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Mercado Financeiro

Rabobank projeta dólar a R$ 5,30 e Selic de 12% em 2027, mas alerta para risco fiscal

Relatório apresentado no AgroInfo 2026 prevê inflação de 4,1% e crescimento de 2,2% do PIB no próximo ano; trajetória da dívida pública será decisiva para câmbio e juros


Publicado em: 06/11/2026 às 11:00hs

Rabobank projeta dólar a R$ 5,30 e Selic de 12% em 2027, mas alerta para risco fiscal

A economia brasileira deve chegar ao fim de 2027 com dólar a R$ 5,30, Selic de 12% ao ano e inflação de 4,1%, segundo projeções do Rabobank apresentadas no AgroInfo 2026. O cenário considera retomada gradual dos cortes de juros, mas mantém as contas públicas como principal fonte de incerteza para o país.

O banco estima crescimento de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, com riscos de um resultado inferior. Para 2026, as projeções são de expansão econômica de 1,8%, IPCA de 5,1%, Selic de 13,75% e dólar a R$ 5,35 no encerramento do ano.

A análise indica que a combinação de juros elevados, endividamento e incerteza sobre a política econômica continuará condicionando consumo, investimentos e formação dos preços dos ativos brasileiros.

Contas públicas permanecem no centro das preocupações

Segundo o Rabobank, a definição eleitoral não elimina as dúvidas sobre a trajetória fiscal. A agenda do próximo governo será determinante para a percepção de risco, com efeitos sobre câmbio, inflação e juros.

O relatório considera que as demandas por gastos sociais e a necessidade de incorporar compromissos de campanha ao Orçamento reduzem o espaço para um ajuste expressivo das despesas.

Mesmo com o cumprimento das regras fiscais atuais, o banco avalia que o esforço previsto será insuficiente para estabilizar o endividamento. A projeção é de aumento da dívida bruta de 83,6% do PIB em 2026 para 87,2% em 2027.

Na leitura da instituição, o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 prevê superávit primário de 0,5% do PIB. Após precatórios e outros abatimentos, porém, o resultado efetivo considerado na análise seria de aproximadamente 0,1% do PIB.

Rabobank vê riscos para crescimento de 2,2% em 2027

A atividade econômica apresenta sinais mais claros de desaceleração na segunda metade de 2026, conforme o relatório.

Os efeitos defasados dos juros restritivos limitam o consumo e os investimentos. O mercado de trabalho, embora ainda robusto, também começa a perder dinamismo.

Para 2027, a eventual redução dos juros deverá favorecer gradualmente a demanda doméstica. Entretanto, a incerteza sobre a política econômica, a menor contribuição do setor público e o baixo impulso herdado do ano anterior podem restringir a recuperação.

Por isso, o Rabobank identifica viés negativo para sua projeção de alta de 2,2% do PIB, indicando possibilidade de desempenho abaixo dessa estimativa.

Inflação deve desacelerar, mas custos continuam no radar

O banco projeta que o IPCA recue de 5,1% em 2026 para 4,1% em 2027, embora destaque riscos de pressão adicional sobre os preços.

No último trimestre de 2026, a expectativa apresentada no relatório é de alguma reaceleração, principalmente em alimentos e serviços.

Para o ano seguinte, os possíveis efeitos do El Niño, a implementação da reforma tributária e uma eventual redução da jornada de trabalho aparecem entre os fatores capazes de elevar custos.

A análise também considera a retirada de medidas que limitaram o repasse da alta do petróleo em 2026. Em contrapartida, uma queda da commodity em 2027 poderá reduzir o impacto sobre os combustíveis.

Cortes da Selic podem ser retomados em março

No cenário elaborado pelo Rabobank, o Banco Central interromperia o ciclo de redução dos juros em 13,75% ao ano ainda em 2026.

A continuidade da moderação econômica e sinais mais consistentes de convergência da inflação abririam espaço para retomar os cortes a partir de março de 2027, levando a Selic a 12% no fim do ano.

Mesmo com a redução, a política monetária permaneceria restritiva. Expectativas de inflação acima da meta, incertezas fiscais e condições financeiras internacionais exigiriam cautela na condução dos juros.

Dólar tem suporte externo, enquanto comércio favorece o real

A projeção cambial do banco é de R$ 5,35 por dólar no encerramento de 2026 e R$ 5,30 no fim de 2027.

No exterior, juros norte-americanos elevados e fragilidades de outras economias avançadas devem manter a moeda dos Estados Unidos relativamente fortalecida.

No Brasil, a balança comercial robusta e os ingressos de investimento direto no país tendem a oferecer sustentação ao real.

Por outro lado, a retomada dos cortes da Selic, enquanto os juros dos Estados Unidos permanecem estáveis, reduziria o diferencial entre as duas economias e parte da atratividade das operações que buscam retorno nessa diferença.

Para o Rabobank, a condução da política fiscal será decisiva para o equilíbrio entre essas forças.

Banco prevê juros dos Estados Unidos elevados durante 2027

O relatório aponta resiliência da economia norte-americana, apoiada parcialmente pelos investimentos em inteligência artificial, apesar dos juros altos e dos choques geopolíticos.

No cenário do banco, o Federal Reserve elevaria sua taxa em 0,25 ponto percentual em dezembro de 2026, para o intervalo de 4% a 4,25%, mantendo esse patamar durante 2027.

A inflação dos Estados Unidos deverá desacelerar para 2,2% no fim do próximo ano, criando espaço para cortes apenas em 2028.

Preocupações com a dívida pública e riscos geopolíticos também devem limitar quedas mais expressivas dos juros de longo prazo, preservando condições financeiras desafiadoras para as economias emergentes.

Cenário exige atenção ao financiamento e aos custos do agro

Para o agronegócio brasileiro, as projeções indicam um ambiente de redução gradual dos juros, mas com financiamento ainda caro e sensibilidade às oscilações cambiais.

A trajetória do dólar influencia tanto as receitas de exportação quanto os custos de insumos vinculados ao mercado internacional. Já inflação, energia e mudanças tributárias permanecem relevantes para o planejamento das atividades.

Na avaliação do Rabobank, a melhora do cenário econômico dependerá da combinação entre desaceleração da inflação, recuperação da atividade e maior clareza sobre a trajetória das contas públicas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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