Juros altos pressionam 40% das construtoras e dificultam acesso ao crédito, aponta CNI
Preocupação com o custo do financiamento é a maior desde 2023; confiança melhora em outubro, mas setor ainda enfrenta queda da atividade, emprego e lucratividade
Publicado em: 26/10/2026 às 19:00hs
As taxas de juros elevadas foram apontadas como um dos principais problemas por 40% das empresas da indústria da construção no terceiro trimestre de 2026. O percentual é o segundo maior da série histórica e reforça as dificuldades do setor para acessar crédito e sustentar a rentabilidade.
Os dados são da Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborada em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Pelo terceiro trimestre consecutivo, os juros lideraram o ranking de obstáculos enfrentados pelas empresas.
Apesar desse cenário, a confiança empresarial apresentou recuperação em outubro. A melhora, porém, ficou concentrada nas expectativas para os próximos meses, enquanto a avaliação das condições atuais continuou piorando.
Juros lideram dificuldades pelo terceiro trimestre seguido
A parcela de empresas que apontou os juros elevados entre os principais problemas passou de 36,2% no segundo trimestre para 40% no terceiro trimestre, aumento de 3,8 pontos percentuais.
Foi a terceira alta consecutiva. O resultado ficou abaixo apenas dos 40,8% registrados no segundo trimestre de 2023, maior percentual da série.
A carga tributária permaneceu na segunda posição, citada por 31% das empresas. Em seguida apareceram a falta ou o alto custo da mão de obra não qualificada, com 29%, e a escassez ou o custo elevado de trabalhadores qualificados, com 25%.
A demanda interna insuficiente também ganhou espaço entre as preocupações, passando de 17,3% para 21% das respostas.
Na pesquisa, cada empresário pode indicar até três problemas. Por isso, a soma dos percentuais supera 100%.
Acesso ao crédito piora e insatisfação com lucro aumenta
O índice de facilidade de acesso ao crédito caiu de 39,3 para 37,9 pontos no terceiro trimestre. Como permanece abaixo da linha de 50 pontos, o resultado indica que a dificuldade de obter financiamento continua disseminada no setor.
A satisfação com o lucro operacional também recuou. O indicador passou de 41,7 para 40,7 pontos, menor nível desde o primeiro trimestre de 2021, quando havia registrado 38,1 pontos.
Já o índice de satisfação com a situação financeira permaneceu em 45,2 pontos. A estabilidade não representa uma condição favorável: o resultado abaixo de 50 pontos mostra que a insatisfação ainda predomina entre as empresas.
Insumos continuam mais caros, apesar de desaceleração
O indicador de evolução dos preços de insumos e matérias-primas diminuiu de 66,2 para 65,6 pontos no terceiro trimestre.
A redução sinaliza uma alta menos intensa e disseminada dos custos em relação ao trimestre anterior. Entretanto, como o índice segue acima de 50 pontos, os empresários continuam percebendo encarecimento dos materiais.
O resultado também ficou acima da média histórica para o período, acrescentando pressão às margens em um ambiente de crédito difícil.
Atividade da construção melhora, mas permanece em queda
O índice de evolução do nível de atividade subiu de 44,7 pontos em agosto para 45,6 pontos em setembro. O avanço recuperou apenas parte da perda registrada no mês anterior.
Mesmo com a melhora, o indicador permaneceu abaixo de 50 pontos, mostrando que a atividade continuou caindo, embora de forma menos disseminada.
No emprego, o movimento foi de deterioração. O índice de evolução do número de trabalhadores passou de 45,8 para 45,3 pontos, sinalizando continuidade da redução do quadro de pessoal.
Em contrapartida, a utilização da capacidade operacional aumentou três pontos percentuais, para 68%. O percentual igualou o registrado em setembro de 2025 e foi o maior desde outubro daquele ano.
Confiança reage em outubro, mas ainda indica cautela
O Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção avançou 3,5 pontos em outubro, alcançando 49 pontos, maior nível desde novembro de 2025.
Apesar da recuperação, o indicador continuou abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
A melhora veio exclusivamente das expectativas, sobretudo em relação à economia brasileira. A avaliação das condições atuais, por sua vez, continuou recuando e atingiu o menor nível desde julho de 2020.
O contraste mostra que os empresários passaram a enxergar perspectivas menos negativas, embora ainda enfrentem dificuldades na operação.
Expectativas melhoram sem consolidar recuperação
Entre os indicadores específicos para os próximos seis meses, a expectativa de nível de atividade aumentou de 47 para 50,1 pontos. Foi o único dos quatro índices a superar a linha divisória, ainda por uma margem pequena.
A expectativa de compras de insumos e matérias-primas apresentou o maior avanço, de 3,9 pontos, chegando a 49,7 pontos.
Os indicadores de novos empreendimentos e serviços e de número de empregados alcançaram, respectivamente, 48,6 e 48,7 pontos. Ambos permaneceram em território negativo.
Todos os quatro índices ficaram abaixo de suas médias históricas para outubro, indicando que a recuperação das expectativas ainda é limitada.
Intenção de investir tem pior outubro desde 2020
O índice de intenção de investimento subiu de 39,7 para 41,9 pontos, revertendo parcialmente a queda de setembro.
Ainda assim, foi o menor resultado para meses de outubro desde 2020, quando o indicador marcou 40,9 pontos. Nesse índice, quanto maior a pontuação, maior a disposição das empresas para investir.
A sondagem ouviu 305 empresas, sendo 120 pequenas, 125 médias e 60 grandes, entre 1º e 13 de outubro de 2026. O documento foi concluído em 23 de outubro e reúne dados sobre o desempenho de setembro, as condições financeiras do terceiro trimestre e as expectativas de outubro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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