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Mercado Financeiro

Garantias ganham peso no crédito privado; Audax diz que 95% de suas operações têm proteção

Duplicatas e imóveis são os principais ativos usados pela empresa para estruturar financiamentos. No agronegócio, o volume de recursos do Plano Safra 2026/27 reforça o debate sobre gestão de risco.


Publicado em: 01/10/2026 às 07:30hs

Garantias ganham peso no crédito privado; Audax diz que 95% de suas operações têm proteção

A ampliação do crédito às empresas aumenta a importância de avaliar como cada operação será paga e quais garantias poderão protegê-la em caso de inadimplência. Na Audax Capital, 95% das operações contam com algum tipo de garantia, segundo dados da própria companhia. O percentual se refere à carteira da Audax, e não ao mercado brasileiro de crédito.

As duplicatas são o principal ativo utilizado pela empresa nessa estruturação, seguidas pelos imóveis. Recebíveis, contratos, estoques e equipamentos também podem integrar operações de crédito privado, conforme as características do financiamento e dos ativos disponíveis.

O tema ganha relevância diante do volume de recursos destinado ao campo. O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial: R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões para investimentos. Ministério da Agricultura e Pecuária

Organização dos ativos começa antes do pedido de crédito

Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, empresas que organizam previamente seus recebíveis, contratos e patrimônio têm mais condições de apresentar uma operação bem estruturada aos financiadores.

“Quando uma empresa organiza seus recebíveis, contratos e ativos antes de buscar capital, ela consegue construir uma operação mais completa. A garantia deixa de aparecer apenas no fim da análise e passa a fazer parte da própria arquitetura do crédito”, afirma.

Segundo a Audax, a companhia movimentou mais de R$ 10 bilhões em operações ao longo de 11 anos. Após crescer 115% em 2025, projeta operacionalizar R$ 3,1 bilhões em 2026, o que representaria avanço de 105%. Trata-se de uma projeção da empresa, sujeita ao desempenho das operações até o fim do ano.

Garantia oferece alternativa de recuperação, mas não elimina o risco

Vincular uma duplicata ou um imóvel a um financiamento pode criar uma alternativa de recuperação do capital se o pagamento não ocorrer como previsto. Isso não dispensa a análise da capacidade de pagamento nem assegura, por si só, a recuperação integral dos recursos.

No agronegócio, essa avaliação é particularmente relevante porque a receita das empresas e dos produtores pode variar com preços, câmbio, custos e condições de produção. Para Da Matta, a proteção precisa ser definida antes da contratação do crédito: “A garantia não elimina o risco, mas cria uma segunda camada de proteção para uma operação que não pode depender apenas de um cenário perfeito”.

Correção de referência: o dado de R$ 7,2 trilhões em crédito ampliado às empresas, equivalente a 54,7% do PIB, citado no material original corresponde a maio de 2026, segundo o Banco Central, e não a junho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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