Publicado em: 12/06/2026 às 11:35hs
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência oficial da inflação no Brasil — registrou alta de 0,58% em maio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa desaceleração de 0,09 ponto percentual em relação a abril, quando a taxa foi de 0,67%.
No acumulado do ano, o índice soma alta de 3,20%, enquanto nos últimos 12 meses chega a 4,72%, acima dos 4,39% observados no período anterior.
A leitura de maio reforça um cenário de pressão concentrada em itens essenciais, com destaque para alimentação, energia elétrica e serviços, enquanto o grupo de transportes registrou alívio, puxado pela queda nos combustíveis.
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta do IPCA em maio, com variação de 1,33% e impacto de 0,29 ponto percentual — praticamente metade de toda a inflação do mês.
No consumo dentro do domicílio, a alta foi de 1,65%, influenciada por aumentos expressivos em itens básicos da mesa do brasileiro:
Por outro lado, houve recuo em produtos como:
Na alimentação fora de casa, a alta foi mais moderada, de 0,49%, com leve desaceleração tanto em lanches quanto em refeições.
O grupo Habitação registrou alta de 1,22%, com destaque para o aumento da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e teve o maior impacto individual no índice do mês.
Os reajustes tarifários ocorreram em diferentes capitais, com variações relevantes em:
Além disso, permaneceu vigente a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional na conta de luz, reforçando o peso da energia no orçamento das famílias e no custo operacional de cadeias produtivas.
O grupo Transportes foi o único com variação negativa em maio, recuando 0,46%, refletindo principalmente a queda nos preços dos combustíveis.
Entre os principais movimentos:
O gás veicular, no entanto, seguiu na direção oposta, com alta de 5,81%.
Outros componentes do grupo tiveram comportamento misto:
A variação dos transportes ajuda a conter parcialmente o avanço da inflação, com efeito direto também sobre a logística e o escoamento de cargas, especialmente no agronegócio.
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,90%, com destaque para:
O comportamento reforça a continuidade de pressões em serviços essenciais, com impacto direto no orçamento das famílias.
Entre as regiões pesquisadas, as maiores altas foram registradas em:
Ambas influenciadas por energia elétrica e alimentos.
Já a menor variação ocorreu em Curitiba, com 0,29%, favorecida pela queda em itens como emplacamento e combustíveis.
O resultado do IPCA de maio mostra um cenário de inflação ainda controlada em termos gerais, mas com forte concentração de aumentos em itens essenciais, especialmente alimentação e energia.
No outro extremo, a queda nos combustíveis trouxe alívio importante para o setor de transportes, com reflexos diretos em custos logísticos e cadeias produtivas do agronegócio, especialmente no escoamento de grãos, carnes e insumos.
O comportamento desigual dos grupos reforça a sensibilidade do índice a choques pontuais em alimentos e energia, segmentos estratégicos para o setor agroindustrial e para o custo de vida no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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