Soja sobe nos portos do Brasil, mas Chicago segue abaixo de US$ 12 com pressão da oferta
Dólar sustenta cotações de até R$ 161 por saca no Sul, enquanto perspectiva de safra recorde nos EUA limita reação dos futuros; chuvas dificultam o plantio brasileiro
Publicado em: 06/11/2026 às 11:10hs
O mercado da soja apresenta movimentos distintos no Brasil e no exterior. Enquanto a valorização do dólar sustentou os preços em importantes portos brasileiros, Chicago iniciou esta sexta-feira (6) perto da estabilidade, após quatro sessões consecutivas de queda. A expectativa de oferta elevada nos Estados Unidos e no Brasil mantém os compradores cautelosos.
No mercado físico, as referências chegaram a R$ 161 por saca em Rio Grande e São Francisco do Sul, segundo levantamento da TF Agroeconômica. No interior, porém, o comportamento foi desigual, com altas em Mato Grosso, estabilidade em parte das praças do Sul e recuo em Campo Grande.
Além das cotações internacionais e do câmbio, os produtores acompanham as condições de plantio. O excesso de umidade dificulta as operações em áreas do Sul e pode reduzir o intervalo disponível para a implantação do milho de segunda safra.
Soja tenta se estabilizar em Chicago após quatro quedas
Por volta das 9h14 desta sexta-feira, no horário de Brasília, os contratos futuros da soja apresentavam pequenas oscilações na Bolsa de Chicago. O vencimento janeiro de 2027 era negociado a US$ 11,8750 por bushel, com baixa de 0,75 centavo de dólar.
O contrato novembro de 2026 subia 1 centavo, para US$ 11,8200 por bushel. Março de 2027 recuava 1,25 centavo, a US$ 11,9500, enquanto maio de 2027 perdia 1,50 centavo, cotado a US$ 12,0475 por bushel.
A movimentação sucede uma sessão de perdas superiores a 1%. Na quinta-feira (5), janeiro encerrou a US$ 11,8825 por bushel, queda de 14 centavos, ou 1,16%. Março terminou a US$ 11,9625, também com recuo de 14 centavos, equivalente a 1,15%.
O avanço da colheita americana e a perspectiva de uma produção recorde levaram os contratos aos menores níveis em cerca de dois meses e meio.
Expectativas para o USDA reforçam pressão da oferta
O próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para terça-feira, 10 de novembro, às 14h, concentra as atenções dos operadores.
Analistas consultados por agências internacionais estimam que a projeção da safra americana de soja 2026/27 seja elevada de 4,562 bilhões para 4,601 bilhões de bushels. Para os estoques de passagem dos Estados Unidos, a expectativa é de aumento de 315 milhões para 336 milhões de bushels.
No quadro mundial, o mercado projeta estoques finais de 125,3 milhões de toneladas em 2026/27, acima dos 124,3 milhões indicados anteriormente. Para 2025/26, a estimativa esperada é de 125 milhões de toneladas, ante 124,9 milhões.
As projeções das consultorias também reforçam a percepção de disponibilidade elevada. A StoneX aumentou sua estimativa de produtividade americana para 55 bushels por acre e passou a calcular uma produção de 4,725 bilhões de bushels.
Para o Brasil, a consultoria revisou a previsão de colheita para 184,95 milhões de toneladas. A confirmação desse volume, entretanto, depende das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras.
Petróleo e demanda oferecem sustentação parcial aos preços
A recuperação do petróleo oferecia algum apoio ao mercado nesta sexta-feira, ao favorecer as expectativas de demanda por matérias-primas utilizadas na fabricação de biocombustíveis.
Segundo análise da Reuters, a alta da commodity energética ajudava os grãos a buscar sustentação em Chicago. Mesmo assim, soja e milho ainda caminhavam para encerrar a semana em queda, diante das perspectivas de oferta abundante.
Na quinta-feira, o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, destacou ao Notícias Agrícolas que o recuo do petróleo e as incertezas sobre o programa americano de biocombustíveis contribuíram para pressionar a soja. O analista também apontou que o volume expressivo de posições compradas dos fundos poderia abrir espaço para novas liquidações.
Os subprodutos acompanharam a queda naquele pregão. O farelo com entrega em dezembro recuou 0,43%, para US$ 317,20 por tonelada. O óleo de soja, no mesmo vencimento, perdeu 2,03%, encerrando a 62,24 centavos de dólar por libra-peso.
Por outro lado, a demanda chinesa e o processamento doméstico nos Estados Unidos continuam oferecendo suporte à oleaginosa, conforme análise da Farm Futures. Uma recuperação mais consistente, porém, permanece condicionada à evolução das expectativas de produção e consumo.
Dólar sustenta preço da soja nos portos brasileiros
No Brasil, a alta cambial compensou parte da pressão vinda de Chicago nas referências destinadas à exportação, conforme a TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, a soja disponível no porto de Rio Grande passou de R$ 160 para R$ 161 por saca, avanço de 0,63%. A diferença de R$ 1 representa um acréscimo de R$ 1 mil na receita bruta de um lote de mil sacas, antes de frete e descontos.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul manteve a referência de R$ 161 por saca. No interior, Abelardo Luz permaneceu em R$ 154, na condição FOB.
No Paraná, Paranaguá avançou para R$ 160 por saca, enquanto Maringá seguiu em R$ 151. As diferenças entre porto e interior reforçam a necessidade de considerar os custos logísticos e as condições de cada negociação.
Mato Grosso registra altas, enquanto Campo Grande recua
Em Mato Grosso, quatro praças acompanhadas registraram valorização. Rondonópolis chegou a R$ 141 por saca, com ganho de R$ 0,80. Sorriso avançou para R$ 134,55, Primavera do Leste alcançou R$ 139,15 e Lucas do Rio Verde ficou em R$ 134.
O cenário foi diferente em Mato Grosso do Sul. A indicação na condição CIF em Campo Grande caiu 0,71%, para R$ 139 por saca.
Nas demais referências monitoradas no estado, Dourados permaneceu em R$ 143, Maracaju em R$ 142 e Sidrolândia em R$ 141.
Chuvas dificultam plantio no Sul e exigem atenção à segunda safra
As condições climáticas continuam interferindo na implantação da soja no Sul. Em Santa Catarina, as chuvas e a saturação do solo dificultam tanto a retirada do trigo quanto a entrada das máquinas para a semeadura da oleaginosa.
No Paraná, o levantamento citado do Departamento de Economia Rural (Deral) aponta 71% da área plantada, ritmo inferior ao observado nas três safras anteriores.
A proporção de lavouras classificadas em boas condições caiu de 88% para 85%. Umidade elevada, temperaturas amenas e menor luminosidade estão entre os fatores associados à piora. O atraso na soja também pode estreitar a janela de plantio do milho de segunda safra.
No Rio Grande do Sul, a semeadura permanece em estágio inicial. A avaliação do Itaú BBA indica condições de umidade mais favoráveis no estado em comparação com o Centro-Oeste.
Para a comercialização brasileira, o quadro combina pressão da oferta internacional, sustentação cambial e diferenças regionais de preços. O relatório do USDA será a próxima referência para Chicago, enquanto dólar, prêmios de exportação, frete e clima seguirão influenciando o valor recebido pelo produtor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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