Publicado em: 02/03/2026 às 10:20hs
As bolsas de valores norte-americanas abriram em forte recuo nesta segunda-feira (2), refletindo a combinação entre dados de inflação acima das expectativas e a crescente preocupação com o setor de tecnologia.
No início das negociações, os principais índices operavam no vermelho: o Dow Jones caía 0,50%, o S&P 500 recuava 0,76% e o Nasdaq tinha queda de 1,15%, caminhando para o pior desempenho mensal desde março de 2025.
O movimento reflete a cautela dos investidores após resultados abaixo do esperado de empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente da Nvidia, o que gerou correções em ações do setor. Além disso, a possibilidade de que o Federal Reserve mantenha juros elevados por mais tempo ampliou a aversão ao risco nos mercados.
Na Europa, o cenário é oposto ao observado nos Estados Unidos. Os principais índices operam com ganhos, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela análise de novos dados econômicos positivos.
O índice STOXX 600 avançava 0,3%, atingindo 635,04 pontos — o maior nível histórico — e marcando o oitavo mês consecutivo de valorização. O DAX (Alemanha) subia 0,18%, enquanto o FTSE 100 (Reino Unido) ganhava 0,48%. Já o CAC 40 (França) registrava leve queda de 0,09%.
Apesar das incertezas ligadas às tarifas e à adoção de novas tecnologias, o mercado europeu mantém um ambiente otimista, sustentado pelo bom desempenho das empresas de energia e consumo.
Os mercados asiáticos apresentaram resultados variados no início da semana. Na China, os índices encerraram o pregão praticamente estáveis, mas acumulando ganhos semanais após o retorno gradual dos investidores ao mercado, pós-feriado do Ano-Novo Lunar.
O índice de Xangai subiu 0,4%, enquanto o CSI300 recuou 0,3%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1%, e em Tóquio, o Nikkei teve alta de 0,16%, alcançando 58.850 pontos. Já o KOSPI (Seul) caiu 1%, e o TAIEX (Taiwan) permaneceu fechado.
As tensões geopolíticas voltaram ao centro das atenções após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, aumentando a instabilidade internacional. O episódio fez com que investidores buscassem ativos considerados seguros, como energia e metais preciosos.
Na China, o índice de Xangai encerrou com alta de 0,5%, o maior patamar desde 2015. A valorização foi impulsionada pelas ações dos setores de energia, ouro e defesa. As companhias CNOOC, PetroChina e China Petroleum & Chemical Corp. registraram fortes ganhos.
O índice que acompanha as ações de ouro chinesas subiu 7%, enquanto empresas ligadas à defesa e transporte marítimo também tiveram alta expressiva. Por outro lado, companhias aéreas e de turismo recuaram devido ao aumento nos custos de operação e incertezas sobre viagens.
Principais índices internacionais:
Bolsa brasileira acompanha movimento internacional e sente pressão das tensões no Oriente Médio
O Ibovespa iniciou março em queda, refletindo a aversão ao risco internacional e a saída de capitais estrangeiros de mercados emergentes. Após encerrar fevereiro com valorização próxima de 4%, o índice recua neste início de mês, oscilando próximo aos 188.700 pontos.
O movimento segue a tendência global de cautela, após a escalada do conflito no Oriente Médio e a valorização do dólar no exterior. O desempenho negativo é puxado principalmente pelas ações de empresas ligadas a consumo e varejo.
O setor de energia, impulsionado pela alta do petróleo, foi o destaque positivo do pregão, enquanto companhias do varejo e de serviços financeiros registraram perdas.
O dólar comercial avança frente ao real, refletindo a busca de investidores por proteção em meio à instabilidade externa. O câmbio opera acima de R$ 5,10, com expectativa de forte oscilação nos próximos dias, especialmente diante da continuidade das tensões geopolíticas.
Economistas avaliam que o cenário de incerteza global deve manter o real pressionado no curto prazo, apesar de fundamentos sólidos da economia brasileira.
Mesmo com o recuo momentâneo, analistas mantêm projeções positivas para o mercado acionário brasileiro em 2026. Casas de investimento apontam que o Ibovespa pode alcançar até 196 mil pontos até o fim do ano, sustentado por juros mais baixos e melhora gradual na confiança dos investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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