Ibovespa abre em queda com dólar a R$ 5,14; bolsas globais operam mistas após decisões de juros
Vencimento de opções, cenário eleitoral e preocupação fiscal pressionam a B3, enquanto Ásia avança, Europa recua e Wall Street sinaliza abertura cautelosa nesta sexta-feira
Publicado em: 18/09/2026 às 10:55hs
O Ibovespa abriu em queda nesta sexta-feira, 18 de setembro, pressionado pelo vencimento de opções sobre ações, pelo avanço dos juros futuros e pelas incertezas políticas e fiscais no Brasil. Nos primeiros negócios, o principal índice da B3 operava próximo de 185,1 mil pontos, com perdas entre ações de grandes bancos, mineradoras, petrolíferas, siderúrgicas e empresas ligadas ao varejo.
O dólar comercial oscilava ao redor de R$ 5,14, após iniciar a sessão perto da estabilidade. O Banco Central também realizou leilões de venda da moeda norte-americana com compromisso de recompra, em operação de até US$ 1 bilhão destinada a garantir liquidez ao mercado. Segundo os dados da abertura, o câmbio começou o dia entre R$ 5,13 e R$ 5,14.
No exterior, o desempenho foi positivo na Ásia, negativo na abertura da Europa e cauteloso nos futuros de Nova York. Os investidores ainda avaliam as recentes decisões dos principais bancos centrais, o comportamento do petróleo e a expectativa pela reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.
Ibovespa recua com vencimento de opções e cautela fiscal
A queda do Ibovespa ocorre em uma sessão marcada pelo vencimento de opções sobre ações, evento que costuma elevar o volume de negócios e aumentar a volatilidade dos papéis de maior peso no índice.
Vale, Petrobras, grandes bancos, varejistas e siderúrgicas operavam sob pressão nos primeiros negócios. Esses ativos concentram parcela expressiva da movimentação da bolsa brasileira e influenciam diretamente a direção do Ibovespa.
No ambiente doméstico, os investidores acompanham uma nova pesquisa eleitoral e os possíveis impactos fiscais de medidas anunciadas pelo governo. O reajuste dos benefícios do Bolsa Família aumentou a cautela diante das perspectivas para as contas públicas.
O mercado também repercute a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
A combinação diminuiu a diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos, fator relevante para o fluxo de capitais, a cotação do dólar e o desempenho dos ativos domésticos.
Até o início da sessão desta sexta-feira, o Ibovespa acumulava queda de 0,65% na semana. No mês, contudo, o índice ainda registrava valorização de 4,83%, enquanto o ganho acumulado em 2026 chegava a 15,43%.
Dólar opera próximo da estabilidade
O dólar iniciou o pregão sem uma direção firme e permaneceu próximo de R$ 5,14. A moeda reflete tanto o ambiente político e fiscal brasileiro quanto o fortalecimento internacional da divisa norte-americana após a decisão do Federal Reserve.
A redução da Selic e a elevação dos juros dos Estados Unidos diminuem o diferencial de remuneração entre os dois países. Em tese, esse movimento pode reduzir parte da atratividade das operações de investimento em reais.
Para o agronegócio, o comportamento do câmbio permanece estratégico. Um dólar mais valorizado tende a favorecer a receita em reais dos exportadores de soja, milho, café, algodão, carnes e açúcar, mas também pode aumentar os custos de insumos importados, como fertilizantes, defensivos e componentes de máquinas agrícolas.
Bolsas da Ásia fecham em alta
Os mercados asiáticos encerraram a sexta-feira majoritariamente no campo positivo. O movimento foi apoiado pela recuperação das ações chinesas, pelo recuo parcial do petróleo e pela expectativa de redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Em Tóquio, o Nikkei avançou 1,38%, aos 65.018 pontos, mesmo após o Banco do Japão elevar a taxa básica para 1,25% ao ano, o maior nível em 31 anos. A decisão foi aprovada por sete votos a dois e representa mais uma etapa no abandono da política monetária ultraflexível mantida pelo país durante décadas. A elevação dos juros japoneses foi confirmada pelo Banco do Japão nesta sexta-feira.
Na China continental, o índice de Xangai subiu 0,94%, aos 3.911 pontos. O CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, ganhou 1,06%, aos 4.507 pontos, no melhor desempenho diário em cerca de um mês.
Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,60%, aos 24.750 pontos. As ações do setor imobiliário lideraram os ganhos na China, acompanhadas por empresas de semicondutores e inteligência artificial.
Entre os demais mercados asiáticos, o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,66%, enquanto o Taiex, de Taiwan, subiu 1,93%. O Straits Times, de Singapura, recuou 0,29%, e o S&P/ASX 200, da Austrália, apresentou leve baixa de 0,01%.
