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Mercado Financeiro

Focus reduz previsão de inflação para 2026 e mantém Selic em 13,75%

Mercado financeiro revisa levemente para baixo as projeções para o IPCA e o PIB, enquanto mantém expectativa de corte da Selic até o fim de 2026


Publicado em: 10/08/2026 às 11:05hs

Focus reduz previsão de inflação para 2026 e mantém Selic em 13,75%

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram novamente a previsão para a inflação brasileira em 2026, segundo a edição mais recente do Boletim Focus. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,03% para 5,02%, permanecendo, porém, acima da meta de inflação de 3% estabelecida para o ano.

A revisão ocorre em um cenário no qual o mercado também passou a projetar uma inflação ligeiramente menor para os preços administrados e para o IGP-M. Ao mesmo tempo, as expectativas para o crescimento da economia brasileira foram reduzidas tanto para 2026 quanto para 2027.

Inflação segue acima da meta em 2026

De acordo com o Focus, a estimativa para a inflação dos preços administrados — como tarifas e preços definidos ou influenciados pelo poder público — recuou de 4,93% para 4,91% em 2026.

Já a previsão para o IGP-M passou de 4,54% para 4,47%.

Apesar das revisões para baixo, a expectativa para o IPCA continua significativamente acima da meta de 3%, indicando que o mercado ainda considera desafiador o processo de convergência da inflação ao objetivo oficial.

Para 2027, a projeção para o IPCA permaneceu em 4,22%, também acima da meta de 3%.

A estimativa para os preços administrados no próximo ano ficou estável em 3,90%, enquanto a projeção para o IGP-M recuou de 4,16% para 4,14%.

Mercado reduz previsão para o PIB

As instituições financeiras também revisaram para baixo as expectativas para o crescimento da economia brasileira.

Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,99% para 1,98%. Para 2027, a estimativa passou de 1,57% para 1,52%.

A previsão do mercado permanece ligeiramente abaixo da estimativa do Banco Central. Na edição mais recente do Relatório de Política Monetária (RPM), publicada em junho, o BC estimou crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026.

A diferença entre as projeções evidencia uma avaliação mais cautelosa das instituições financeiras em relação ao ritmo de expansão da atividade econômica.

Selic deve terminar 2026 em 13,75%

A expectativa para a taxa básica de juros permaneceu estável na pesquisa Focus.

O mercado financeiro manteve em 13,75% ao ano a projeção para a Selic no fim de 2026. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano, o que representa uma expectativa de redução de 0,25 ponto percentual até dezembro.

Há quatro semanas, a previsão para a Selic no encerramento de 2026 era de 14%.

Para 2027, os analistas mantiveram a estimativa em 12% ao ano.

A trajetória projetada para os juros continua sendo acompanhada de perto pelo mercado, principalmente diante da inflação ainda acima da meta e das perspectivas para a atividade econômica.

Dólar permanece projetado em R$ 5,20

A pesquisa Focus também mostrou estabilidade nas expectativas para o câmbio.

A previsão para o dólar ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,20.

Para 2027, a estimativa ficou em R$ 5,28 por dólar. As projeções permanecem iguais às registradas quatro semanas atrás.

O comportamento do câmbio é um dos fatores monitorados pelo mercado em razão de seus impactos sobre preços de produtos importados, custos industriais, combustíveis e commodities negociadas internacionalmente.

O que o mercado espera para a economia brasileira

As projeções mais recentes do Focus indicam um cenário de inflação ainda pressionada, crescimento econômico moderado e redução gradual dos juros.

Principais projeções do mercado
  • IPCA 2026: 5,02%
  • IPCA 2027: 4,22%
  • IGP-M 2026: 4,47%
  • IGP-M 2027: 4,14%
  • PIB 2026: 1,98%
  • PIB 2027: 1,52%
  • Selic no fim de 2026: 13,75%
  • Selic no fim de 2027: 12%
  • Dólar no fim de 2026: R$ 5,20
  • Dólar no fim de 2027: R$ 5,28
Inflação e juros seguem no radar do agronegócio

Para o agronegócio, as expectativas para inflação, juros e câmbio têm impacto direto sobre custos de produção, crédito rural, investimentos e formação de preços das commodities.

Uma Selic ainda elevada tende a manter o custo do dinheiro pressionado, enquanto mudanças no câmbio podem alterar a competitividade das exportações brasileiras e os preços de insumos com componentes importados.

Ao mesmo tempo, uma eventual desaceleração da inflação pode contribuir para a redução gradual das taxas de juros, favorecendo o ambiente de investimentos e financiamento no setor produtivo.

O cenário, portanto, continua sendo acompanhado de perto por produtores rurais, cooperativas, tradings, indústrias de insumos e demais agentes da cadeia do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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