Algodão: Rabobank prevê exportações recordes de 3,5 milhões de toneladas em 2026/27
Produção brasileira deve permanecer em 4,1 milhões de toneladas, com área 3,5% maior; queda dos estoques mundiais pode sustentar preços, mas demanda limita altas
Publicado em: 06/11/2026 às 10:50hs
O Brasil poderá exportar 3,5 milhões de toneladas de algodão na safra 2026/27, superando ligeiramente o recorde da temporada anterior. A projeção é do Rabobank, que também estima produção próxima de 4,1 milhões de toneladas de pluma, mantendo o país em um patamar historicamente elevado.
Apresentado no AgroInfo 2026, o relatório de perspectivas do banco aponta que ganhos de produtividade, custos competitivos e maior regularidade de fornecimento fortalecem a presença brasileira no comércio internacional.
Para os preços, a expectativa é de sustentação diante da redução da produção e dos estoques globais. O consumo mundial relativamente estável, porém, deve limitar movimentos mais expressivos de valorização.
Área de algodão deve crescer 3,5% no Brasil
O RaboResearch projeta que a área plantada alcance 2,1 milhões de hectares em 2026/27, crescimento de 3,5% em relação ao ciclo anterior e retorno a níveis próximos aos de 2024/25.
A recuperação, contudo, não representa uma retomada do ritmo mais intenso de expansão observado nos últimos anos. Segundo o banco, o endividamento dos produtores e o elevado custo do crédito continuam restringindo investimentos.
Nesse ambiente, os ganhos de produtividade permanecem importantes para sustentar a produção. O clima também terá papel decisivo, diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras.
O avanço da semeadura da soja em Mato Grosso, por sua vez, pode favorecer a janela de plantio do algodão a partir de janeiro de 2027.
Produtividade sustenta sequência de recordes da cotonicultura
Na avaliação do Rabobank, a safra 2025/26 levou o Brasil ao quarto recorde consecutivo de produção de algodão em pluma, mesmo com redução de 3% na área cultivada.
O desempenho acima do esperado das lavouras compensou a menor superfície plantada e elevou a produção para aproximadamente 4,1 milhões de toneladas.
Para 2026/27, a instituição espera que o volume permaneça próximo desse resultado. A projeção reforça o peso da eficiência produtiva na competitividade brasileira, em um momento de maior cautela financeira no campo.
Exportações ganham importância para escoar a produção
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, os embarques brasileiros somaram aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, alta de 19% sobre a temporada anterior, conforme o relatório.
Os dados iniciais do novo ciclo apontam continuidade desse movimento: entre agosto e setembro de 2026, as exportações avançaram 16% na comparação anual.
Com a oferta doméstica elevada, o mercado externo se torna cada vez mais importante para absorver a produção. A estimativa de 3,5 milhões de toneladas exportadas em 2026/27 indica manutenção desse papel.
Segundo o banco, a maior disponibilidade de pluma durante o ano oferece previsibilidade aos compradores internacionais. Somada ao baixo custo de produção por libra-peso, essa característica favorece a diversificação de destinos e a consolidação do Brasil entre os principais fornecedores mundiais.
Produção mundial deve cair 3% em 2026/27
No cenário internacional, o Rabobank identifica um balanço menos confortável entre oferta e demanda.
Com base nas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citadas no documento, a produção mundial deverá recuar 3% em 2026/27, apesar da estabilidade da área plantada.
A queda decorre principalmente da expectativa de menores produtividades em países como China, Estados Unidos e Austrália.
Os estoques finais globais são projetados em 15,4 milhões de toneladas, ante 16,5 milhões na temporada anterior. A relação entre estoques e consumo deverá diminuir de 63% para 57%, sinalizando menor disponibilidade relativa de pluma.
Estoques menores oferecem suporte aos preços
A redução da oferta e dos estoques tende a sustentar as cotações internacionais. A intensidade da reação, entretanto, dependerá do comportamento da indústria consumidora.
O relatório aponta que o consumo mundial de algodão permanece relativamente estável, restringindo uma recuperação mais forte da demanda.
Ao mesmo tempo, a volatilidade do petróleo altera os custos das matérias-primas utilizadas na fabricação de fibras sintéticas. Preços mais elevados de energia podem favorecer, na margem, a competitividade das fibras naturais.
Tensões geopolíticas, riscos climáticos e maior participação de fundos financeiros nas commodities também acrescentam incerteza à formação dos preços.
Na avaliação do Rabobank, as cotações em Nova York tendem a encontrar equilíbrio acima dos níveis observados em 2025, mas abaixo dos picos de 2026, quando os contratos chegaram a superar 90 centavos de dólar por libra-peso.
Recuperação das cotações favorece comercialização antecipada
A melhora dos preços internacionais ao longo de 2026 ajudou a recompor gradualmente as margens dos produtores brasileiros e abriu oportunidades de venda mais atrativas que as da temporada anterior.
Segundo dados do Imea destacados no relatório, 43% da produção esperada em Mato Grosso já havia sido comercializada até meados de outubro.
O avanço das vendas mostra a importância das oportunidades de mercado em uma atividade que continua pressionada pelos custos de produção e de financiamento.
Para 2026/27, o Rabobank aponta uma combinação de produção brasileira elevada, exportações crescentes e estoques mundiais menores. A capacidade de transformar esse cenário em rentabilidade dependerá da produtividade, do clima, dos custos e da evolução da demanda global.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias