Bolsas globais despencam com tombo das ações de tecnologia na Ásia, enquanto IPCA-15 impulsiona Ibovespa e reduz pressão sobre juros
Inflação brasileira abaixo do esperado anima investidores e fortalece Bolsa brasileira, enquanto mercados asiáticos sofrem com queda das empresas de chips e inteligência artificial em meio ao aumento da concorrência chinesa.
Publicado em: 28/07/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (28) dividido entre dois cenários distintos. No exterior, as bolsas asiáticas registraram fortes perdas, pressionadas por uma nova onda de vendas no setor global de tecnologia, especialmente entre fabricantes de semicondutores e empresas ligadas à inteligência artificial (IA). No Brasil, porém, o ambiente foi de otimismo após a divulgação do IPCA-15 de julho, que veio muito abaixo das expectativas do mercado e fortaleceu as apostas em um ciclo de redução dos juros.
O contraste entre os mercados evidencia a influência simultânea dos fatores macroeconômicos, da política monetária e da crescente disputa tecnológica global, elementos que seguem direcionando os fluxos de investimentos internacionais.
Tecnologia derruba bolsas asiáticas e amplia aversão ao risco
As ações chinesas encerraram o pregão no menor nível em uma semana, refletindo uma ampla liquidação no setor de tecnologia. Investidores passaram a reavaliar os elevados preços das empresas de semicondutores e inteligência artificial diante do aumento da capacidade produtiva chinesa, da intensificação da concorrência global e dos elevados investimentos necessários para expansão da infraestrutura de IA.
O índice CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 2,83%, enquanto o índice de Xangai (SSEC) recuou 1,16%.
Os setores ligados à tecnologia registraram perdas ainda mais expressivas:
- Índice STAR 50: -6,3%;
- ChiNext: -7,4%;
- Índice CSI de Inteligência Artificial: -7,1%, atingindo o menor nível em três meses;
- Índice do setor de semicondutores: -6,5%.
Entre os destaques negativos estiveram grandes fabricantes de chips. A CXMT, que havia estreado com forte valorização no pregão anterior, recuou cerca de 4%. Outras empresas relevantes também sofreram forte correção, refletindo a realização de lucros e as preocupações sobre o excesso de investimentos no setor.
Outro fator que aumentou a cautela foi a informação de que Pequim iniciou a fabricação doméstica de equipamentos de litografia por imersão em ultravioleta profundo (DUV), tecnologia considerada estratégica para reduzir a dependência da fabricante holandesa ASML e acelerar a autossuficiência chinesa na produção de semicondutores.
Coreia do Sul aciona circuit breaker após queda superior a 10%
O movimento de aversão ao risco também atingiu outros mercados asiáticos.
O índice Kospi, da Coreia do Sul, despencou 10,84%, levando a bolsa local a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, interrupção temporária das negociações utilizada para conter movimentos extremos de mercado e reduzir episódios de pânico entre investidores.
No Japão, o índice Nikkei perdeu 3,95%, pressionado principalmente pelas empresas exportadoras de tecnologia.
Em Taiwan, outro importante polo global da indústria de semicondutores, o índice Taiex caiu 4,65%, acompanhando a realização de lucros nas fabricantes de chips.
Já em Hong Kong, o índice Hang Seng conseguiu encerrar o dia em alta de 0,41%, enquanto o mercado australiano destoou do restante da região, com o S&P/ASX 200 avançando 0,60%.
Analistas também destacam que os investidores permanecem cautelosos antes de importantes eventos da semana, incluindo decisões sobre política monetária dos Estados Unidos, divulgação dos balanços das gigantes globais de tecnologia e novas sinalizações econômicas do governo chinês.
IPCA-15 surpreende positivamente e fortalece expectativa de queda dos juros
Enquanto o cenário externo permaneceu pressionado, o mercado brasileiro recebeu uma notícia bastante favorável.
O IPCA-15 de julho, considerado a prévia oficial da inflação, avançou apenas 0,06%, resultado significativamente inferior às expectativas do mercado, cuja mediana apontava alta próxima de 0,21%.
No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou para 4,52%, reforçando a percepção de que as pressões inflacionárias seguem perdendo intensidade.
A leitura mais fraca do índice provocou queda em toda a curva dos contratos futuros de juros (DIs), elevando as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá encontrar um ambiente mais favorável para iniciar um ciclo gradual de flexibilização monetária.
Ibovespa sobe com inflação menor e cenário externo mais favorável
Com a surpresa positiva da inflação, o mercado acionário brasileiro abriu em forte valorização.
O Ibovespa futuro avançou mais de 1%, aproximando-se da faixa entre 178 mil e 179 mil pontos, enquanto o dólar comercial operava próximo de R$ 5,11.
O ambiente doméstico também foi beneficiado pela continuidade da queda dos preços internacionais do petróleo, movimento associado ao alívio temporário das tensões geopolíticas no Oriente Médio e ao avanço das negociações diplomáticas na região.
A redução do petróleo tende a aliviar pressões sobre a inflação global, fator que também favorece mercados emergentes como o Brasil.
Empresas divulgam resultados positivos e movimentam a Bolsa
Além do cenário macroeconômico, investidores acompanham a temporada de balanços corporativos.
Entre os principais destaques:
- Telefônica Brasil (VIVT3) registrou crescimento de aproximadamente 17% no lucro líquido, alcançando R$ 1,57 bilhão, impulsionada pela expansão das receitas dos segmentos de telefonia pós-paga e fibra óptica.
- TIM (TIMS3) apresentou lucro líquido ajustado de R$ 1,036 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 6,1% na comparação anual, sustentado pelo avanço da receita de serviços.
- Petrobras (PETR3 e PETR4) permaneceu no radar dos investidores diante da queda das cotações internacionais do petróleo e da expectativa pela divulgação do relatório operacional de produção e vendas referente ao segundo trimestre.
Mercado segue atento às decisões dos bancos centrais
Os próximos dias prometem elevada volatilidade nos mercados globais.
Investidores monitoram atentamente as próximas decisões de política monetária nos Estados Unidos, a divulgação dos resultados das maiores empresas globais de tecnologia e os sinais emitidos pelas autoridades econômicas chinesas.
No Brasil, a combinação entre inflação em desaceleração, expectativa de juros menores e temporada de balanços tende a continuar influenciando o desempenho do Ibovespa, enquanto o comportamento do dólar e das commodities seguirá diretamente ligado ao cenário internacional.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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