Reunião entre Trump e Xi movimenta ações e commodities
O encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping ganhou importância para os mercados acionários e para o comércio mundial de commodities. Os investidores esperam avanços em temas como tarifas, barreiras não tarifárias, tecnologia, energia e produtos agrícolas.
As negociações interessam diretamente ao agronegócio, especialmente ao mercado de soja. A China é o maior importador mundial da oleaginosa e suas decisões de compra influenciam as cotações em Chicago, os prêmios nos portos brasileiros e a competitividade entre Brasil e Estados Unidos.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antecipou que poderão ocorrer anúncios relacionados à agricultura e às barreiras não tarifárias. Também está em discussão uma redução recíproca de tarifas envolvendo aproximadamente US$ 30 bilhões em mercadorias.
Agricultura, energia e terras raras deverão ocupar espaço relevante no encontro. O mercado acompanha, em particular, a possibilidade de novas compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e os efeitos sobre a demanda pela soja brasileira. A agenda comercial do encontro inclui commodities agrícolas e possíveis mudanças tarifárias.
Bolsas europeias recuam com telecomunicações e energia
Na Europa, as principais bolsas abriram em queda. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava aproximadamente 0,3%, aos 640,63 pontos, pressionado pelos setores de telecomunicações, alimentos e bebidas, seguros e energia.
As ações de telecomunicações caíam cerca de 2%, enquanto os papéis de tecnologia avançavam aproximadamente 0,6%, apoiados por fabricantes de semicondutores.
Apesar da baixa desta sexta-feira, o Stoxx 600 caminhava para registrar o primeiro ganho semanal em três semanas. A redução das pressões no mercado de títulos e o recuo do petróleo ajudaram a limitar as perdas. O mercado europeu operava pressionado pelas ações de telecomunicações e energia.
As decisões de política monetária continuam no centro das atenções. Além da alta promovida pelo Federal Reserve e pelo Banco do Japão, o Banco da Inglaterra manteve os juros em 3,75%, mas adotou uma comunicação mais firme diante do risco de aceleração da inflação.
Wall Street sinaliza abertura cautelosa
Os futuros dos índices de Nova York apresentavam oscilações limitadas antes da abertura do mercado à vista. Depois de iniciarem a manhã com sinais mistos, os contratos passaram a indicar uma sessão próxima da estabilidade, com ligeira vantagem para as ações de tecnologia.
Os investidores avaliam o recuo do petróleo, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e a perspectiva de novos ajustes na política monetária dos Estados Unidos.
O rendimento dos títulos de dez anos dos Estados Unidos permanecia próximo de 5%, patamar que aumenta a concorrência da renda fixa com as ações e pode pressionar empresas mais dependentes de capital, especialmente companhias de tecnologia.
O vencimento simultâneo de contratos futuros e opções, conhecido como “triple witching”, também pode ampliar a volatilidade em Wall Street. Os futuros norte-americanos apontavam para uma abertura moderada.
Petróleo recua, mas permanece acima de US$ 100
O petróleo operava em baixa pela terceira sessão consecutiva, após a redução dos receios de interrupção imediata no fornecimento da Arábia Saudita.
O Brent recuava 0,84%, negociado próximo de US$ 103,94 por barril, enquanto o petróleo WTI permanecia ao redor de US$ 102,15. Apesar da correção, as cotações continuam acima de US$ 100, refletindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os riscos para a infraestrutura energética.
A queda do petróleo ajuda a aliviar parte das preocupações com a inflação global. Para o agronegócio brasileiro, no entanto, o patamar elevado ainda mantém atenção sobre custos de diesel, fretes, fertilizantes e demais insumos ligados à energia. Os preços recuavam com a melhora das perspectivas de oferta saudita.
Juros, política e commodities devem manter volatilidade
A abertura dos mercados nesta sexta-feira mostra um cenário dividido: bolsas asiáticas em alta, índices europeus em queda, futuros norte-americanos próximos da estabilidade e Ibovespa pressionado por fatores domésticos.
Ao longo do dia, o mercado brasileiro deverá continuar sensível ao vencimento de opções, às movimentações do dólar, ao cenário eleitoral e às avaliações sobre o impacto fiscal das decisões do governo.
No ambiente internacional, juros elevados, petróleo acima de US$ 100 e expectativas em torno da reunião entre Estados Unidos e China deverão orientar as negociações. Para o agronegócio, os reflexos passam pelo câmbio, pelos custos de produção e pelo possível redirecionamento da demanda chinesa por commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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