Rabobank mantém projeção de dólar a R$ 5,35 em 2026 após volatilidade eleitoral e vê inflação de 5,1%
Relatório prevê PIB de 1,8% e Selic de 13,75% no fim do ano; alta dos alimentos e petróleo acima de US$ 100 estão entre os fatores acompanhados pelo banco
Publicado em: 27/10/2026 às 18:40hs
O Rabobank manteve sua projeção para o dólar em R$ 5,35 no fim de 2026, apesar da forte volatilidade cambial registrada após o segundo turno das eleições presidenciais. Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), o banco também preservou as estimativas de inflação de 5,1%, crescimento econômico de 1,8% e taxa Selic de 13,75% ao ano para o encerramento de 2026.
Segundo a análise, os investidores avaliam as perspectivas para a política econômica e os desafios de governabilidade após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No cenário externo, o banco destaca a incerteza associada às tensões no Oriente Médio e à oscilação dos preços do petróleo.
O relatório também aponta que o IPCA-15 de outubro desacelerou para 0,32%, embora os preços dos alimentos tenham avançado em ritmo mais forte. Para o agronegócio, câmbio, combustíveis e inflação são variáveis que influenciam custos e decisões de comercialização.
Dólar fecha segunda-feira acima de R$ 5,41
De acordo com o Rabobank, o dólar encerrou a sexta-feira anterior ao segundo turno, 23 de outubro, a R$ 4,9791. Na segunda-feira (26), após o resultado eleitoral, a moeda norte-americana fechou a R$ 5,4155.
O banco classifica o movimento como uma reação cambial intensa e mantém, por enquanto, a expectativa de R$ 5,35 para o fim de 2026. A projeção considera, entre outros fatores, a perspectiva de redução do diferencial entre os juros brasileiros e os externos e uma eventual recuperação do dólar no mercado internacional.
As estimativas foram preservadas em relação ao cenário anterior à eleição e poderão ser revistas conforme a evolução da política econômica e das condições financeiras.
IPCA-15 desacelera, mas alimentos ganham força
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,70% registrados em setembro. O resultado também ficou abaixo das expectativas citadas no relatório: 0,44% pelo mercado e 0,42% pelo Rabobank.
Em 12 meses, porém, o índice acelerou de 4,5% para 4,6%. A desaceleração mensal foi influenciada principalmente pelas quedas da energia elétrica residencial e das passagens aéreas.
O grupo alimentação e bebidas seguiu na direção contrária, com alta de 0,88% em outubro, ante 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio avançou 1,01%, com destaque para:
- Tomate: alta de 24,54%;
- Cebola: alta de 13,63%;
- Batata-inglesa: alta de 10,96%;
- Arroz: alta de 5,80%.
Segundo a avaliação do Rabobank, a evolução desses preços pode refletir fatores sazonais e algum efeito do El Niño.
Diesel e etanol sobem na prévia da inflação
Os combustíveis também apresentaram aceleração no IPCA-15. O grupo avançou 1,20% em outubro, depois de subir 0,22% em setembro.
Entre os itens destacados pelo banco, o óleo diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina teve alta de 0,92%.
No grupo habitação, a energia elétrica residencial recuou 0,89%, após alta de 7,42% em setembro, refletindo a mudança da bandeira tarifária amarela para verde. As passagens aéreas caíram 9,24%, ajudando a conter o avanço do grupo transportes.
Petróleo e juros dos EUA seguem no radar
No exterior, o Rabobank destaca a volatilidade do petróleo diante das tensões entre Estados Unidos e Irã. O relatório aponta que o Brent se aproximou de US$ 113 por barril e permaneceu acima de US$ 100, em um ambiente de incerteza.
A trajetória do petróleo pode influenciar os custos de combustíveis e transporte, componentes relevantes para a produção e o escoamento agropecuário.
Para a decisão de outubro do Federal Reserve, o banco trabalha com a manutenção dos juros norte-americanos entre 3,75% e 4,00% ao ano, embora observe divergências entre autoridades favoráveis a uma alta. Os juros dos Estados Unidos também são acompanhados pelo efeito que podem exercer sobre o dólar e os fluxos de recursos para países emergentes.
Arrecadação federal cresce em setembro
No campo fiscal, o relatório informa que a arrecadação federal alcançou R$ 239,4 bilhões em setembro, ante R$ 235,6 bilhões em agosto e R$ 226,6 bilhões em setembro de 2025.
Após o ajuste pela inflação, a receita apresentou crescimento de 5,6% na comparação anual. O Rabobank ressalta, contudo, que fatores não recorrentes e mudanças legislativas contribuíram para o desempenho.
Para os próximos dias, a agenda acompanhada pelo banco inclui dados de emprego e contas públicas no Brasil, indicadores que podem trazer novos elementos para a avaliação da atividade econômica e do cenário fiscal.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias