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Mercado Financeiro

Ibovespa sobe na contramão das bolsas globais com petróleo acima de US$ 95 e dólar perto de R$ 5,14

Mercado brasileiro avança apoiado por Petrobras e Vale, enquanto tensões entre Estados Unidos e Irã, disparada do petróleo e temor de juros mais altos pressionam Wall Street, Europa e Ásia nesta quarta-feira


Publicado em: 02/09/2026 às 10:56hs

Ibovespa sobe na contramão das bolsas globais com petróleo acima de US$ 95 e dólar perto de R$ 5,14

O Ibovespa operava em alta nesta quarta-feira, 2 de setembro, contrariando o movimento negativo predominante nas principais bolsas de valores do mundo. O índice brasileiro encontrava sustentação nas ações ligadas ao petróleo e à mineração, enquanto o dólar recuava para perto de R$ 5,14.

No exterior, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar a aversão ao risco. O conflito ampliou os temores de interrupções no fornecimento global de energia, impulsionou o petróleo e pressionou os mercados de ações e títulos públicos.

Ibovespa avança com Petrobras e Vale

Na abertura dos negócios, o Ibovespa subia impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras e da Vale. A estatal petrolífera era beneficiada pela valorização do barril no mercado internacional, enquanto os papéis da mineradora acompanhavam o avanço do minério de ferro.

O movimento ocorre depois de o principal índice da B3 encerrar a terça-feira com alta de 1,30%, aos 179.722 pontos. Foi a décima valorização consecutiva do indicador, que voltou a se aproximar dos 180 mil pontos.

O dólar comercial, por sua vez, abriu próximo da estabilidade, ao redor de R$ 5,16, e posteriormente recuou para a região de R$ 5,14. A moeda norte-americana apresentava comportamento mais contido no Brasil, apesar de avançar diante de outras divisas no exterior em razão da procura por ativos considerados seguros. UOL Economia

Petrobras ganha força com petróleo acima de US$ 95

A alta do petróleo aparece como um dos principais fatores de sustentação para o Ibovespa. O Brent ultrapassou US$ 95 por barril e alcançou o maior patamar em cerca de cinco semanas, diante do risco de comprometimento das exportações pelo Estreito de Ormuz.

A rota marítima é estratégica para o comércio mundial de energia. Por isso, qualquer ameaça à circulação de navios na região tende a adicionar um prêmio de risco às cotações do petróleo.

Embora favoreça as ações das petroleiras, a valorização da commodity aumenta as preocupações com a inflação global. Combustíveis e fretes mais caros podem pressionar os custos das empresas e dificultar a redução dos juros nas principais economias.

Produção industrial entra no radar do mercado brasileiro

No cenário doméstico, os investidores também analisam os novos dados da produção industrial. A atividade avançou 0,2% em julho, interrompendo uma sequência de dois meses de retração. Na comparação anual, entretanto, o setor industrial apresentou queda de 0,5%.

O indicador se soma ao resultado do Produto Interno Bruto brasileiro. A economia cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 frente aos três primeiros meses do ano, com ajuste sazonal.

A agropecuária teve expansão de 2,8% no período, enquanto os serviços cresceram 0,2% e a indústria avançou 0,1%. Os números reforçam a leitura de crescimento econômico moderado, mas ainda colocam em destaque o debate sobre inflação, atividade e trajetória da taxa Selic.

Wall Street abre setembro sob pressão

Os índices futuros de Nova York recuavam antes da abertura do mercado norte-americano. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq refletiam a combinação entre petróleo mais caro, elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro e agravamento das tensões geopolíticas.

Na sessão anterior, o Dow Jones caiu 0,79%, o S&P 500 perdeu 0,71% e o Nasdaq recuou 1,03%. O setor de tecnologia esteve entre os mais pressionados pelo avanço dos juros de longo prazo. Reuters

O rendimento dos títulos norte-americanos de dez anos chegou à região de 4,82%, próximo do maior nível em três anos. A alta dos rendimentos reduz a atratividade relativa das ações e aumenta o custo de financiamento das empresas.

O mercado também elevou as apostas em uma possível alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro. O temor é que a valorização da energia dificulte o controle da inflação e obrigue o banco central norte-americano a manter uma política monetária restritiva por mais tempo.

Bolsas da Europa caem para mínima de um mês

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 recuava cerca de 0,3%, aos 645 pontos, atingindo o menor nível em aproximadamente um mês. As bolsas da Alemanha, França e Reino Unido também operavam pressionadas.

A região é particularmente vulnerável ao encarecimento da energia por depender das importações de petróleo e gás. O aumento dos custos energéticos pode atingir a indústria, reduzir margens empresariais e pressionar novamente os índices de inflação.

A liquidação no mercado global de títulos também afetava os ativos europeus. Na Alemanha, o rendimento dos papéis públicos de dez anos alcançou o maior nível desde 2011. Reuters

Ásia fecha com fortes perdas

As bolsas asiáticas encerraram a quarta-feira predominantemente em baixa, com perdas mais acentuadas no Japão e na Coreia do Sul.

O Nikkei 225, de Tóquio, caiu 2,85%, aos 64.325 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 3,99%, aos 6.562 pontos, pressionado pela venda de ações de fabricantes de semicondutores.

Na China, a Bolsa de Xangai recuou 0,97%, enquanto o CSI 300 perdeu 1,38%. Em Hong Kong, o Hang Seng registrou leve baixa de 0,07%.

A Bolsa de Cingapura destoou do movimento regional e avançou 0,59%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu aproximadamente 1%, enquanto o mercado de Taiwan recuou 1,7%. Associated Press

Juros, petróleo e conflito geopolítico definem rumo dos mercados

O desempenho dos mercados nesta quarta-feira mostra uma divisão entre a Bolsa brasileira e os principais índices internacionais. A B3 recebe apoio de empresas exportadoras e produtoras de commodities, sobretudo Petrobras e Vale, enquanto as bolsas estrangeiras sofrem com o temor de inflação e juros elevados.

Entre os fatores que devem continuar orientando os negócios estão:

  • a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã;
  • o comportamento do petróleo e os riscos no Estreito de Ormuz;
  • os rendimentos dos títulos públicos norte-americanos;
  • as expectativas para a próxima decisão do Federal Reserve;
  • os indicadores de atividade e inflação no Brasil e nos Estados Unidos;
  • o fluxo de capital estrangeiro direcionado à B3.

A sustentação do Ibovespa dependerá, principalmente, da continuidade da valorização das commodities e do desempenho das ações de maior peso. No exterior, o cenário permanece mais defensivo, com investidores reduzindo posições de risco diante da possibilidade de inflação mais persistente e aperto adicional da política monetária.

Fonte: Portal do Agronegócio

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