfavoráveis em diferentes regiões produtoras aumentam as dúvidas sobre a capacidade de recuperação da oferta. Qualquer redução adicional nas safras pode intensificar a competição entre importadores e elevar os preços internacionais.
Segundo análise repercutida pelo Barchart, o cenário de menor disponibilidade global permanece favorável às cotações. Ao mesmo tempo, participantes acompanham os sinais de demanda e as decisões comerciais dos principais países produtores e consumidores.
El Niño aumenta incerteza sobre produção de açúcar
O fortalecimento do El Niño amplia as preocupações com as próximas safras de cana-de-açúcar e de beterraba.
O fenômeno climático pode alterar os padrões de chuvas e temperaturas em importantes regiões produtoras. Dependendo da intensidade e da duração, os impactos podem atingir a produtividade agrícola, a concentração de açúcares nas plantas e o ritmo das operações de colheita.
O mercado monitora especialmente as condições no Brasil, na Índia, na Tailândia e em outras origens relevantes para o comércio internacional.
As incertezas climáticas também incentivam fundos e demais participantes financeiros a manter posições mais cautelosas, aumentando a volatilidade dos contratos futuros.
Índia libera importação de 1 milhão de toneladas
A Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar sem a cobrança de tarifas até 31 de outubro.
A medida busca ampliar a disponibilidade no mercado doméstico e conter a alta dos preços internos. A decisão ganha importância porque o país está entre os maiores produtores e consumidores mundiais de açúcar.
Quando a Índia precisa recorrer ao mercado externo, a demanda adicional pode reduzir a disponibilidade para outros importadores e oferecer suporte às cotações internacionais.
A autorização também reforça a percepção de que a oferta doméstica indiana está mais apertada do que o esperado, em meio aos riscos associados ao clima.
Seca pode elevar importações de açúcar pela Europa
Na Europa, a estiagem aumenta as preocupações com a produção de beterraba açucareira. A falta de umidade pode reduzir o desenvolvimento das lavouras e limitar o rendimento industrial.
Na avaliação de Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de açúcar da StoneX, as condições climáticas podem levar o bloco europeu a ampliar suas importações.
Uma demanda europeia mais forte acrescentaria pressão ao balanço global, especialmente em um momento no qual outros grandes consumidores, como a Índia, também procuram elevar a disponibilidade doméstica.
Conab prevê produção menor no Brasil
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil produzirá 42,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27.
O volume representa redução de 2,9% em relação à temporada anterior. Como o Brasil ocupa a liderança nas exportações mundiais, alterações na produção nacional têm impacto direto sobre a disponibilidade e os preços internacionais.
O resultado dependerá do volume de cana-de-açúcar processado, da qualidade da matéria-prima e do mix definido pelas usinas.
A recente recuperação dos preços internacionais pode estimular maior destinação de cana para o açúcar. No entanto, o comportamento do etanol, do petróleo e do mercado de combustíveis continuará influenciando as decisões do setor sucroenergético.
Mercado do açúcar mantém viés de sustentação
Apesar do fechamento misto, os fundamentos permanecem favoráveis à sustentação dos preços do açúcar.
O possível déficit global, as importações indianas, a seca na Europa, a previsão de produção menor no Brasil e os riscos relacionados ao El Niño formam um cenário de oferta mais ajustada.
No curto prazo, as cotações devem continuar sensíveis às condições climáticas, ao ritmo da moagem brasileira e às decisões comerciais da Índia. O câmbio e o comportamento dos fundos de investimento também podem ampliar as oscilações nas bolsas.
No mercado brasileiro, a valorização acumulada em agosto confirma o fortalecimento do açúcar cristal. A evolução dos preços dependerá do equilíbrio entre exportações, demanda doméstica e ritmo de produção das usinas nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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