Rabobank prevê pausa nos cortes da Selic após inflação acima do esperado
Relatório projeta juros em 13,75% até o fim de 2026 e aponta petróleo, câmbio e efeitos do El Niño sobre a produção agrícola entre os riscos para a inflação
Publicado em: 01/10/2026 às 10:30hs
O Rabobank avalia que o Banco Central deve interromper os cortes da taxa Selic após a redução de 0,25 ponto percentual em setembro, que levou os juros a 13,75% ao ano. Em relatório divulgado nesta terça-feira (29), a equipe de pesquisa do banco projeta a retomada da flexibilização apenas em março de 2027. A estimativa é que a Selic encerre o próximo ano em 12%.
A avaliação ocorre em meio a sinais de desaceleração da economia e do crédito, mas também a uma surpresa inflacionária. O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, acima dos 0,50% esperados pelo Rabobank e dos 0,53% projetados pelo mercado, segundo o documento.
Inflação de setembro reforça cautela com os juros
A alta do IPCA-15 foi influenciada principalmente pela energia elétrica, após o fim de um desconto temporário nas tarifas. Transportes e alimentação também contribuíram para a aceleração do índice. Na avaliação do Rabobank, o avanço dos preços livres e dos núcleos de inflação exige atenção, embora parte da pressão do mês tenha vindo de componentes mais voláteis.
O banco interpreta a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) como um sinal de que o corte recente foi uma decisão cautelosa, sem compromisso com novas reduções nas reuniões seguintes. A desaceleração da atividade e do crédito indica que os juros elevados estão produzindo efeitos, mas as expectativas de inflação acima da meta limitam o espaço para acelerar os cortes.
O Rabobank projeta inflação de 5,1% em 2026 e 4,1% em 2027. Para o dólar, a estimativa é de R$ 5,35 no fim deste ano.
El Niño e petróleo entram no radar do agronegócio
Para o setor agropecuário, o relatório destaca dois fatores capazes de influenciar os custos e a oferta de alimentos: o clima e o petróleo. Ao analisar o Relatório de Política Monetária do Banco Central, o Rabobank aponta que o El Niño pode prejudicar a produtividade de milho, algodão e arroz em diferentes regiões. Os efeitos sobre as lavouras, porém, dependem da intensidade do fenômeno e das condições locais.
O banco também chama atenção para a volatilidade do petróleo diante das tensões no Oriente Médio. Variações nas cotações internacionais podem afetar combustíveis e custos de produção, além de influenciar as expectativas de inflação.
Na análise do Rabobank, dados mais favoráveis de atividade, preços e expectativas ainda poderiam abrir espaço para outro corte da Selic em 2026. Por enquanto, a instituição considera mais provável uma pausa, enquanto o Banco Central acompanha a evolução da inflação, do câmbio e dos riscos externos.
Análise baseada no relatório “Cautela com continuidade ou com pausa?”, do RaboResearch, assinado por Mauricio Une e Renan Alves.
Fonte: Portal do Agronegócio
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