Bolsas globais caem com temor sobre inteligência artificial; Ibovespa oscila e dólar chega a R$ 5,50
Japão e Coreia do Sul recuam cerca de 6% após tombo do Nasdaq; mercado brasileiro abre perto da estabilidade, com cenário fiscal e emprego nos EUA no radar
Publicado em: 06/11/2026 às 10:55hs
As bolsas globais enfrentam uma nova onda de aversão ao risco nesta sexta-feira (6), após a forte queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos. As preocupações com os investimentos em inteligência artificial e com possíveis restrições à expansão de centros de dados atingiram os mercados asiáticos e pressionaram a abertura europeia.
No Brasil, o Ibovespa começou a sessão oscilando próximo da estabilidade, enquanto o dólar comercial avançava para a região de R$ 5,50. Investidores acompanham o cenário fiscal doméstico, os balanços corporativos e os indicadores do mercado de trabalho americano.
Às 10h26, no horário de Brasília, o Ibovespa registrava alta de 0,19%, aos 166.504,62 pontos, após alternar sinais nos primeiros negócios. A recuperação pontual contrastava com as perdas expressivas observadas em parte das bolsas internacionais.
Japão e Coreia do Sul fecham com quedas próximas de 6%
A pressão sobre empresas de tecnologia provocou perdas generalizadas na Ásia. No Japão, o Nikkei recuou 5,96%, aos 57.434 pontos.
Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 6,02%, aos 5.059 pontos, depois de perder mais de 8% durante a sessão e acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em situações de forte oscilação.
Em Taiwan, o Taiex encerrou em baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos. A concentração de fabricantes de semicondutores e fornecedores da cadeia de tecnologia ampliou a exposição desses mercados à mudança de percepção sobre a inteligência artificial.
China e Hong Kong recuam, mas preservam ganhos semanais
Na China continental, o Xangai Composto caiu 1,10%, aos 3.649 pontos, enquanto o CSI300, que reúne grandes companhias de Xangai e Shenzhen, perdeu 1,44%, aos 4.054 pontos.
Apesar do recuo diário, os dois índices encerraram a semana em alta. O CSI300 avançou aproximadamente 1,7%, interrompendo uma sequência de 12 semanas negativas. Xangai acumulou ganho de 1,4%, após seis semanas de perdas.
Em Hong Kong, o Hang Seng cedeu 1,27%, aos 24.481 pontos, mas preservou valorização semanal próxima de 5,1%, seu melhor resultado desde março de 2025.
As medidas de apoio adotadas por Pequim e as compras de oportunidade ajudaram a reduzir parte das perdas. Ainda assim, empresas chinesas de equipamentos para infraestrutura de inteligência artificial permaneceram entre as mais pressionadas.
A fabricante de componentes ópticos Zhongji Innolight perdeu 9,2%, enquanto a concorrente Eoptolink Technology recuou 7,3%.
Nasdaq despenca 5,52% e entra em território de correção
A origem da turbulência foi o pregão de quinta-feira (5) em Wall Street. O Nasdaq Composite caiu 5,52%, para 24.315 pontos, na maior baixa diária desde abril de 2025.
O S&P 500 recuou 4,36%, aos 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 3,44%, para 51.523,06 pontos.
Com o movimento, o Nasdaq passou a acumular desvalorização próxima de 12% em relação ao recorde de 6 de outubro, entrando no chamado território de correção, caracterizado por perdas de pelo menos 10% frente a um pico recente.
A onda de vendas retirou cerca de US$ 3 trilhões do valor de mercado das empresas do S&P 500. As “Sete Magníficas”, grupo de grandes companhias de tecnologia que inclui Nvidia, Microsoft, Alphabet e Meta, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões.
Eleições nos EUA ampliam dúvidas sobre expansão da IA
Os investidores avaliam que o controle democrata do Congresso americano poderá aumentar a fiscalização sobre o setor de inteligência artificial e criar obstáculos à expansão de centros de dados.
O receio envolve o ritmo de investimentos e a capacidade de as empresas transformarem os elevados gastos com infraestrutura em resultados financeiros.
Essa percepção afeta também fornecedores asiáticos que dependem da demanda americana. A queda das ações, entretanto, expressa uma reavaliação de expectativas e riscos, sem confirmar, por si só, uma interrupção do crescimento da atividade.
Europa cai e futuros americanos tentam recuperação parcial
Na manhã europeia, o Stoxx 600 recuava cerca de 1,49%, acompanhando a deterioração do ambiente externo.
Antes da abertura de Wall Street, os futuros americanos apresentavam sinais mistos: Nasdaq e S&P 500 ensaiavam recuperação, enquanto o Dow Jones permanecia em baixa. O movimento ainda não indicava reversão das perdas acumuladas na sessão anterior.
A agenda americana tem como destaque o relatório de emprego de outubro, conhecido como payroll. Os dados são acompanhados por sua influência sobre as expectativas de inflação e os próximos passos do Federal Reserve.
Ibovespa acompanha bancos, Petrobras e negociações fiscais
Na abertura brasileira, as ações dos grandes bancos apresentavam pequenas perdas, enquanto Petrobras e algumas petroleiras independentes operavam em alta.
O dólar comercial subia para perto de R$ 5,50, e os juros futuros também avançavam. O comportamento refletia a combinação entre cautela internacional e acompanhamento das negociações sobre as contas públicas brasileiras.
O Ibovespa chegou à sexta-feira após encerrar o pregão anterior em queda de aproximadamente 0,82%, aos 166.191,45 pontos. Até aquele fechamento, acumulava perda de 1,03% na semana e em novembro, mantendo valorização de cerca de 3,14% no ano.
Ao longo da sessão, o desempenho das ações de maior peso, a reação aos indicadores americanos e os sinais sobre a política fiscal devem orientar o mercado brasileiro, em um ambiente ainda marcado por elevada volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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