IPCA-15 sobe apenas 0,06% em julho, fica abaixo das expectativas e reforça cenário de desaceleração da inflação
Prévia da inflação surpreende ao registrar alta inferior à esperada pelo mercado; queda dos alimentos compensou aumento da energia elétrica e fortalece expectativa de inflação mais controlada.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:08hs
A inflação brasileira perdeu força em julho e surpreendeu positivamente o mercado financeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação, avançou apenas 0,06%, resultado significativamente inferior aos 0,19% esperados pelos analistas e também abaixo dos 0,41% registrados em junho.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a desaceleração foi impulsionada principalmente pela forte queda dos preços dos alimentos, que compensou o aumento das tarifas de energia elétrica e outros custos ligados à habitação.
No acumulado de 2026, o IPCA-15 registra alta de 3,51%. Em 12 meses, o índice desacelerou para 4,52%, abaixo dos 4,80% observados no período imediatamente anterior e também inferior à expectativa do mercado, que projetava 4,67%.
Queda dos alimentos reduz pressão sobre a inflação
O principal fator de alívio para o índice foi o grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou retração de 0,66%, gerando impacto negativo de 0,15 ponto percentual no resultado geral.
A alimentação consumida dentro de casa caiu 1,14%, refletindo principalmente a redução dos preços de importantes produtos da cesta básica.
Entre as maiores quedas registradas em julho destacam-se:
- Tomate: -19,95%
- Batata-inglesa: -10,03%
- Café moído: -3,13%
Por outro lado, alguns alimentos apresentaram valorização, como:
- Cebola: 7,10%
- Pão francês: 0,65%
Já a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,40% para 0,55%, com destaque para o aumento das refeições em restaurantes, que avançaram 0,66%.
Energia elétrica lidera alta dos preços
Enquanto os alimentos ajudaram a conter a inflação, o grupo Habitação registrou a maior alta entre todos os componentes do índice, com avanço de 0,97% e impacto positivo de 0,15 ponto percentual.
O principal responsável foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,03%, tornando-se o item de maior influência individual sobre o IPCA-15 de julho.
O movimento foi impulsionado pela vigência da bandeira tarifária amarela, além de reajustes autorizados para distribuidoras em diferentes capitais brasileiras, como Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Também houve aumento nas tarifas de água e esgoto em algumas regiões, enquanto o gás encanado apresentou leve redução.
Combustíveis caem e ajudam a conter a inflação
O grupo Transportes registrou alta de 0,11%, porém o comportamento dos preços foi bastante distinto entre seus componentes.
As passagens aéreas dispararam 11,70%, pressionando o índice.
Em contrapartida, todos os principais combustíveis apresentaram redução:
- Etanol: -2,50%
- Óleo diesel: -1,32%
- Gás veicular: -0,97%
- Gasolina: -0,68%
A queda dos combustíveis contribuiu para limitar uma aceleração maior da inflação no período.
Saúde também registra avanço
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais avançou 0,28%, influenciado principalmente pelo aumento dos produtos de higiene pessoal e pelos reajustes autorizados para os planos de saúde.
Os perfumes tiveram alta de 1,74%, enquanto os planos de saúde refletiram a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Rio de Janeiro lidera alta regional
Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, o maior avanço do IPCA-15 ocorreu no Rio de Janeiro, onde a inflação chegou a 0,44%.
O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento das passagens aéreas (24,34%) e da energia elétrica (4,88%).
Na outra ponta, Belém registrou deflação de 0,22%, puxada pelas fortes quedas do preço do açaí (-19,45%) e da gasolina (-3,35%).
O que o resultado indica para a economia
O desempenho do IPCA-15 de julho reforça um cenário de inflação mais moderada no curto prazo. A forte queda dos preços dos alimentos ajudou a neutralizar parte das pressões vindas do setor de energia e de serviços, mantendo a inflação acumulada em 12 meses em trajetória de desaceleração.
Para produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas do agronegócio, o comportamento dos preços dos alimentos e dos combustíveis segue como um dos principais indicadores para avaliar custos de produção, logística, consumo interno e perspectivas para o restante do ano.
A divulgação também reforça a importância do acompanhamento dos próximos indicadores de inflação e da política monetária, que continuarão influenciando o crédito rural, os investimentos, o câmbio e o desempenho das cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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